Na América Latina, existe muito espaço para modernizar a construcción com pré-moldados de concreto. 

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Ainda estão por se difundir as vantagens econômicas do pré-fabricado de concreto na América Latina.

O mercado de pré-moldados, da mesma forma que o restante da indústria da construção, vive a era do avanço tecnológico. Apesar disso, há certas suspeitas relativas ao desenvolvimento desta indústria, que uma ou outra forma acabam por criar obstáculo a seu desenvolvimento. Entre alguns players do mercado, há um consenso de que as empresas são reticentes em adotar novas tecnologias, pelas dúvidas que elas geram, gerando uma situação de excedente de mão de obra e deixando clara a possibilidade de redução de custos e tempo, quando afinal forem adotadas as novas técnicas de produção já disponíveis para este segmento.

Em transição

Atualmente, o mercado de pré-moldados se encontra numa fase de transição tecnológica e empresarial. Tanto é assim, que diferentes atores do segmento coincidem na avaliação: “Em geral, creio que o mercado de pré-moldados, e mais ainda, o mercado de pré-fabricados, está num momento de transição; romper com um paradigma da mão de obra barata e abundante, para migrar a um sistema mais industrializado. Como foi o caso da indústria automotiva uns 30 ou 40 anos atrás”, disse Martin Maass, gerente de vendas do Progress Group para a América Latina. Na mesma linha, o diretor da WCH, Klaus Holzberger, afirma que “há muitos provedores no mundo dos pré-moldados e bastantes soluções que foram se desenvolvendo, e novos acessórios. É um mercado que está em um ponto de transição em direção à tecnologia, e nós da WCH recomendamos a nossos clientes olhar onde as mudanças deram resultado”.

Há muita tecnologia disponível e, portanto, grande potencial de melhorias – mais qualidade, menores custos e desperdícios, menores tempos e menos mão de obra. “O mal de tudo isso é que estas tecnologias são conhecidas, adotadas em parte e implementadas apenas no Brasil. Nos falta entrar nos demais mercados”, argumenta Maass, que prossegue: “em 2017, as empresas tinham pouca motivação para fazer investimentos em razão da economia e suas incertezas. As empresas começaram a fazer alguns investimentos, mas apenas os mais urgentes e não aqueles que poderiam atualizar as tecnologias, fábricas e máquinas que o pré-moldado requer”.

Desta forma, há certa consciência entre os diferentes atores de que, embora em 2018 o mercado vá retomar, os investimentos em novas tecnologias não vão vir antes de 2019: “as empresas necessitam tempo de planejamento, e os provedores, tempo para satisfazer essa demanda”, diz Maass, que acredita que apesar das incertezas da região, deve-se ter em mente que “os provedores internacionais não têm problema com a economia; muitas vezes precisam de tempo para fabricar máquinas novas para um cliente. Portanto, as empresas nacionais deveriam planejar com mais antecedência, se quiserem investir em tecnologias mais modernas e assim aspirar maiores desenvolvimentos”.

Novidades técnicas

Sobre a avaliação de sua carteira de produtos, feita pelos diferentes atores do pré-moldado, o Progress Group crê que “por sermos uma empresa internacional e multinacional, nossa grande carteira de máquinas com sucesso nos mercados torna difícil classificar um equipamento como mais bem-sucedido do que os outros”. Já para os norte-americanos da Columbia Machine, o destaque vai para suas “plantas modelo 1600, que por seu custo de aquisição tem sete modelos operando e quatro unidades da planta CPM-50, sendo que a CPM-50 tem o dobro de capacidade para produzir blocos Pavers, um produto muito bem aceito no sul e nordeste do país”.

Por sua vez, para a WCH “os campeões de venda são as molduras flex e equipamentos para elevação”, dizem. Assim, no mercado latino-americano, destacam-se os equipamentos para protensão e máquinas extrusoras e moldadoras para fabricação dos pré-moldados”. Desta forma, e em sintonia com o mercado, a WCH desenvolveu moldes reguláveis que reduzem a mão de obra e otimizam o processo de produção nas indústrias, “tal como é o caso do molde regulável para fabricação de escadas e moldes para fabricação de pilares com consoles”, disse Holzberger, que acrescentou que “a WCH melhorou o marco Pilar Flex para ser acessível com posicionamento de consoles nas quatro faces do pilar em qualquer modulação, com variações de altura e largura, simples de montar e manipular, pode ser para produções em pedreiras ou instalações. Para a produção de um pilar de 18 metros, por exemplo, o processo de montagem dura em média 20 minutos”.

Na ficha técnica do produto, destaca-se a diminuição do tempo de produção, promovendo ganho de escala, e um melhor acabamento nas peças para reduzir custos na mão de obra. “Além disso, otimizamos os espaços ao eliminar tarefas onde antes se aplicava mão de obra que hoje nosso maquinário realiza. Já não cortamos nem soldamos molduras, de tal forma que aumentamos a vida útil do conjunto de moldes”.

