Venezuela paralisada

By Construção Latino-Americana23 March 2018

A suspensão das obras da ferrovia Tinaco-Anaco gerou perdas milionárias. 

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Um grande pasto abandonado cresce onde há anos atrás foram feitos investimentos milionários em infraestrutura ferroviária. Esse é o estado atual das obras deixadas pelo projeto Gran Ferrocarril de los Llanos (trecho Tinaco-Anaco), iniciadas em 2009 e com entrega prevista para 2012. O objetivo desta rede ferroviária de quase 470 quilômetros era interligar quatro estados e 14 municípios por meio de dez estações, que receberiam mais de cinco milhões de passageiros e 9,8 milhões de toneladas métricas de carga ao ano. Aproximadamente 548 trens operariam entre Anaco e Tinaco, a uma velocidade de 220km/h, sendo o primeiro trem de alta velocidade da Venezuela.

O projeto da linha, com um investimento calculado em cerca de US$7,5 bilhões, seria financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Estratégico China-Venezuela, formado em 2008, para reforçar os laços econômicos entre os dois países. Uma das principais empresas à frente da iniciativa seria a China Railway Engineering Corporation (CREC) que, segundo o acordo de Tinaco-Anaco, cederia tecnologia e capacitação de pessoal à Venezuela em troca de barris de petróleo.

Após a assinatura do contrato, várias fábricas especializadas em materiais ferroviários se instalaram na Venezuela para fabricar vagões, solda de trilhos e troca de vias, entre outros. Mas onde já houve dúzias de edifícios modernos, agora se vê animais pastando entre os escombros de infraestruturas corroídas pelo tempo e o vandalismo. A razão da paralisação nunca ficou totalmente clara, mas a CREC chegou a acusar o governo venezuelano de não realizar a alocação de recursos acordada.

Reativação

 

Com exceção do trecho de Anaco, que conta com vigilância da Guarda Nacional Bolivariana, o retrocesso no restante da linha é muito forte, já que algumas peças foram instaladas há mais de oito anos. O estado deplorável das estruturas, causado pela chuva, o sol, a falta de uso e de manutenção, deixa claro como a paralisação gerou perdas de milhões de dólares.

O Ministério do Poder Popular de Indústrias Básicas, Estratégicas e Socialistas (Minppibes) assinou em julho de 2017 um convênio com a CREC Venezuela. Mesmo com detalhes mantidos em segredo, o acordo alimenta esperanças na reativação imediata da ferrovia, tida como uma oportunidade real de desenvolvimento para o país. Estima-se que o retorno da obra poderia gerar novamente 4 mil empregos diretos e 5,4 mil indiretos. É bem provável que essas funções sejam preenchidas pelos mesmos profissionais dispensados no início da paralisação, muitos dos quais não conseguem atuar nas suas áreas, enquanto outros deixaram o país. E, apesar do movimento dos sindicatos, há também um certo ceticismo em relação ao projeto, que demitiu milhares de forma inesperada.

Para combater a paralisação, dirigentes sindicais começaram este ano com um chamado à reativação do projeto com três objetivos: frear a degradação, evitar o vandalismo e combater o desemprego provocado pela paralisação. Mas, até o momento, no entanto, o cenário segue o mesmo.

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