A ameaça de uma Lava Jato na Argentina paira sobre a construção.

Julio De Vido, el ministro que manejó la obra pública durante 12 años y al que todos apuntan.

Julio De Vido, o ministro que administrou as obras públicas por 12 anos e a quem todos acusam.

As anotações do motorista de um secretário do ex-ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido, deram início ao que pode se tornar o maior caso de corrupção no país.

38 indiciados, 15 presos, 10 em processo de acordo com a Justiça e um foragido. Mas a qualquer momento estes números podem mudar, ainda que já mostrem a magnitude do que se vive na Argentina neste momento. Enquanto o Senado discute o foro privilegiado da ex-presidente Cristina Kirchner, a quem ao menos duas testemunhas afirmaram que foram feitos pagamentos ilegais, o governo de Mauricio Macri enfrenta uma situação de consequências imprevisíveis. É inevitável a impressão de que a Argentina está iniciando um processo como a Operação Lava Jato, com todas as consequências para a economia e especialmente para o setor de construção.

Na sexta-feira 10 de agosto, o peso argentino chegou a um novo recorde de desvalorização, empurrado pela crise turca e pelo “efeito cadernos”. Wall Street já acusou recebimento das investigações que tocam empresas importantes como Techint, Isolux Corsán, Electroingeniería, IMPSA e o Grupo Roggio. O efeito já passou da desvalorização da moeda para a desvalorização de ações e títulos.

Cadernos

O caso começou com a investigação jornalística do diário La Nación baseada nos cadernos de Oscar Centeno, motorista de Roberto Baratta, número um do eterno Julio De Vido, ministro do Planejamento e Infraestrutura durante os três mandatos do casal Kirchner, e que está em prisão preventiva desde 2016. Centeno fez um registro preciso das reuniões, malas, pedidos e mais casos. Mas aquilo seria só o começo. Na quarta-feira dia 1 de agosto, o promotor Carlos Stornelli e o juiz Claudio Bonadío já haviam mandado prender 12 pessoas, incluindo Baratta e os empresários Gerardo Ferreyra (Electroingeniería) e Javier Sánchez Caballero, ex-executivo do Grupo Macri e CEO da IECSA, a construtora de Ángelo Calcaterra, primo irmão do presidente Mauricio Macri. A partir de então, a “Lei do Arrependido”, incorporada ao Código Penal argentino há apenas dois anos, começou a ter papel fundamental. O próprio Centeno depôs sob essa nova figura legal, e foi seguido por Sánchez Caballero, Calcaterra e Juan Carlos de Goycoechea (Isolux Corsán), e então Armando Losón (Grupo Albanesi). Com algumas diferenças, todos admitiram ter feito favores fora da lei.

Com o tempo passando, o caso foi crescendo. Luis Betnaza, do grupo Techint, admitiu ter feito pagamentos para aceitar as gestões pela expropriação na Venezuela da empresa SIDOR, e o ex-presidente da Câmara da Construção, Carlos Wagner, descreveu como Arrependido o sistema de pagamentos organizado para ter acesso às licitações públicas e posteriores retornos em forma de realização de obras públicas no país. Gabriel Romero confessou pagamentos para aprovar obras hídricas, Aldo Roggio confessou o mesmo nas áreas de transporte e o financista Clarens deu informações para entender os mecanismos de evasão e lavagem de dinheiro.

A eles se somaram a tímida confissão do ex-Chefe de Gabinete Juan Manuel Abal Medina, e também as do ex-titular do órgão regulador das autoestradas e “embaixador paralelo” na Venezuela, Claudio Uberti, e José López, ex-secretário de Obras Públicas, sob pressão desde que foi flagrado com os bolsos repletos de dinheiro e armas.

Em um contexto recessivo, as notícias não poderiam ser piores. O sistema de PPP que o governo tinha idealizado para substituir o investimento em obras públicas agora corre perigo pela possível estrangulação do financiamento às empresas argentinas. Por outro lado, obras de grande envergadura, como as represas Condor Cliff e La Barrancosa, na Patagônia, que são tocadas pela Electroingeniería e pela chinesa Gezhouba, também estão em compasso de espera. As derivações diplomáticas do escândalo também são um elemento a se considerar.

A depuração moral da Argentina enfrenta uma estreita margem de retorno ao crescimento. Os rumores sobre outros empresários de primeiro nível não param, e as vinculações dos argentinos com a Odebrecht são trazidas ao debate incessantemente. Enquanto os indiciamentos e as delações se acumulam, um manto de suspeita se estende sobre altos funcionários públicos e empresários. A curto prazo, o panorama parece muito complicado. O futuro demanda rigor e transparência de todos.

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