Os sinais do Governo Federal e dos estados nos levam a prever um crescimento no setor em 2019.

Mário Humberto Marques - vice-presidente da Sobratema (6)

Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema

O Governo Federal estipulou, em fevereiro, um calendário para a realização de concessões nos cem primeiros dias de mandato, gerando alento para o mercado da construção e boas perspectivas para a recuperação do segmento de infraestrutura. 

Ano passado, pelo quinto ano consecutivo, o PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil recuou 2,5%, segundo dados do IBGE. Esse desempenho negativo foi decorrente, principalmente, da área de infraestrutura, atingida fortemente pela crise e pelo menor investimento público. 

O primeiro leilão do Governo Federal parece confirmar essa tendência positiva esperada pelo mercado e pelas projeções da Fundação Getulio Vargas (FGV), que estima aumento no PIB da construção civil e 2%. A concessão de 12 aeroportos regionais, situados no Norte, Centro-Oeste e Sudeste, arrecadou R$ 2,377 bilhões em outorga. O investimento previsto ao longo de 30 anos de concessão para ampliação e manutenção dos terminais é de R$ 3,5 bilhões; para os primeiros cinco anos, o aporte estimado é de R$ 1,47 bilhão. 

Para os demais leilões, terminais portuários e Ferrovia Norte-Sul, a expectativa também é positiva. O governo espera obter investimentos nos dez terminais de R$ 629,5 milhões ao longo do período de concessão, que varia entre 15 e 20 anos. Já o leilão da ferrovia Norte-Sul envolve um trecho de 1.537 quilômetros, que vai da cidade de Estrela d’Oeste (SP) a Porto Nacional (TO); e o vencedor deverá fazer um aporte de R$ 2,8 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão. 

Outro ponto que contribui para um viés positivo para o setor da infraestrutura é a retomada de obras que estavam paralisadas, como a BR-163, a BR-101 e a Ferrovia Oeste-Leste (FIOL). Somado aos esforços do governo, também está o movimento feito pelos governos regionais em retomar os projetos de concessão de rodovias estaduais, como em São Paulo, que anunciou um projeto que inclui ampliação e modernização da infraestrutura de 1.201 quilômetros de rodovias e prevê investimentos em torno de R$ 9 bilhões em 30 anos. 

Essas ações, mais a nova confiança dos investidores, anunciam que os equipamentos de construção poderão crescer também neste ano. Em 2018, a venda de máquinas de movimentação de terra obteve, após quatro anos, um aumento de 40% ante 2017, de acordo com os dados do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção. Vale lembrar que essa alta ocorreu no último ano de um governo fragilizado que, apesar das dificuldades políticas, priorizou a retomada de obras paradas para a melhoria da infraestrutura. 

Para este ano, a previsão é de que haja um novo crescimento, porém com um percentual de entre 4% e 5%. Isso porque ainda existe cerca de 50% da frota ociosa e, caso as obras de infraestrutura ganhem ritmo mais acelerado, esses equipamentos serão os primeiros a serem colocados em operação. Outra questão é a diminuição dos investimentos da Petrobras, que também afetarão o cenário de projetos no segmento. 

Mesmo assim, para o segmento de equipamentos para construção, a sinalização do Governo Federal e dos governos estaduais em buscar a retomada da infraestrutura aumenta a confiança de empresários e empresas. Por todo esse movimento, neste ano, esperamos que retomada seja percebida de uma forma mais contundente. 

Mario Humberto Marques é vice-presidente da Sobratema.

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