O único serviço de metrô de que goza a região centro-americana é o Metrô do Panamá, que com duas linhas, 37 quilômetros e 30 estações, entre elevadas e subterrâneas, faz o percurso que beneficia diariamente milhares de pessoas.

O trajeto da Linha 1 percorre 16 quilômetros e 14 estações em apenas 26 minutos. Enquanto os 21 quilômetros da recentemente inaugurada Linha 2 são percorridos em 35 minutos. “Esta moderna obra de engenharia demandou um total de 520 mil metros cúbicos de concreto, cobrando especial relevância as aduelas que conformam o revestimento do túnel e os elementos pré-fabricados que constituem todo o conjunto de estruturas”, afirma a empresa.

Diante do crescimento do país, em junho deste ano inaugurou-se a Linha 2, que beneficia a mais de meio milhão de pessoas com suas 16 estações que atravessam bairros importantes da Cidade do Panamá, passando por centros comerciais, autoestradas e universidades. Tais obras, iniciadas em 2015, foram executadas em 43 meses.

FOTO1 ESTACIÓN SAN MIGUELITO SECTOR A

O sucesso da Linha 1

A empresa Metro de Panamá remarca várias façanhas dos trabalhadores durante a execução dos projetos e início de operação. “Várias decisões técnicas e de engenharia contribuíram para o sucesso do projeto. Além disso, sempre tivemos a consciência de que, assim como favorecidos com este projeto, também há os afetados, e por isso foram realizadas muitas consultas, e isso foi fundamental para conquistar o apoio dos cidadãos”, diz. Ao mesmo tempo, celebra-se o fato de que o governo do Panamá, responsável pela liderança do projeto, deu alta prioridade à construção do metrô, assegurando os recursos para concluir as obras.

Além disso, o projeto teve, como costuma acontecer com infraestrutura pesada, uma série de desafios técnicos, entre os quais destacou-se a execução de um túnel de 7 km no meio da capital. O traçado, que inclui estações subterrâneas, exigiu ao consórcio construtor o uso de dois tatuzões, para evitar atrasos na perfuração. “Se um se avariasse, o outro poderia continuar avançando”, afirma a empresa.

Antecipar-se a eventualidades nas obras foi fundamental, por isso começou-se a fabricar as aduelas de concreto para o túnel “com dois meses e meio de antecipação, de maneira que quando se iniciaram as obras, já contávamos com estoque o suficiente para abastecer o consumo dos tatuzões”, diz a empresa. Com este método de trabalho foram executados quatro quilômetros de túnel em pouco menos de 14 meses de obras pelo lado sul, enquanto os outros três quilômetros na frente norte demoraram outros nove meses.

A empresa também diz que, em lugar de lançar concreto usinado, “decidimos usar vigas em U pré-fabricadas para o túnel, o que permitiu acelerar as obras. Por isso, incluir pré-fabricados no viaduto ferroviário e nas estações, a fim de ganhar tempo de execução, foi também muito importante”, diz a Metro de Panamá.

A chegada da Linha 2

A Linha 2 chegou, como todo metrô no mundo, para descongestionar a cidade e acelerar os tempos de viagem de centenas de milhares de pessoas. Em horas de rush, o percurso na superfície do mesmo trecho coberto pelo trajeto, que se fazia em 90 minutos, agora com o serviço pode ser feito em um terço do tempo.

Estas obras, que empregaram mais de 6 mil pessoas e que beneficiarão 98 comunidades e 48 centros, melhorando a conexão urbana, compreenderam também algumas inovações para melhor servir ao público. “Há um sistema de troca linha que facilita uma operação parcial da Linha 2; tem dois pontos intermediários para o estacionamento de trens; conta com duas estações com plataformas centrais e possui uma estação com três vias férreas que permitem circular trens em percursos mais curtos ou mais longos”, dizem na estatal.

Também, de acordo com a empresa, uma das principais estações, a San Miguelito 2, “se construiu com as dimensões, equipamento e flexibilidade para atender a demanda de usuários esperada até 2035”. Além disso, inclui uma passagem elevada para pedestres com 12 metros de largura, que conectará com a estação San Miguelito 1, dando espaço adequado para a transferência do povo local. “Com isso, a interconexão da Linha 1 e a Linha 2 terá um movimento de 20 mil passageiros por hora, muito próximo à capacidade do Estádio Nacional Rommel Fernández”, diz a Metro.

