A lista das 100 maiores locadoras de equipamentos do mundo teve mudanças neste ano, refletindo o bom estado geral deste setor. Em particular, a entrada de novas empresas ao ranking IRN100 comprova o momento positivo nos Estados Unidos, país de onde provêm nove das novas empresas na lista.

Loxam depot

Os dados mais recentes da American Rental Association (ARA) sugerem que o crescimento da receita das locadoras dos EUA continuará superior ao crescimento da economia nos próximos anos, com uma previsão de faturamento total superior a US$ 61,3 bilhões este ano (um crescimento de 5% em comparação com 2018).

O setor de rental da América do Norte se beneficia de investimentos. Um exemplo disto é o fato de que das novas incorporações à lista das top 100, quatro são empresas distribuidoras da Caterpillar: Kelly Tractor, Mustang Cat, Carolina Cat e Wagner Cat.

Considerando-se as 100 maiores, as empresas norte-americanas cresceram 20% em média em 2018, com um mercado pujante e em consolidação.

O crescimento do mercado de locação na Europa também ultrapassou o crescimento da economia, com 3,7% de aumento nas receitas. A tendência ali também deve se manter assim nos próximos anos, pois a Associação Europeia de Rental (ERA) prevê um crescimento de 4,1% em 2019, e de 4,7% em 2020.

As condições de mercado na América do Norte e na Europa se refletiram também num crescimento interanual de 60% no investimento, alcançando os €10,1 bilhões. O investimento da United Rentals foi o maior, e superou €1,8 bilhão, mas foi seguida de perto pela Kanamoto (€1,7 bilhão) e pela Ashtead (€1,6 bilhão).

Top cinco

Olhando de perto as cinco empresas que lideram o setor, não surpreende que a United Rentals tenha superado seu competidor mais próximo por quase o dobro. A gigante dos EUA avocou para si 14,8% da receita combinada das 100 maiores empresas mundiais do setor, portanto mais do que os 12% de 2017. A empresa também investiu mais de €1,8 bilhão em novos equipamentos, o que representou um crescimento de 13,9% em seu investimento anual e a manteve no topo da tabela também no quesito investimentos.

Em segunda posição, a Ashtead registrou receitas de quase €4,7 bilhões em 2018, somando assim 9,8% do total das 100 maiores no ano. A inglesa aumentou seus investimentos em novos equipamentos, saindo de cerca de €1 bilhão em 2017 para mais de €1,6 bilhão em 2018.

A terceira posição no IRN100 deste ano está ocupada pela Aktio Corp. A japonesa obteve receitas com locação de €2,2 bilhões em 2018, o que foi 4,6% do faturamento total das 100 em 2018. O grupo Aktio opera também na Tailândia, Cingapura, Malásia, Taiwan, Indonésia, Bangladesh e Myanmar, além de seu país natal.

O quarto lugar é ocupado pela grande operadora multinacional britânica Aggreko, com receita de quase €2 bilhões, o que representa um crescimento de 1,7% interanual. A Aggreko investiu €218 milhões em sua frota em 2018, o que coloca a empresa em décimo lugar da tabela no que se refere a investimentos.

Apesar de ter registrado queda de 5,8% em suas receitas, com locação de €1,7 bilhão, a Herc Rentals subiu para a quinta posição na tabela este ano. A empresa investiu €673 milhões em novos equipamentos para sua frota, fiando também na quinta posição na tabela de investimentos.

Movimentos

Houve muitos mais movimentos ao longo da tabela. Um dos casos mais destacados foi o da WillScot (antiga Williams Scotsman) que subiu nove postos e chegou à 17ª posição. Seu crescimento foi auxiliado pela aquisição da norte-americana ModSpace, especializada em geração de energia portátil, por um valor de US$ 1,1 bilhão. A ModSpace havia registrado US$ 453 milhões em 2017.

Mas o maior salto foi da Arcomet, que cresceu nada menos do que 36 posições e está agora em 62ª no ranking. Esta empresa francesa quase dobrou seu faturamento em comparação a 2017, ao adquirir a concorrente belga Matebat, especializada em gruas torre.

A Shanghai Pangyuan Construction Equipment Rental Co teve um dos seis mais impressionantes saltos, galgando 25 posições para se firmar em 43ª. Este desenvolvimento no faturamento se atribui em particular à alta demanda por gruas torre, principal negócio da empresa.

Falando em aquisições, uma das mais comentadas foi a da United Rentals sobre seu competidor nacional BlueLine, em 2018, antes propriedade da Platinum Equity. A um preço de US$ 2,1 bilhões, a capacidade da United Rentals se expandiu em muitas das maiores áreas metropolitanas dos EUA, inclusive em ambas as costas, no Golfo do México e em Ontario. Com isto, a empresa incorporou 46 mil novos ativos para locar, além de 114 novas filiais e aproximadamente 1,7 mil novos empregados.

Novas empresas

Já se comentou que uma grande proporção dos novos entrantes à tabela da IRN100 é da América do Norte, e de fato o melhor deles é a Nescl Specialty Rentals. A emprsa provê equipamentos para o mercado de transmissão e distribuição de energia, e crescentemente investe em ativos de sua especialidade que apoiam também as indústrias de telecomunicações e ferrovias. Ao longo do ano passado, a empresa adquiriu a N&L Line Equipment, fabricante de produtos relacionados a manutenção elétrica e outros serviços de eletricidade.

Dos novos participantes da tabela, é interessante o caso da GSV Materieludlejning, que se posiciona no posto 84. A empresa comprou a divisão dinamarquesa da Ramirent por €33 milhões em 2018. A Ramirent Dinamarca registrou faturamento de €41 milhões em 2017, e a aquisição confirmou a GSV Materieludlejning como a maior empresa de locação de máquinas na Dinamarca, com 16 filiais e receita de €112 milhões em 2018.

Resiliência

O otimismo no mercado global de locação está claro. O mercado da América do Norte está muito forte, enquanto a Europa – embora não tão forte – também mostra crescimento robusto. Certas regiões da Ásia também estão bem, o que se demonstra pelas empresas japonesas e suas posições no IRN100. Em contraposição, a América do Sul continua sofrendo nos rankings, ainda que suas economias comecem a mostrar sinais de recuperação.

Com este crescimento, as empresas que são as maiores da indústria de locação aos poucos vão se consolidando mediante as aquisições, além de um processo de diversificação de frotas e dando mais atenção a nichos de mercado. É interessante observar que as 50 empresas menores da tabela cresceram mais lentamente – a uma média de 8% - do que as 50 maiores, o que é fruto justamente da consolidação.

Porém, mesmo que este panorama continue válido – especialmente para a América do Norte -, é impossível dizer até quando durará este boom, e quando o novo ciclo de baixa começará. Parece, contudo, que as grandes locadoras mundiais estão mais bem preparadas para uma queda devido às opções por diversificação e sua consequente resiliência às vicissitudes.

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