É o que prometem dois empresários canadenses. A Carbicrete desenvolveu carbonato de cálcio através de escória de aço.

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Mehrdad Mahoutian e Chris Stern com um bloco de concreto produzido sem cimento.

Dois empresários do Canadá estão recebendo grande atenção internacional após apresentar uma solução para produzir concreto sem usar cimento. Carbicrete é o nome da sua empresa. Sua solução substitui o cimento Portland tradicional por escória de aço, e o resultado que dizem obter é um concreto que é negativo em emissões de carbono.

O sistema da Carbicrete, segundo seus fundadores, é baseado em misturar escória de aço com dióxido de carbono, e então pôr a mistura sob pressão para ocasionar a reação química. A reação se dá sem uso de fontes de calor, e seu resultado é carbonato de cálcio, molécula encontrada naturalmente no calcário que se usa para produzir o cimento.

De acordo com os fundadores do método, Mehrdad Mahoutian e Chris Stern, um bloco de concreto produzido com cimento tradicional, pesando 18 quilos, tem 2 quilos de CO2. A ideia dos empresários é evitar a incorporação destes dois quilos de CO2 e, além disso, sequestrar 1 quilo de CO2 por bloco produzido. Isto porque a reação entre a escória de aço e o dióxido de carbono consome o CO2, que se torna carbonato de cálcio.

A escória de aço é um subproduto do aço que, tradicionalmente, é usado em várias aplicações, como por exemplo em sub-base de pavimentação rodoviária, entre outras atividades. Por isso, os canadenses afirmam que sairia mais barato produzir concreto com a mistura deste produto: cerca de 20% menos, segundo afirmam. Eles também dizem que seu concreto tem entre 30% e 40% mais resistência à compressão.

Obviamente, a novidade deverá despertar alguma desconfiança. Seria uma quebra nos paradigmas de uma indústria que está estabelecida há cerca de 200 anos e que formatou a maneira moderna de construir.

Mas a Carbicrete tem a seu favor ter chegado a ser finalista (dentre um total de dez empresas) do principal concurso mundial de soluções para emissões de carbono, o Carbon XPRIZE. Duas empresas sairão vencedoras deste concurso, que anunciará os campeões só em 2020. Para vencer, as empresas terão que demonstrar que podem transformar 2 toneladas longas (britânicas) provenientes de uma termoelétrica a gás natural em produtos utilizáveis, por 150 dias ininterruptos.

bloques concreto

Os empresários não informam se seu método se aplica a outros tipos de concreto, além de blocos.

Até o momento, a Carbicrete não tem uma operação comercial escalável. Sua produção de carbonato de cálcio e blocos de concreto sem cimento acontece num porão em Montreal. Os empresários estão em discussões com o governo local para receber um aporte de capital que lhes permita construir uma planta industrial piloto. Contam com estímulos como uma potencial taxação do carbono no Canadá, e políticas de créditos fiscais por captura de carbono nos Estados Unidos, para que seu negócio se viabilize comercialmente.

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