Tecnologia captura 100% do carbono emitido por fábrica de cimento, e o utiliza em produção de concreto. 

carbon cure

Betoneira Argos transportando o concreto com o CO2 capturado.

O que a empresa canadense Carbon Cure promete é quase uma utopia, mas que ela garante ser realidade. E se for assim, sua solução pode mudar drasticamente o impacto ambiental da construção.

Em um período determinado, a empresa capturou 100% das emissões de uma operação cimenteira nos Estados Unidos, transportou o material a outro lugar e o inseriu numa mistura de concreto que foi utilizada com sucesso na construção de um edifício. A Carbon Cure fechou o ciclo do cimento, levando a zero o nível de emissões de gases de efeito estufa.

Piloto

O projeto nasceu de um consórcio entre quatro empresas: a Carbon Cure, Cementos Argos, Sustainable Energy Solutions (SES) e Praxair. Tudo começou com a captura de carbono de um forno da fábrica de cimento de Roberta (Argos), no Alabama. Esta captura foi transformada em material líquido pela SES, para depois ser transportado pela Praxair a cerca de 300 quilômetros dali até Atlanta, onde uma operação concreteira da Argos esperava o CO2 com a máquina criada pela Carbon Cure, que o utilizou integralmente no traço de concreto.

De acordo com Robert Niven, diretor da Carbon Cure, a experiência é repetível, e agrega valor para além da redução de emissões de carbono. “Este CO2 adicionado ao concreto permite otimizar a quantidade de cimento requerida no traço, sem impacto para a qualidade do concreto. Isto pode reduzir o custo em até 1 dólar por 0,76 m3 (1 jarda cúbica)”, afirma.

Mas, como foi possível usar o carbono emitido na produção de cimento para fazer concreto? “O que fazemos é adicionar o CO2 ao concreto na mistura. O CO2 reage com o cálcio, formando carbonato de cálcio, como o calcário. Só que aí este ‘calcário’ é um nanomaterial. E este nanomaterial dará ao concreto mais resistência. Com menos cimento e mais resistência, o custo de produzir concreto diminui”, diz Niven.

Economias e ganhos

Niven afirma eu a solução da Carbon Cure, diferentemente de outros métodos, agrega valores econômicos aos participantes da cadeia produtiva, além de reduzir o carbono.

“A Argos foi a primeira empresa do mundo em perceber a vantagem deste sistema e colocá-lo em aplicação numa de suas fábricas. Naturalmente, outras a seguirão. Esta é uma solução que muitos estão tentando encontrar, mas nós estamos mostrando que ela já é aplicável, escalável e gera lucros”, garante.

Ter começado com Argos sua nova operação de captura e utilização de carbono pode significar um pé na América Latina: Robert Niven afirma que, em Toronto, a Votorantim já começou experiência similar. A LafargeHolcim também já teria mostrado interesse no que a Carbon Cure tem a oferecer.

O sistema de captura e utilização de carbono deveria interessar, inicialmente, empresas que têm operações verticalizadas de cimento e concreto, como a Argos, Votorantim e LafargeHolcim. O modelo de comercialização da Carbon Cure é por licenciamento.

“Não cobramos nada para instalar o equipamento que fabricamos, mas mantemos a propriedade do sistema. Somos remunerados de acordo com as economias e ganhos dos nossos clientes”, diz Niven.

Nada impede que isto se popularize no varejo do concreto, já que adquirir CO2 capturado é como comprar qualquer tipo de gás envasado. Por isso, Robert Niven afirma que “estamos buscando sócios para expandir para a América Latina”.

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