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No último ano viram-se dezenas de projetos na região, entre os quais destacam-se pontes, estradas, túneis, portos e aeroportos. Tais iniciativas demandam grandes quantidades de concreto armado. Ao mesmo tempo, no lugar onde estas obras se constroem, é usual que tenham existido antes, por exemplo, pontes ou estradas velhas que devem ser demolidas antes de começar a nova obra.

Antigamente, costumava-se deixar os escombros de demolição em depósitos irregulares, como se fossem lixo. Mas a crescente consciência ambiental, as leis e regulações e o interesse de construtores em manter os preços de mercado baixos, fizeram com que a administração dos escombros tenha virado um negócio.

Demolir e reciclar exige um maquinário específico e idôneo para o serviço, apesar de ainda haver quem quebre estruturas com carregadeiras. A indústria de máquinas, enquanto isso, oferece versatilidade, eficiência e tecnologia, e a CLA pesquisou algumas destas ofertas para a demolição e reciclagem de escombros.

Martelos e britadores

Na Caterpillar, a oferta é de uma série de martelos hidráulicos para seus equipamentos, chamada “B Series”, que chega ao mercado em duas versões: silenciada e não silenciada. Adequados para escavadeiras hidráulicas que pesam entre 18 e 40 toneladas, “cada martelo da B Series passa por testes na norma ISSO antes de ser entregue ao cliente”, afirma a fabricante. Ao mesmo tempo, a Cat continua oferecendo martelos da “H Series”, em sua versão silenciada para a mesma linha de produtos da marca, e que chega a dar 800 golpes por minuto.

FOTO5 KLEEMANN Spective control concept

“Hoje, as retroescavadeiras têm engate rápido para que a troca de ferramenta se faça de maneira rápida e segura, no local de trabalho e sem a necessidade de um mecânico para realizá-la. Isto também permite que a mesma máquina realize a demolição e posteriormente o carregamento dos escombros”, diz Pedro Carvalho, especialista de aplicação de produtos Caterpillar. Deve-se levar em conta que as estruturas atuais são mais robustas e com difíceis acessos. “Por isso os equipamentos compactos e os martelos hidráulicos estão ganhando um lugar no mercado de demolições simples”, acrescentou Carvalho.

Por sua vez, a fabricante italiana de martelos rompedores hidráulicos Indeco apresentou na última edição da Bauma, na Alemanha, a nova linha de britadores hidráulicos IMH, “que foram testados na América do Norte e estarão disponíveis em breve para todo o mundo”, como disse Michele Vitulano, responsável pelo marketing da marca. Ele também acrescentou que “este set de acessórios pode transformar escavadeiras e pequenas carregadeiras em eficientes equipamentos de demolição”.

Em resposta à proliferação das miniescavadeiras no mercado mundial, nasce o HP 100 e o IRP 5X, um martelo hidráulico e o menor quebrador giratório da Indeco, respectivamente, ambos capazes de oferecer boas prestações em espaços reduzidos.

FOTO2 INDECOHP 100

A marca holandesa Keestrack investe tudo em britadores móveis, que “são perfeitas para reciclar concreto”, como disse Paul Fox, gerente de distribuição e vendas para América Latina da marca. Além disso, os diferentes modelos R3, R5 e R6 têm uma capacidade de 250 a 500 toneladas por hora, e estão disponíveis nas versões diesel/hidráulico e híbrida com plug-in elétrico, o que reduz ainda mais o impacto ambiental.

Por sua vez, com o separador magnético Neodym, os metais ferrosos podem ser recuperados dos escombros de concreto armado após a britagem dos destroços. Além disso, um acessório opcional de separação por vento retira o material contaminado do produto, e o pós-peneiramento com transportador de retorno assegura que os produtos finais estejam dentro das especificações dadas.

Por seu lado, a Rockster apresenta o britador móvel R700S, que foi desenvolvido para espaços reduzidos. Além disso, o R700S é totalmente hidráulico e possibilita a reciclagem de asfalto, concreto e outros resíduos de construção. “O que antes era um custo hoje pode ser um benefício. Em lugar de novos agregados de pedreiras, podem-se produzir britas a partir de resíduos de demolição no próprio canteiro, pra serem usados como sub-base de obras rodoviárias”, comentou Perry Holt, gerente de vendas para América Latina da Rockster.

Tecnologia e versatilidade

“A versatilidade e habilidade da máquina em intercambiar suas ferramentas é fundamental para uma boa execução das obras”, comentou Carvalho, que além disso assinalou que “ter a ferramenta ideal é essencial para ser mais produtivo e ter um menor custo operacional”.

Na linha da versatilidade, Vitulano, da Indeco, destaca o multifunção IMP, que incorpora novos dentes intercambiáveis no demolidor e pulverizador, sem deixar de contar com facas reversíveis na versão cisalha. “Temos também um novo sistema de eliminação de poeira para nossos martelos demolidores, que permite reduzir ao mínimo a exposição do operador a micropartículas de sílica”, disse o executivo italiano.

