CLA50

Desde o ano de 2012, quando registrou-se um pico nas receitas do CLA50, os valores vêm caindo constantemente por uma variedade de razões: refinamento do ranking com dados adicionais, crise econômica e, por óbvio, o escândalo de corrupção da Lava Jato que veio a derrubar o valor e as capacidades de muitas empresas importantes.

Mas este ano, a dinâmica mudou, e as receitas acumuladas pelas 50 maiores construtoras com atividade na América Latina chegaram em 2019 aos US$ 23,59 bilhões, crescimento de 4,8% com relação ao ano anterior (porcentual que é de 6% se se consideram as receitas de 2018 das mesmas 50 empresas deste ano). Esta é uma grande notícia para o mercado regional, mas dadas as condições atuais esta recuperação pode ser tão breve quanto foi moderada.

A pandemia, sem dúvidas, terá um impacto nos faturamentos das empresas listadas, sobretudo aquelas que concentram suas atividades nas zonas urbanas que foram afetadas pelas paralisações.

Projeções

Fazendo uma rápida revisão dos resultados do primeiro semestre deste ano com algumas empresas representativas de cada país, pode-se facilmente estimar que a queda na receita da CLA50 no ano que vem poderá se aproximar perigosamente aos dois dígitos.

De fato, já em julho o escritório de estudos e prognósticos GlobalData estimava que a construção latino-americana pode se contrair 6,8%. Nestas ocasiões, a consultoria estimava que a produção do setor poderia desabar 16% na Argentina, 14% no Peru, 8% no México, 6% no Brasil, 5,5% na Colômbia e 4,5% no Chile.

Em 2021, a GlobalData espera que o setor permaneça fraco, diminuindo 1,7% antes de se recuperar com 2,4% na parte do tempo prognosticado, de 2022 a 2024.

É impossível saber o que vai acontecer realmente, e só esperando a edição do CLA50 de 2021 para ter uma radiografia mais clara sobre a saúde do setor nesse período. Enquanto isso, é manter as esperanças de que no segundo semestre do ano apareçam sinais de melhora e reduzam as medidas de bloqueio, restrições a viagens, o distanciamento social e que se possam abrir negócios não essenciais.

E é bom que moderemos as expectativas. Com a pandemia, a demanda global está mais lenta, e a região experimentou uma desvalorização quase generalizada das moedas nacionais, e as fugas de capital já não são segredo para ninguém.

País por país

Na edição atual do CLA50, pode-se apreciar uma importante variedade de mudanças. A mais notória delas, sem dúvida, é o retorno dos conglomerados brasileiros, que no ano passado cederam a principal representação regional ao Chile, e que voltaram a liderar o ranking em termos de países, com 16 empresas (duas a mais que a lista anterior), e com faturamentos de US$ 6,62 bilhões em 2019, 21% acima do que havia se registrado na edição passada.

Onze das empresas brasileiras da lista anotaram fortes aumentos em seus faturamentos, e duas delas inclusive duplicaram a receita. É o caso da Tegra Incorporadora, que no ano passado registrou resultado 151,6% acima do de 2018, e da Andrade Gutierrez, cujo crescimento foi de 102,7%, o que, como se verá mais adiante, lhe colocou de volta entre as dez maiores empresas do ranking.

Se em termos gerais 2019 foi um bom ano para a construção brasileira, as previsões atuais dão conta de que o setor não voltará a estes níveis de produção antes de 2023, mesmo que o governo esteja investindo algo em infraestrutura para, entre outras coisas, satisfazer a demanda por moradia no país.

O Chile manteve sua representação de 11 empresas com receitas similares às registradas em 2018 (e tal como no ano passado, com três empresas entre as dez maiores), e ficou como o segundo país com mais aportes, com uma produção de US$ 6,05 bilhões, ou 25,6% do total do CLA50.

Não obstante o anterior, como se depreende do artigo central desta edição, se o segundo semestre não trouxer uma forte recuperação, esta participação no ranking geral poderia cair.

Com seis empresas na lista, o México se mantém na terceira posição com receitas totais de US$ 2,74 bilhões, e mantém uma representatividade similar à do ano passado, com 11,6% do total.

Apesar disso, há que se levar em consideração que a construção mexicana vem arrastando resultados muitos ruins por vários anos e, na verdade, apenas duas das empresas listadas experimentaram crescimento em suas vendas, revertendo as quedas das outras quatro.

