Grandes mudanças acontecem na indústria da construção latino-americana.

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Na presente edição do CLA50, pode-se apreciar uma importante variedade de mudanças. A mais notória delas, sem dúvida, é a redução do faturamento dos principais conglomerados brasileiros, que se contraíram drasticamente devido a uma combinação de fatores, entre os quais uma economia ainda em recuperação e os efeitos da Operação Lava Jato.

Se em 2015 (com receitas de 2014), a participação brasileira no CLA50 chegava aos US$ 36,5 bilhões, este ano o número chega a apenas US$ 5,44 bilhões. Uma queda brutal. De fato, a participação da maior economia sul-americana caiu 24,2%, dando assim lugar ao Chile como o país mais importante na lista das maiores construtoras da América Latina.

Em razão da Lava Jato, foi proibido às construtoras participar de licitações públicas, o que as levou a experimentar uma queda dramática em seus faturamentos. É por isso que os grandes nomes como Odebrecht (agora atuante sob o nome de OEC), Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, entre outras, tenham caído cinco posições no ranking, inclusive abandonando o Top 10 das maiores construtoras com atuação na América Latina.

Desta maneira, os maiores conglomerados de construção estão sendo substituídos em alguns projetos por atores locais menores, que estão ganhando força. Um exemplo disto é a Mendes Júnior Engenharia, que na edição de 2015 estava na posição de número 24, e que desde o ano passado é parte do grupo das 10 maiores construtoras.

Esta é precisamente uma das razões pelas quais os faturamentos combinados no CLA50 apresentam nova redução este ano, totalizando US$ 22,5 bilhões no exercício de 2018. A divisão deste bolo está agora mais equitativa. Tomando novamente como exemplo a edição de 2015 do CLA50: naquele ano, as dez principais empresas de construção com atividade na região representavam 61,5% das vendas totais no ranking, enquanto hoje esta representatividade está reduzida a 43,3% do total.

Top 10

Se em todos estes anos vínhamos vendo a Odebrecht encabeçar a lista, hoje é uma empresa chilena a que se coloca como a maior. Trata-se de Sigdo Koppers, companhia que gerou receitas de US$ 2,33 bilhões em 2018. É seguida pela espanhola Sacyr, que deu um grande salto no ranking não só por um aumento de 30% em sua receita, mas também por que na edição do ano passado suas vendas haviam sido subestimadas.

E em terceiro lugar também está uma brasileira, a MRV Engenharia, que pouco a pouco foi avançando posições no Top 10. Vale recordar que, fazendo novamente referência à edição de 2015, esta empresa estava na posição de número 9.

Em quarto lugar está a empresa portuguesa Mota-Engil. A companhia avançou três posições graças a um sólido crescimento de 11,2% em suas receitas latino-americanas. De fato, a América Latina foi a região que mais contribuiu para o faturamento do grupo (38%). Na região, o México é o país mais importante para a Mota-Engil, representando 57% do seu total regional.

A gigante peruana Graña y Montero experimentou uma redução de 6,7% em suas receitas, registrando vendas por US$ 1,15 bilhão em 2018. Esta queda rendeu-lhe perder duas posições no ranking, localizando-se agora na quinta posição.

O secto lugar é mantido pela chilena Salfacorp, fechando um seleto grupo com faturamento acima de US$ 1 bilhão. Ela é seguida pela já mencionada Mendes Júnior Engenharia, cuja receita caiu 17,5% em 2018, o que lhe significou um retrocesso de duas posições no ranking.

A mexicana Carso também teve uma queda importante, de 10,2%, devido à conclusão de alguns projetos ou etapas de projetos, bem como pela diminuição das licitações de obras públicas no país. Ainda assim, manteve sua oitava posição.

A única empresa centro-americana do CLA50, a costarriquenha Meco, continua subindo na tabela. A empresa, que na edição de 2015 se localizava na posição número 27, já desde o ano passado entrou no Top 10, e este ano marcou a nona posição, com faturamento de US$ 692,9 milhões.

Fechando o grupo das dez maiores, com faturamento de US$ 650,9 milhões, está a também chilena Besalco.

País por país

Pela primeira vez na história do CLA50, o Brasil perdeu o domínio do ranking, passando o bastão ao Chile.

As onze empresas do Chile no ranking (com três delas entre as primeira dez) geraram faturamento combinado de cerca de US$ 6,06 bilhões. Embora o número de empresas seja o mesmo do ano passado e as receitas tenham se mantido quase iguais, a queda do faturamento geral no ranking fez com que o país ganhasse mais de quatro pontos porcentuais, representando assim 26,9% do total de receitas registradas no CLA50.

A Câmara Chilena da Construção (CChC) afirmou no início do ano que o investimento em infraestrutura teve desempenho positivo no país em 2018, e as boas notícias são de que a entidade estimou então que em 2019 o valor deverá ser maior, situando-se em 4,9% anual. Se for mesmo assim, o Chile poderia ter uma segunda oportunidade de liderar o CLA50, embora tudo dependa do que acontecer com o Brasil ao longo deste ano.

As 14 empresas brasileiras presentes na tabela (três a menos do que na edição anterior) alcançaram faturamento combinado de US$ 5,44 bilhões, 24,2% do total registrado neste ranking. Embora ainda seja uma representatividade importante, não condiz com o tamanho da economia e relevância regional do país. Apesar disso, o país está tomando medidas para reativar sua construção, e se tudo der certo, o país poderá voltar ao primeiro lugar. Em agosto passado, o presidente Jair Bolsonaro firmou com os Estados Unidos um memorando de entendimento para estimular o financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil, e depois em setembro reativou-se o programa Minha Casa Minha Vida. Estes dois fatores, ainda que não imediatamente, deverão contribuir para que num futuro próximo vejamos aumentar a representatividade do Brasil no CLA50, tanto em faturamento como em número de empresas.

A entrada da México Proyectos y Desarrollos permitiu que o país voltasse a seu clássico terceiro lugar, que havia perdido no ano passado para o Peru, devido à saída da construtora ICA do ranking. As empresas mexicanas registraram faturamento combinado de US$ 2,64 bilhões, e representaram 11,7% do total regional.

A Espanha, representada pela Sayr, FCC e o Grupo ACS, fica em quarto lugar e bem próximo ao México, com faturamento combinado de US$ 2,53 bilhões, e 11,3% do total.

Em quinto lugar fica o Peru, que com seis empresas listadas no CLA50 conseguiu um faturamento combinado de US$ 2,42 bilhões, representando 10,8% do total.

Novas entradas

A principal nova entrada no ranking é a já mencionada México Proyectos y Desarrollos, cuja divisão de infraestrutura alcançou receitas por US$ 625 milhões, ficando assim na décima-primeira posição.

O grupo espanhol ACS entrou na posição de número 19 com um faturamento na América Latina estimado em US$ 401 milhões.

Também marcam sua entrada no CLA50 deste ano duas empresas colombianas, a Mincivil, com receita calculada em US$ 192 milhões, e a Episol, com faturamento estimado em US$ 154 milhões.

Uma quinta estreante é a brasileira Tegra Incorporadora, que obteve em 2018 receita líquida por cerca de US$ 128 milhões.

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