International Construction May 2020

As vendas de máquinas de construção experimentaram anos de bom crescimento na década que finda este ano, e embora com percalços, os 50 maiores fabricantes de equipamentos originais (OEM) do mundo chegaram à Yellow Table deste ano com um resultado recorde, referente ao ano de 2019. Mas, como acontecerá com todos os setores econômicos do planeta, a tabela do ano que vem certamente mostrará declínio nas vendas, devido à pandemia e seus impactos.

O número principal da tabela deste ano é o valor total de venda das 50 maiores empresas do setor em 2019, que ficou em US$ 202,7 bilhões. Trata-se de um recorde, pois foi a primeira vez que as vendas registradas na Yellow Table superaram os US$ 200 bilhões.

O valor total de venda registrado significa um aumento de 10% desde a última contagem realizada pela revista International Construction. Na tabela do ano passada, com vendas de 2018, o valor total havia sido de US$ 184 bilhões.

Embora o número de 2019 seja recorde, vale a pena ressalvar que a taxa de crescimento porcentual está se desacelerando. A título de exemplo, a Yellow Table de 2017 havia registrado crescimento de 25,5% em comparação com 2016; em 2018 o crescimento registrado fora de 13,5%, e na versão atual o crescimento desacelerou suavemente.

A taxa de crescimento está se desacelerando e provavelmente na próxima Yellow Table veremos uma nova desaceleração (senão uma contração). Com a pandemia do Covid-19, os OEMs tiveram que reduzir ou fechar a produção em várias fábricas, e a isso se somaram os aconselhamentos de isolamento social. Já não é uma questão de se as vendas na tabela do ano que vem serão menores, mas sim de quanto. Tanto a Caterpillar como a Volvo Construction Equipment (Volvo CE) publicaram os resultados do primeiro trimestre de 2020 e eles já apontam o cenário negativo: as vendas da CAT baixaram 27% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, e a Volvo caiu 17% na mesma base de comparação.

Voltando à lista deste ano, a Caterpillar retém sua primeira posição geral, com vendas de US$ 32,8 bilhões. Aqui cabe uma nota em relação à edição passada da Yellow Table: por erro, os números de vendas de máquinas para mineração não foram incluídos nas receitas da CAT, o que resultou em um total menor do que o real.

A número dois da lista é ainda a Komatsu, que teve no ano passado um sólido crescimento, mesmo sem ser espetacular. A partir deste ponto, a tabela ficou bem interessante em termos de mudanças neste ano.

No ano passado a John Deere já havia saltado de número nove no geral para o terceiro lugar, o que foi de fato espetacular. Além das boas vendas registradas, a razão principal disto é a aquisição do Grupo Wirtgen e suas várias marcas. Neste ano, a John Deere mantém o terceiro posto, mas não por muita diferença.

A Deere fica ligeiramente à frente da chinesa XCMG, que passou da sexta posição no ano passado à quarta este ano, com vendas de US$ 11 bilhões. A XCMG é seguida na lista por outra empresa chinesa, a Sany, que também subiu de sétima geral para a quinta posição este ano.

Vários fabricantes de equipamentos originais com sede na China tiveram alto crescimento na tabela nos últimos anos. Receberam uma grande ajuda advinda do projeto One Belt One Road, mas além disso várias delas reconheceram o serviço de pós-venda como fator indispensável para ter sucesso em mercados tradicionais como Europa e América do Norte.

A Volvo CE caiu uma posição, passando da quinta para a sexta posição na tabela, embora valha mencionar que a marca vem investindo com muita força em equipamentos elétricos compactos, o que pode ser um movimento muito inteligente pensando no futuro.

Na sétima posição aparece a segunda empresa japonesa do top dez: a Hitachi. A empresa caiu três lugares e é seguida pela Liebherr, que se manteve estável na oitava posição.

O nono lugar recebeu um novo participante do top dez, que é a chinesa Zoomlion. Ela teve um impressionante aumento de 44% em seu faturamento, passando de US$ 4,3 bilhões em 2018 para US$ 6,2 bilhões no ano passado. Finalmente, a coreana Doosan fecha os dez primeiros postos da Yellow Table.

Notável

Todo jornalista busca um ‘gancho’ para dar uma direção à reportagem, ou seja, qual o aspecto mais interessante e digno de menção. Para a Yellow Table não há dúvida de que o ‘gancho’ é a China. O país tem agora duas empresas entre as cinco maiores do ranking, e três entre as dez maiores. Nenhum país tem mais alta representação.

As vendas de equipamentos de construção na China aumentaram em 2019, ainda que não na mesma velocidade vertiginosa de anos anteriores, e os principais OEMs chineses intensificaram ainda mais seus esforços de venda no estrangeiro. A às vezes controvertida e já mencionada iniciativa One Belt One Road continua sendo um fator crucial de vendas. As empresas da lista com sede na China registraram faturamento de pouco menos de US$ 36 bilhões, o que equivale a 17,7% do total. No ano passado, as empresas chinesas contribuíram com 16% do total.

Entretanto, vale assinalar que a China ainda está atrás de dois pesos pesados tradicionais na venda de máquinas de construção: Estados Unidos e Japão. Será interessante ver como essa dinâmica evolui ao longo da próxima década.