Em quarto lugar está a Espanha, cujas empresas representaram 11% das receitas do CLA50, seguidas pelas também quatro peruanas, que abarcaram 8,9% do ranking.

Top 10

É interessante ver como subiu a representação do top dez no ranking total. No ano passado, as dez maiores empresas da lista abarcaram 43,3% dos faturamentos do CLA50, enquanto na edição atual isso subiu para 50,3%.

Os três primeiros lugares do top dez se mantiveram inalterados, e mantiveram as distâncias entre eles.

A chilena Sigdo Koppers continua em primeiro lugar com receitas de US$ 2,33 bilhões, seguida pela espanhola Sacyr, que em 2019 obteve receitas na região por volta de US$ 1,6 bilhão. Muito perto da Sacyr está a brasileira MRV Engenharia, que obteve receitas por US$ 1,54 bilhão no ano passado.

A portuguesa Mota-Engil experimentou uma contração de 11,2% em caiu duas posições para o sexto lugar, movimento que deu oportunidade para a peruana Graña y Montero e para a chilena Salfacorp, que ficaram em quarto e quinto lugares, respectivamente.

No sétimo lugar, está a mexicana Carso Infraestructura y Construcción, que graças a um aumento de 26% em suas receitas, fechando em US$ 1,01 bilhão, e à queda estrepitosa da Mendes Júnior Enhgenharia, avançou uma posição.

Vale recordar que no ano passado havia seis empresa com um faturamento acima de US$ 1 bilhão, mas este ano, após o importante crescimento da Carso, são sete empresas que rompem esta marca.

A saída da Mendes Júnior Engenharia do top dez foi compensada pelo reingresso da Andrade Gutierrez Engenharia às dez maiores. A brasileira conseguiu um aumento de mais de 100% em suas vendas, e com receitas de US$ 766 milhões abocanhou o oitavo lugar.

A nona e a décima posições continuaram em mãos da costarriquenha MECO e a chilena Besalco, que mantiveram seus lugares apesar das quedas nas suas receitas de 5,5% e 7,1%, respectivamente.

Novas entradas

Esta nova edição do CLA50 mostra cinco novas empresas incorporadas à lista, todas elas do Brasil, que vieram recompor algumas das grandes perdas que o país registrou no ranking, como a Gafisa e a Serveng-Civilsan, cujas receitas caíram entre 2018 e 2019 58,3% e 4,8%, respectivamente.

As novas empresas listadas são a Método Potencial Engenharia, que se posicionou na posição 24; U&M Mineração e Construção na posição 34, seguida pela Empresas Construtora Brasil na posição 35, ambas com receitas pouco menores aos US$ 220 milhões. Na posição 44 entrou a Racional Engenharia com US$ 156,9 milhões, e na posição 47 a Pacaembu Construtora com US$ 144,1 milhões. 

Metodologia 

As posições do ranking CLA50 se baseiam nas receitas brutas por vendas em dólares norte-americanos. Quando tiver sido necessário, o câmbio terá sido convertido a dólares baseado na média da moeda em todo o exercício de 2019. 

A informação foi obtida em distintas fontes, partindo-se das respostas de algumas empresas à pesquisa preparada pela Construção Latino-Americana (CLA), complementada com dados disponíveis em bolsas e superintendências, contabilidade auditada, declarações de empresas e de respeitadas organizações especialistas no tema. Em alguns casos, não foi possível contar com contabilidade auditada, situação na qual a CLA fez uma estimativa de vendas baseada em dados de consultorias e tendências da indústria.

Embora se tenha feito o melhor esforço para que a informação desta reportagem seja a mais fidedigna e exata possível, a CLA não pode se fazer responsável por possíveis erros ou omissões.

Se algum leitor desejar fazer algum comentário sobre o ranking publicado com as 50 empresas construtoras com maior volume de vendas, ou considera que sua companhia deveria estar na lista, solicitamos que faça contato diretamente com o editor da CLA, Cristián Peters, no email: cristian.peters@khl.com.

 EVOLUÇÃO 

Após seis anos de quedas consecutivas, as receitas do CLA50 finalmente mostraram crescimento. Mas o setor ainda está bem longe de seu pico. Cabe recordar que na edição 2013, baseada em faturamentos de 2012, o CLA50 registrou receitas de US$ 72,92 bilhões, basicamente triplicando as vendas do ranking atual.No ano passado houve um crescimento moderado, mas o que acontecerá com os resultados deste ano? 

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