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Para construir uma obra, as misturas de cimento ou concreto devem ter boa resistência e densidade, entre muitas outras variáveis. Tudo vai depender da quantidade de insumos que se incluem na mistura; todavia, atualmente as proporções não são reguladas por trabalhadores humanos, mas sim por softwares de aplicação que melhoram e otimizam a mistura.

Um concreto com traço adequado para o caso vai influenciar positivamente o êxito da obra, seja para suportar atividade sísmica, o desgaste dos anos ou o clima. Graças à digitalização do controle dos materiais que compõem o concreto no momento da sua entrada na betoneira pelas comportas e bicas da central, reduzem-se erros e imprecisões que, mais à frente, afetam os prazos e a qualidade da estrutura final.

Não é um problema pequeno, e em muitos casos isso se traduz no respeito às normas de resistência à compressão, que tem um caráter de “vida ou morte” para a autorização da construção. Além disso, existe o problema do slump, que pode resultar na rejeição de uma carga enviada se, ao medi-la, não estiver em conformidade com os requisitos.

A digitalização do processo de medição de componentes na central faz, portanto, toda a diferença em termos técnicos. E, como tudo na indústria do concreto, mesmo diferenças técnicas pequenas podem se transformar em diferenças econômicas significativas.

Proporções perfeitas

“Com um processo digital e automatizado, os registros podem ser consultados e exportados, permitindo a rastreabilidade de todo o processo”, explicou Marcus Gleriano, Gerente de Automação da Command Alkon Brasil, desenvolvedora norte-americana de soluções eficientes. Quem constrói tem os registros das pesagens de material e inventário, permitindo a realização de um diagnóstico da mistura. “Damos um suporte remoto para soluções de problemas e também para manter o sistema atualizado com as últimas versões e funções do programa”, acrescentou.

dorner batch

Já a companhia austríaca Dorner Electronic diz que a principal vantagem da digitalização destas tarefas é a eficiência. “Às vezes há um único operador responsável pelos lotes, pela manutenção e pela carga adicional. Com o DornerBatch Web, o operador acessa o sistema de processamento por lotes através do seu celular ou tablet”, explicou Peter Germann, Gerente Geral da Dorner Electric. O executivo acrescentou que “temos visto um maior interesse por centrais totalmente digitalizadas, que podem ser operadas de forma remota; é por isso que oferecemos um software que suporta tais operações”.

Os norte-americanos, com seu CommandBatch, também buscam promover eficiência e qualidade. “Nosso software de controle e automação de preparação do lote ajuda a controlar o processo de produção, garantindo a consistência do concreto, através de um controle de tolerâncias durante a pesagem, compensação automática da umidade, verificação automática das balanças, ajuste em tempo real, mudança automática de silo, monitoramento inteligente do fluxo e comportamento do material, pesagem simultânea de cargas diferentes, entre outras coisas”, explicou Gleriano.

Ao mesmo tempo, o DornerBatch assegura o produto final, uma vez que “a qualidade é perfeita ao sair da central. O controle total dos ingredientes, do assentamento e da temperatura automatizados com a melhor precisão de dosagem também o são”, comentou Germann.

São apenas dois exemplos de empresas em que a preocupação com a precisão do concreto usinado é total, e que investem muito para fornecer soluções sofisticadas para esta indústria. Não por acaso, são atores importantes no mercado latino americano.

Evitando problemas

Antes dessas aplicações existirem, o principal problema, segundo Germann, era a qualidade inconsistente do produto final, “o que dificultava garantir uma qualidade ideal de nossos produtos”. Nessa linha, Gleriano reafirmou isso dizendo que “em uma operação manual é comum encontrarmos erros, como por exemplo materiais dosados em quantidades fora das tolerâncias aceitáveis, slump incorreto e erros gerais de dosagem. A velocidade de carga normalmente também é um problema causado pela operação manual, o que tem melhorado enormemente com a automação do processo”.

Embora a tecnologia tenha melhorado as proporções das misturas, existem outras barreiras. “O custo pode ser um impedimento para pequenas empresas; por isso trabalhamos com afinco para democratizar a tecnologia, fazendo com que seja difundida no mercado e abra caminho em direção a outras inovações”, decretou o executivo da Command.

Este é um tema definitivamente importante para a América Latina e demais países e regiões em desenvolvimento. Considerando que o concreto tem que sair de acordo com as normas, seja o país rico ou pobre, a adoção destes sistemas não deveria estar condicionada a fatores econômicos. Porém, felizmente está havendo progresso na superação deste obstáculo.

Na área técnica, a Dorner ressalta que as melhorias têm a ver com a conectividade e a compatibilidade dos seus sistemas. “O principal problema é controlar quem tem permissão para acessar o software. Na Dorner isto é realizado através de um processo único de autenticação dento do DornerBatch”.

Outras aplicações

“Há várias tecnologias disponíveis que são utilizadas por nossos clientes e que ajudam muito no processo de modernização da indústria. Temos sistemas de telemetria e rastreio totalmente digitalizados, ajudando a melhorar a logística e o dimensionamento da frota de caminhões”, enfatizou Gleriano.

Tecnologias que também brilham na Dorner, as quais possuem “controle remoto do sistema de processamento por lotes, controle de carga adicional, controle de inblowing de cimento, controle de dosagem manual, recibos digitais, tecnologia GPS para guiar os condutores, controle de produção e outras coisas que melhoram a qualidade da mistura final”, acrescentou Germann.

O executivo da empresa austríaca toca num ponto muito importante. Não apenas a produção de concreto se beneficia da digitalização, mas também o transporte pode tornar-se mais eficiente. Hoje já não são poucas as concreteiras que, por meio de GPS em seus caminhões, são capazes de controlar melhor o fluxo de envios de suas cargas às obras contratantes. “As soluções digitais para a indústria são mais do que uma tendência, são uma realidade. Os clientes que já implementaram algumas soluções estão melhorando seus processos e têm feito a demanda crescer”, enfatizou Gleriano. Germann concorda com ele, uma vez que “a demanda tem aumentado em todo o mundo e esperamos que continue aumentando. Os desenvolvimentos recentes são apenas o primeiro passo na direção de uma digitalização completa”.

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