Autoridades se contradizem sobre mega projeto que conectaria Brasil e Peru por estradas de ferro.

corredor bioceanico

O projeto de uma ferrovia de 5 mil km que faria a conexão entre o litoral brasileiro e a costa do Pacífico no Peru está cercado de polêmicas. Anunciada em 2014 durante uma visita do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil, a ideia da ferrovia era facilitar a exportação de grãos brasileiros à China sem passar pelo Canal do Panamá, mas encurtando a distância total. Porém, em entrevista à agência Reuters, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Jorge Arbache, afirmou que “com um custo de US$ 80 bilhões, a obra não seria comercialmente viável se não transportasse bens mais valiosos, além de matéria prima”.

Entretanto, a Embaixada do Brasil na Bolívia reconheceu seu compromisso com o projeto do Corredor Ferroviário Bioceânico Central (CFCB) e seu caráter estratégico para a integração regional. Por outro lado, o secretário geral da Unasul, Ernesto Samper, lamentou o que seria uma decisão do Brasil em não apoiar mais o projeto. “É um golpe duro na integração econômica”, disse em sua conta no Twitter. Já o ministro de Obras Públicas da Bolívia, Milton Claros, desmentiu o que foi colocado por Samper. Claros afirmou que o governo boliviano se encontra em permanente contato com o Brasil, e que há uma reunião de ministros dos dois países marcada para a Bolívia em março, onde tentarão ativar uma Secretaria Técnica do projeto.

Segundo a embaixada, a maior parte da estrutura brasileira já estaria construída. “O projeto é um dos pontos principais da IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul), o que lhe confere maior importância na carteira de projetos do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan)”, disse ele.

Em dezembro passado, os dois países assinaram um memorando de entendimento entre os ministérios de Transportes, Portos e a Aviação Civil do Brasil e o Ministério de Obras Públicas, Serviços e Habitação da Bolívia sobre o projeto ferroviário. A reunião foi em Brasília, na presença dos presidentes Evo Morales e Michel Temer. “O trem interoceânico continua, existe um projeto que está em fase de desenho final, e conta com o apoio de um consórcio formado por Suíça e Alemanha. Não há desacordos nos documentos assinados entre os Estados”, disse o ministro boliviano.

A agência Reuters, no entanto, insiste que o governo brasileiro teria desistido do projeto, devido a seus altos custos e desafios de engenharia considerados “absurdos”.

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