A WCH também se especializou na montagem de fábricas itinerantes, flexíveis e adaptáveis às necessidades dos clientes. “O objetivo da fábrica itinerante é realizar obras distantes da fábrica matriz, garantindo qualidade e redução de custos, pois não se demandam serviços de terceiros, como no caso de transporte, tendo assim a certeza de que o prazo será cumprido”, disse Holzberger. Ele acrescenta que “da mesma maneira, pode-se ganhar com o custo do terreno, já que a fábrica itinerante pode ser instalada no terreno da própria obra, resultando em uma economia significativa no investimento inicial; já que os projetos elaborados só farão uso temporário, sem ter que fazer previsões de ampliações ou reservas, como as que se planejam em fábricas fixas. Todos os equipamentos e instalações que se utilizam para garantir uma alta qualidade de produção em instalações fixas podem e devem ser usados da mesma forma nas fábricas itinerantes”.

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A provedora de máquinas Progress Group afirma que pequena parte das empresas de pré-moldados utiliza tecnologias industriais.

Pelo lado da Columbia, afirma-se que “temos a paletização robusta para produtos de concreto com desenhos de difícil encaixe para a formação do cubo. São robôs que também são muito adequados para o embalamento de agregados e ensacamento de cimento”, diz Silvio Rodrigues, engenheiro da Columbia Machines.

Desafios

Martin Maass, do Progress Group, diz que o principal desafio seria romper paradigmas, “que se aceitem as novas tecnologias, que assumam que trazem vantagens técnicas e econômicas para a empresa”.

No Brasil, existem milhares de empresas que produzem pré-fabricados; em grande parte pequenas empresas produzindo pré-fabricados com métodos simples, e apenas uma pequena porcentagem destas empresas são maiores, com mais de 100 empregados. “Estas empresas, no entanto, são as de maior poder aquisitivo, são as mais produtivas”, diz Maass. Mas ele também lembra que “estas empresas em grande medida preferem uma produção com mais mão de obra e menos tecnologia”. Nesta mesma linha, na Columbia o moto é que “o mercado deve entender que hoje com duas pessoas, um operador de maquinário e um operador de cubagem, pode-se mobilizar toda a produção do pré-moldado”.

Nesta matéria, há plena coincidência de que há uma rejeição ao avanço tecnológico na área, o que claramente é a principal preocupação dos executivos do setor: “a tendência do mercado sempre é a de otimizar o sistema produtivo, reduzindo os custos envolvidos na produção, através da redução da mão de obra, do tempo, da eliminação de retrabalhos e melhoramento do espaço fabril”, diz Holzberger, acrescentando que “a adaptação tecnológica deve ser também ao mercado; vemos que certas inovações não são 100% replicáveis no mercado brasileiro ou latino-americano.

Mas Maass rebate o argumento, dizendo que há um problema de cultura de desenvolvimento especificamente na construção civil. “Nos últimos 60 anos ou mais houve avanços em várias indústrias, mas percebemos que a construção civil literalmente não avançou, e ainda prefere os métodos tradicionais. Infelizmente existe uma certa dificuldade, não quero dizer resistência, de fazer as mudanças necessárias, que já foram adotadas em outros países, e não só no primeiro mundo”.

Segundo ele, “com isso poderíamos melhorar a cadeia inteira, mas creio que existem dois argumentos que explicam por quê estas inovações não se introduzem com facilidade: primeiro, os engenheiros e arquitetos preferem os métodos que eles conhecem e que aprenderam na universidade; é por isso que temos que começar desde as universidades a mostrar e ensinar as novas tecnologias de pré-fabricados, que nem são novas, mas o são no Brasil e na América Latina. Depois, o problema dos governantes: existe preocupação em não gerar conflitos com os trabalhadores, pois a construção civil convencional emprega um grande contingente”.

O segmento da construção vive um momento de problemas, mas recupera espaço em alguns países da América Latina. Melhores cenários na Argentina e Peru, e ensaios de recuperação no Brasil e no Chile, embora estejam ainda longe do ideal, já contrastam com a recessão experimentada em 2016, por exemplo.

Portanto, faz-se necessário que tanto os produtores de máquinas de pré-moldado como os pré-moldadores entendam que que há processos de melhoramento que influirão positivamente na lucratividade dos seus negócios e nos prazos de entrega de serviços de qualidade conforme demandados pelo mercado.

 

WCH desenvolve molde único para escadas 

A empresa provedora de maquinário para pré-moldados WCH desenvolveu uma solução para o problema de moldar escadas. Segundo a empresa, se antes eram necessários vários moldes, cada um com dimensões específicas e uma variedade de formas para atender cada tipo de requisito, com sua solução Flex WCH isso muda.

O molde pode produzir escadas de entre 3 e 21 degraus, com ajustes variáveis, de acordo com a tabela abaixo. A largura das escadas pode variar entre 1,25 e 1,8 metro.

Patamares 1,50m 1,80m

Frente 15cm a 22 cm

Piso 20cm a 32 cm

Largura mínima 1,25m

Largura máxima 1,50m 1,80m