Também os austríacos da Rockster afirmam isto, pois “os produtos devem mostrar flexibilidade para se adaptar a diferentes aplicações, mas a um baixo custo”, comentou Holt. Segundo ele, “inovações como o sistema Rockster Duplex permitem aos clientes, por exemplo, usar duas tecnologias de britagem; um britador de impacto e um britador de mandíbulas em uma mesma base, e por isso podem cobrir dois campos diferentes com um só investimento. Deste modo, os britadores R900 e R1100DS podem ser usados como britadores de mandíbula R800 e R1200D e vice-versa, ou seja, os britadores de mandíbula podem ser usados como britadores de impacto”.

A Rockster ofrece também um sistema de peneiramento opcional, que permite uma produção de granulado final definido em 100%. O sistema conta com uma peneira vibratória circular compacta, modelo RS73, em combinação com a cinta RB65, de dupla função, ou seja, descarga e recirculação.

Além disso, garantem a precisão graças à tela multifunção, cujo ajuste hidráulico das ferramentas e a da mobilidade do equipamento “resultam numa extraordinária qualidade do material final”, diz Holt. Os clientes buscam maquinário multifuncional que possa limpar, britar e peneirar tudo de uma vez. “Na Rockster, oferecemos uma ampla gama de produtos, com diferentes tipos de tela que ajudam a criar o agregado pétreo perfeito para sua reutilização em construção”.

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Na Keestrack, Paul Fox diz que “configurar o britador de impacto através de sua tela pode gerar dinheiro com concreto armado que já tenha sido descartado”. Mas ele vai além, afirmando que os ajustes da máquina podem ser modificados com facilidade, de maneira a criar diferentes produtos finais. “Isto é uma economia circular, um win-win para o meio ambiente, para os recicladores e para os governos, pois garantimos produtos reciclados seguros”.

Por sua vez, os alemães da Kleemann, pertencente ao Wirtgen Group, sustentam que “a operação de plantas de britagem é cada vez mais complexa devido aos requisitos que se impõem. Ao mesmo tempo, a tecnologia tem que ser confiável e o mais simples possível para operar, sem longos períodos de instrução e familiarização. A interface entre o homem e a máquina permite usar nossas plantas de britagem de maneira adequada e usar suas capacidades de forma muito fácil”, disse Mark Hezinger, diretor de marketing da Kleemann.

A este respeito, os alemães apresentam a solução Spective, que se caracteriza por “mostrar só as funções necessárias, com símbolos claros e funções de planta reconhecíveis, podendo se ajustar em poucos passos, reduzindo assim os erros operacionais”, diz Hezinger. Complementando, ele afirma que “os dados de funcionamento da máquina podem ser recuperados através do painel táctil, e os níveis de óleo e diesel, por exemplo, podem ser vistos na interface de usuário da planta”.

Desconstruir para construir

“O mercado de demolição está em crescimento, especialmente onde há cada vez menos espaços disponíveis para novas construções”, disse Carvalho. Em acordo com o executivo da Caterpillar, Paul Fox da Keestrack diz que “a reciclagem é cada vez mais importante para economizar em produtos e matérias primas, reduzindo o impacto sobre o meio ambiente”.

Fox comenta as regulações, que dependem de cada país, e que são estritas sobre a composição e uso do concreto reciclado. “Ao reutilizar um produto proveniente de demolição, deve-se comprovar sua qualidade, pois se for deficiente em sua estrutura, não pode ser usado em qualquer obra, talvez sendo viável para ser um subproduto para construção viária. É por isso que as normas de cada país são importantes para ver quais aplicações podem usar o material reciclado”.

Neste sentido, Holt agrega que, fazendo-se uma boa reciclagem com unidades móveis de britagem e peneiramento, além de produzir um subproduto para rodovias, “uma reciclagem de boa qualidade pode gerar valor. Com a reciclagem, o que antes era custo pode virar lucro”. Por isso a companhia oferece o soprador de ar do britador R1000S, “que gera uma precisão e definição da pedra muito limpa, ao separar eficientemente diferentes tipos de substância”, disse o executivo da Rockster.

É justamente porque a qualidade do agregado final é tão importante que, como explica Holt, “há que se ter a capacidade de produzir agregados CLEAN-CRUSHED-CUBIC para sua reutilização na indústria da construção ao menor custo por tonelada produzida. Isto aumentará o atrativo para os construtores”.

Na atualidade, o material que provém de resíduos de construção só tem permissão para uso “não estrutural” em vários países. “Não obstante, o material estrutural só representa entre 18% e 24% de qualquer estrutura. O resto de um edifício, como os pisos, as paredes, os acabamentos sanitários e a cozinha, pode usar agregados de construção reciclados, tijolos, paredes secas e outros materiais”, disse Holt.

Os executivos coincidem que as novas tecnologias que produzem um concreto de melhor qualidade não são um problema para os britadores, nem tampouco para os martelos. “Há um maior desgaste das peças”, esclarece Fox, complementado por Holt quando afirma que “há edifícios antigos que tem desgaste do concreto e isso debilita o material, fazendo-o poroso. Hoje há que se realizar uma análise antes de misturar certos materiais”.

Hezinger, por sua vez, advoga por aqueles que estão a cargo da construção e podem ver-se inclinados a usar material reciclado, pois “na maioria das vezes o pessoal a cargo prefere material proveniente das pedreiras, por medo do desconhecido, e não estão dispostos a arriscar seu trabalho apenas para serem vistos como ecológicos”. Ele aponta que há tentativas em certos países para estimular o uso de reciclados, por exemplo dando melhor qualificação em licitações para quem apresentar este tipo de produto.

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