Não é por falta de máquinas e tecnologias que a América Latina está atrasada em pavimentos de concreto. 

Pavimentadora

Está crescendo, mais ainda é insuficiente. Mesmo que já seja sabido que pavimentar com concreto é econômica e tecnicamente quase sempre melhor que com asfalto (dependendo da aplicação), há muito espaço por ganhar. Autoridades de departamentos rodoviários de toda a região começam a perceber as enormes vantagens desta opção: mais durabilidade do pavimento, mais produtividade no canteiro de obras e inclusive custos iniciais que hoje muitas vezes são iguais à opção asfáltica.

Já não se justifica não estudar o pavimento de concreto como opção real para as rodovias latino-americanas. Principalmente porque, em sua maioria, são autoestradas que se constroem em lugares onde não há infraestruturas subterrâneas que podem se romper e demandar uma perfuração da superfície pavimentada. Quase sempre, trata-se de lugares onde pôr o pavimento rígido só trará vantagens.

Mais: numa região onde sempre se critica a falta de manutenção nas obras de infraestrutura, por que escolher um método que demanda altas taxas de manutenção, como é o asfaltamento?

É significativo que um pavimento de concreto possa chegar a ter taxa de manutenção tão pequena como 8% do valor do projeto, em certos casos, em comparação com até 90% do valor inicial para manter um pavimento asfáltico.

Nota-se na América Latina um movimento geral por uma cultura de mudanças. Exige-se mais respeito aos orçamentos públicos, e responsabilidade dos governantes. Este movimento chega à engenharia rodoviária, e os governos já percebem que pavimentar com concreto faz bem para sua imagem.

O que falta é vontade política, não estrutura material. A América Latina tem uma indústria de concreto e cimento perfeitamente desenvolvida, e distribuidores dos principais fabricantes de maquinário de pavimentação.

Tecnologias

O crescimento do pavimento rígido em alguns mercados da América Latina é visível. No Chile, a empresa distribuidora LEIS Maquinaria representa um dos principais fabricantes de máquinas pavimentadoras para concreto no mundo, a norte-americana GOMACO.

De acordo com seu gerente geral, Matías Larraín, o cálculo de custo a longo prazo, considerando as manutenções, é o ponto de inflexão favorável ao concreto em seu país. “os pavimentos de concreto estão ganhando espaço no Chile, principalmente entre aqueles que entendem que o custo de longo prazo faz com que hoje seja mais econômico que o pavimento de asfalto, que tem alto custo de manutenção. Além disso, no Chile se desenvolveu com sucesso a tecnologia das lajes de concreto com espessuras finas e com cortes mais seguidos, que vêm fazendo do concreto uma opção mais competitiva e de qualidade diante do asfalto”, diz ele.

A LEIS Maquinaria é responsável por povoar o Chile com máquinas GOMACO. Larraín ofereceu um resume deste progresso. “No norte, a pavimentadora GOMACO modelo Commander III trabalhou com muito sucesso na 4ª região, reduzindo tempos de execução, levando a baixos gastos com mão de obra e, o mais importante, melhorando substancialmente a qualidade dos pavimentos de concreto em relação a planimetria, vibração da massa e nivelação. Também na cidade de Taltal, na 3ª região, a empresa HORMITEC, líder do segmento de execução de barreiras viárias e valetas triangulares in situ com concreto, conta com equipamentos GOMACO GT3600, e chegaram a executar mais de 300 metros lineares por dia de barreiras de 107 centímetros de altura em um só turno”.

Mas um projeto é especificamente destacado pela LEIS Maquinaria como o principal nestes momentos, a ampliação do aeroporto internacional de Santiago. “Neste projeto, hoje conta-se com a pavimentadora GP2400 de duas esteiras com sistema de acabamento autofloat, e a curadora/texturizadora TC 400”.

Competidor de alta capacidade neste ramo de pavimentadoras de concreto, a Power Curbers não fica atrás no que diz respeito à atenção pela América Latina. De acordo com seu gerente de marketing, Daniel Milam, “a América Latina é um mercado importante para a Power Curbers. Estamos aí desde 1970 e a cada ano temos mais oportunidades para nossas pavimentadoras. Por décadas, o mercado esteve limitado a máquinas de perfil de meio-fio e valetas, mas nos últimos 15 anos as rodovias de concreto estão crescendo em relação às de asfalto, e isto nos abriu portas”, afirma.

“A demanda na América Latina é um pouco como as marés. Mas temos uma boa população de máquinas do México até a Argentina”, diz Milam.

A Power Curbers está num momento especial, devido a que em 2017 lançou seu maior modelo de pavimentadora, a 7700 multipropósito. “Esta máquina tem uma ampla aplicação para além da pavimentação, como barreiras, valetas triangulares e meios-fios. A 7700 pavimenta até 6 metros de largura, e os demais modelos com quatro esteiras podem fazer até 10 metros de diâmetro”, conclui o executivo da Power Curbers.