Tamanha obra requereu uma infinidade de materiais de construção. Segundo números da Metro de Panamá, destacam-se a utilização de 1.148 pilares, 1.185 sapatas, 1.471 vigas U, 527 vigas I, 726 vigas PI; foram feitas 965 sondagens de solo; cerca de 64 mil toneladas de aço e 243 mil metros cúbicos de concreto.

A empresa estatal sustenta além disso que “estão se realizando as sondagens para a construção do ramal que conectará a Linha 2 com o Aeroporto Internacional de Tocumen”. Estas obras começarão logo, a cargo do mesmo consórcio que esteve envolvido nas obras das duas linhas. Ou seja, a associação entre Odebrecht e FCC foi a vencedora da licitação de US$ 100 milhões para construir o ramal, e terá dois anos aproximadamente para entregá-lo.

Metrê para além

Com tudo o que foi dito, e somando-se a recém entregue Linha 2 do serviço, ainda não é suficiente para cobrir inteiramente a cidade. Por isso, em breve deverá estar contratada uma obra de expansão da Linha 1, que ganhará mais 2,1 novos quilômetros.

Segundo a imprensa panamenha, o Consórcio Línea Panamá Norte triunfou na concorrência em 23 de julho, para este contrato, por um valor de cerca de US$ 178 milhões. O consórcio é formado pelas empresas OHL, da Espanha, e Mota Engil, de Portugal. O grupo empresarial tem 33 meses para concluir os trabalhos. “Esta obra é muito necessária pela quantidade de pessoas que poderão chegar e porque melhorará o serviço de ônibus, descongestionando a Transístmica”, afirmou o Diretor da Metro de Panamá, Roberto Roy, à imprensa do país.

Por sua vez, o projeto inclui uma estação terminal elevada na ala norte da Linha 1, que terá capacidade para 10 mil pessoas em horário de rush. Terá também conexão com uma estação de ônibus e estacionamento para 800 carros.

A proposta econômica do consórcio foi de US$ 204 milhões, que inclui os US$ 178 milhões mencionados mais o preço de financiamento, que é em torno de US$ 26 milhões. Desta maneira, apresentaram uma proposta mais barata do que o estimado pela Metro de Panamá, cujo orçamento havia ficado em torno de US$ 220 milhões. “Mas, devemos lembrar, o contrato ainda não foi assinado, porque estamos esperando todos os processos legais. Também temos que resolver o assunto do financiamento com o Ministério de Economia e Finanças para esta obra, que é de grande necessidade”, complementou Roy.

Além disso, o projeto inclui a ampliação da Via Transístmica a seis pistas, melhoras na parte de pedestres e o paisagismo. Vale destacar que esta primeira linha foi inaugurada há pouco mais de cinco anos e implicou um investimento de US$ 2,2 bilhões, obras que foram levadas adiante pela Odebrecht e a espanhola FCC. O mesmo consórcio concluiu este ano as obras da Linha 2 após apresentar uma oferta de US$ 1,18 bilhão.

Também está na pasta uma futura Linha 3 do Metrô do Panamá, cuja extensão alcançaria 26 quilômetros ao longo de 14 estações. Este trajeto conectará a Cidade do Panamá com as cidades dormitório da província, como Arraiján e La Chorrera, em 45 minutos. Com relação a este projeto, Roy afirmou que “está em processo de avaliação para a licitação, o que nos deverá tomar muito mais tempo. Devemos desenvolver também o projeto em coordenação com a construção da quarta ponte sobre o Canal do Panamá”. Este projeto ronda os US$ 2 bilhões, “tal como a ponte de oito pistas, que será a primeira desta largura no país”, afirmou o diretor da Metro de Panamá, que sentenciou: “O processos da Metro de Panamá continua e nosso horizonte é que para o ano de 2035 a Cidade do Panamá conte com oito linhas de metrô”.

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