Com relação a empresas individuais, o maior movimento na tabela foi de quatro posições. A japonesa Kubota saltou de 22ª no ano passado para 18ª este ano. A especialista em compactos Wacker Neuson, da Alemanha, passou da posição 28 para 24. Invertendo os papéis, a maior queda foi da Lonking, fabricante de máquinas de movimentação de terra e construção de rodovias da China. A empresa caiu quatro lugares, passando do 28 ao 24, e trocou de lugar com a Wacker Neuson.

Nesta edição há apenas uma nova entrada, ou uma reentrada. Trata-se da turca Hidromek, que no ano passado havia saído da lista devido à crise econômica que ocorreu na Turquia, e a queda aguda do valor da lira turca. O país ainda não se recuperou por completo, mas a empresa já conseguiu voltar a estar entre os 50 da Yellow Table.

Perspectiva futura

No ano passado, olhando para frente, esta seção de análise mencionou incertezas políticas como o Brexit e a gestão de Donald Trump. Agora, estas incertezas parecem – relativamente – triviais à raiz do Covid-19 e seu impacto na economia e na construção global.

Inclusive antes do Covid-19 já se havia dito que o pico da venda de máquinas de construção poderia ter sido alcançado, e que em 2020 haveria um reequilíbrio. A pergunta agora é: quanto vão cair as vendas? A pandemia é uma situação em rápido desenvolvimento e mudança, e os países do mundo inteiro estão em etapas diferentes dessa batalha. Ao momento em que se escrevia esta reportagem, a Europa parecia ter superado o pico, os Estados Unidos estavam se aproximando disto e a China já o havia superado muito antes.

Nos últimos dois trimestres de 2020, espera-se que a vida possa voltar a certo grau de normalidade. O debate é sobre se haverá uma espécie de demanda reprimida por equipamentos de construção, pois pode acontecer que as vendas permaneçam estáticas mesmo quando a vida e as empresas comecem a funcionar novamente com mais naturalidade. Muito depende do investimento público, já que é provável que o investimento privado não cresça.

Muitos governos do mundo inteiro já anunciaram políticas econômicas de apoio para pagar parte dos salários e evitar demissões, assim como para aumentar investimentos públicos em sistemas de saúde e outras coisas. Embora seja pouco provável que se cancelem os grandes projetos de infraestrutura que já foram contratados, os governos anunciarão novos e audazes investimentos em infraestrutura para impulsionar a economia? A resposta para isso pode determinar qual será o tamanho da queda nas vendas registradas na Yellow Table do ano que vem.

Por país

A Informação a seguir indica que os faturamentos reduziram, ligeiramente, na Ásia, saindo de 46,7% do montante total no ano passado para 45,4%. Isto apesar do forte aumento na tabela de algumas empresas chinesas, em particular a XCMG, Sany e Zoomlion, que subiram na classificação.

A América do Norte vê um leve aumento de 25% para 27,8% no total, ajudada pelos fortes resultados da Caterpillar, a maior fabricante do mundo. Por sua vez, a Europa experimentou uma redução marginal no total, passando de 27,8% de representatividade na tabela passada para 26,2%. A Europa tem duas empresas entre as dez primeiras: Volvo CE (sexto lugar) e Liebherr (oitavo lugar).

Deve-se recordar que estes números representam as receitas das empresas que figuram na Yellow Table e, portanto, não são representativos do faturamento total gerado dentro de suas próprias regiões ou países em seu conjunto.

Participação por empresa

As vendas de equipamentos de construção entre as 50 maiores fabricantes do mundo experimentaram um aumento notável nos últimos anos.

Em 2016, as vendas totais foram de US$ 130 bilhões; em 2019 registraram-se vendas de US$ 203 bilhões. Inclusive para uma indústria fortemente cíclica, ver aumentar as vendas em mais de US$ 70 bilhões em um período de três anos é assombroso. Este aumento se deve a uma série de fatores: projetos de infraestrutura pública em grande escala; crescimento contínuo do mercado da China e dos fabricantes do país; equipamentos que chegam ao final de sua vida útil e precisam de substituição; e fabricantes que produzem cada vez melhores equipamentos, serviços e cuidados de pós-venda.

Mas acredita-se que o pico do ciclo atual tenha sido mesmo em 2019, mesmo antes de termos que considerar o Covid-19.

As perguntas a se fazer são: o que acontece agora? Em quanto tempo acontecerá a recuperação do mercado?

Metodologia

As posições da Yellos Table se baseiam nas vendas, em dólares americanos, do ano calendário de 2019. As moedas foram convertidas para dólar com base na taxa de câmbio média ao longo de 2019. Os dados foram compilados de uma variedade de fontes, incluindo contas auditadas, balanços corporativos e outras fontes de boa reputação.

No Japão, Índia e alguns outros países, o uso do ano fiscal (que finalizou em 31 de março) tornou impossível estabelecer a informação do ano calendário. Nestes casos, usaram-se os resultados do ano fiscal. Em alguns casos, a iC fez estimativa de receita baseando-se em dados históricos e tendências da indústria.

Embora todos os esforços para assegurar que a informação contida neste relatório seja precisa, a iC não aceita responsabilidades por erros ou omissões.

Se deseja comentar sobre a Yellow Table, ou acha que sua empresa deve ser incluída, por favor envie um email ao editor da iC, andy.brown@khl.com

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