Presença

Tanto é verdade que o mercado latino-americano de pavimentadoras de concreto está em crescimento que mais e mais players desejam participar. É o caso da também norte-americana Guntert & Zimmerman, ou simplesmente, G&Z.

Com escritório instalado na Bolívia, a G&Z já montou uma rede de distribuição e representação em 11 países da região: El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá e Nicarágua na América Central; Chile, Bolívia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai na América do Sul.

“Estamos trabalhando bastante forte para estabelecer uma rede de distribuidores no México, centro e sul da América e no Caribe, para que nossos clientes tenham um verdadeiro respaldo com nossos equipamentos nesta zona. Isto com o nosso escritório na Bolívia lhes dá um respaldo adicional. A vasta maioria dos distribuidores tem experiência com nosso tipo de equipamento de pavimentação em concreto. Estes distribuidores nos 11 países, com 34 sedes, representam os primeiros passos de cobertura para nossos produtos”, diz Steven Bowman, gerente regional da G&Z para a América Latina.

Até o fechamento desta edição, Bowman estava por anunciar novos distribuidores em uma série de mercados do Caribe, afirmando seu plano de crescer continuamente pela região. A atenção posta pela G&Z na América Latina se verifica também por sua disposição de participar nos eventos da indústria nesta parte do mundo. Steven Bowman será um dos palestrantes convidados pela FIHP para falar no 9º Congresso Iberoamericano de Pavimentos de Concreto, que se realizará em Assunção em maio (veja artigo de Diego Jaramillo, da FIHP, nesta edição).

Mas à parte a pavimentação de concreto mais densa e dedicada a grandes projetos rodoviários, existe também o mercado de aplicações mais leves. Por exemplo, pavimentos de pontes e vias menores. Para isso, muitas vezes não é aplicável as grandes máquinas que são conhecidas como “slipform”, e sim o correto seria aplicar pavimentadoras de rolos, como as da Terex Bid-Well.

Este sistema, diferentemente das pavimentadoras slipform, não trabalha com molde de acabamento pré-estabelecido pela máquina, e sim com rolos que capturam o concreto distribuído por um módulo que vai e vem lateralmente pela extensão total do marco do equipamento. Estes rolos transformam o concreto lançado pelo módulo e planificado por um sistema de roscas sem fim, e forjam nele a forma de uma superfície.

Assim, não é um sistema que compita com o slipform, mesmo que esta seja uma confusão muito comum. Sua estrutura é a de um marco treliçado que pode se estender lateralmente e caminha sobre trilhos fora do limite de pavimentação. Por isso, serve perfeitamente para o acabamento de pavimentos de pontes (pela óbvia falta de espaço de apoio além da própria ponte). Menos caro e de fácil utilização, o sistema da Terex Bid-Well deveria ser mais utilizado na América Latina.

“Acreditamos que os equipamentos Bid-Well não só aportam melhor capacidade técnica de produzir uma superfície com acabamento ideal, mas é mais do que isso. Oferecemos a possibilidade de amortizar melhor o investimento que a empreiteira tem em mão de obra, mediante a redução de trabalhadores necessários para um determinado serviço, e a possibilidade de completa-lo em menos tempo. Isto permite liberar estas equipes para outros trabalhos. Ao fim e ao cabo, a fórmula do Lucro é L = R – C, ou seja, Lucro = Receita – Custos. Quando adaptamos este ponto de vista e o aplicamos às décadas de serviço que oferece um equipo Terex Bid-Well, os números impressionam”, afirma Timothy Rubalcaba, gerente de vendas internacionais da marca.

Wirtgen sempre no limite

Lançada na última World of Concrete, a pavimentadora SP 62i da Wirtgen traz um importante leque de inovações.

Entre elas, a opção por duas esteiras, em lugar de quatro, facilita o transporte da pavimentadora. Além disso, a Wirtgen colocou uma pá de distribuição em frente do equipamento para pré-estender o concreto, e uma alisadora na parte de trás, substituindo o serviço manual de alisar o concreto após a pavimentação. Outra importante característica é que a máquina dá um giro ao redor de seu próprio eixo, aumentando a manobrabilidade.

Como qualquer máquina de duas esteiras, seu transporte é muito facilitado. A espessura de seus pavimentos pode chegar a 450mm. A máquina pode moldar pisos com coroa central de até 3%.

Um destaque importante é seu sistema de vibradores. São 12 vibradores hidráulicos incorporados (com opcional de 18). Mas se o cliente requerer, podem-se instalar 18 ou 24 conectores elétricos para acionar o conjunto vibratório. Por fim, o colocador lateral de vergalhões pode ser acoplado a ambos os lados da máquina ou só a um, como quiser o usuário.

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