Uma região em construção

05 July 2017

A América Central tem interessante carteira de projetos de infraestrutura em diferentes etapas. Revisamos algumas das principais iniciativas. 

Crescimento sustentado. Após uma alta de 3,8% em 2016, as economias centro-americanas veriam crescimento de 3,9% este ano e de 4,1% em 2018, de acordo com o informe “Perspectivas Econômicas Globais” do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicado em abril.

Segundo o órgão, o Panamá estará à frente da expansão com um crescimento de 5,8% em 2017 e de 6,1% no próximo exercício. Em seguida se coloca a Nicarágua, com crescimento previsto de 4,5% em 2017 e de 4,3% em 2018, e logo atrás a Costa Rica, com uma alta de 4,1% e de 4% respectivamente.

Segundo o FMI, um pouco atrás se situaria a Guatemala, com crescimentos de 3,3% este ano e 3,5% no ano que vem; Honduras, por sua vez, crescerá 3,4% e 3,6% respectivamente; e finalmente El Salvador experimentaria um crescimento de 2,3% em ambos os anos.

A República Dominicana, que é membro do Sistema de Integração Centro-Americana, mas não se inclui geograficamente entre os centro-americanos, verá taxas de expansão de 5,3% e de 5%.

Projetos

Os 15 maiores projetos em análise, desenvolvimento ou construção hoje na América Central pressupõem investimentos de US$ 74,4 bilhões, dos quais o setor portuário abocanha grande parte, com 73,4% do total, número que é marcado fundamentalmente pela previsão de gasto de US$ 50 bilhões na obra do Canal Interoceânico da Nicarágua.

Em termos de países, o maior investimento também fica com a Nicarágua pela mesma razão, e lhe seguem Honduras, com previsão de investimento de US$ 10,4 bilhões numa Ferrovia Interoceânica e no Terminal Portuário de Punta Castilla, e o Panamá, com investimentos previstos de US$ 8,3 bilhões.

Canal Interoceânico

Como mencionado, na lista de projetos se destaca o Canal Interoceânico da Nicarágua, que propõe a construção de uma via entre os oceanos Pacífico e Atlântico, para competir com o Canal do Panamá. O projeto, concedido à empresa chinesa HKND, consiste numa via úmida de 276 quilômetros de comprimento e entre 230 e 280 metros de largura, e inclui a construção de dois portos de águas profundas em ambos os lados do canal, um oleoduto, um canal seco, um aeroporto, dois lagos artificiais, duas eclusas, uma área de livre comércio e complexos turísticos. O custo total do megaprojeto é de cerca de US$ 50 bilhões.

A iniciativa, que poderia gerar 40 mil postos de trabalho e duplicar o PIB per capita da Nicarágua, não está livre de polêmicas, como já ficou provado na grande oposição que encontrou em diversos setores da sociedade. Mas vai adiante. No final de março, a Corte Suprema da Nicarágua rejeitou o último recurso de amparo interposto por um movimento camponês contra a obra do canal.

Ferrovia Interoceânica

Também relacionado com o Canal do Panamá, o segundo projeto de maior importância em termos de recursos econômicos implicados é a Ferrovia Interoceânica de Honduras, e que consiste na construção de dois portos de águas profundas – Punta Castilla, no Atlântico, e Amapala, no Pacífico -, que seriam unidos por dez linhas ferroviárias de 600 quilômetros, que permitiriam o transporte de cerca de 24 mil contêineres. O projeto tem investimentos previstos de cerca de US$ 10 bilhões.

A Comissão para a Promoção da Parceria Público-Privada (Coalianza) afirmou que a construção da ferrovia interoceânica “conseguiria atrair milhares de investidores” que poderiam aproveitar a posição geográfica do país, já que “conta com um lugar privilegiado no mundo”. De fato, desde o anúncio a meados do ano passado, empresas da Itália, Estados Unidos e da Ásia, além de cinco hondurenhas, mostraram interesse na ferrovia.

Metrô do Panamá

O Panamá está renovando completamente seu sistema de transporte público, e com rapidez, principalmente depois da inauguração do primeiro metrô da América Central em sua capital, em abril de 2014.

Atualmente, o país está construindo a sua Linha 2, sistema que circulará por via elevada entre os bairros de San Miguelito e Nuevo Tocumen, e que terá 16 estações e capacidade para movimentar 16 mil passageiros por hora em cada sentido.

A construção está a cargo do Consórcio Linha 2, composto pela espanhola FCC Construcciones e a Construtora Norberto Odebrecht. A participação da brasileira gerou alguns contratempos financeiros para a obra, cujo custo alcançaria US$ 1,85 bilhão, dado que pelos casos de corrupção envolvendo a empreiteira o Citibank se retirou do projeto. Mas apesar disso, em fevereiro o consórcio conseguiu nova fonte de financiamento.

Embora no começo o plano fosse o de finalizar as obras no primeiro trimestre de 2019, uma eventual visita do Papa Francisco ao país em janeiro do mesmo ano pode adiantar o cronograma.

Além disso, ao longo do primeiro trimestre do ano que vem deve começar a construção da Linha 3 do metrô da Cidade do Panamá, projeto que demandaria outros US$ 2,6 bilhões, e que entraria em operação em 2022.

A iniciativa, que se planeja em forma de monotrilho, terá 14 estações e poderá ter demanda de até 20 mil passageiros por hora.

Trem elétrico da Costa Rica

Também na parte de transporte ferroviário, o quarto projeto de destaque na América Central tem a ver com o planejamento de um trem elétrico de transporte de passageiros na Costa Rica, que conectaria a região metropolitana da capital (San José, Alajuela, Heredia y Cartago), reduzindo as horas de viagem, aproximando mais estas cidades e reduzindo as emissões da já ambientalmente correta Costa Rica.

O projeto, que contempla o desenvolvimento de um trem leve e elevado, é qualificado como “complexo” pelo Instituto Costarriquenho de Ferrovias (Incofer), e atualmente se estudam suas possibilidades de financiamento. Uma das pedras no caminho do projeto é o alto custo, orçado em cerca de US$ 1,6 bilhões.

Porto Corozal Oeste

O projeto de porto em Corozal Oeste promovido pela Autoridade do Canal do Panamá (ACP) também está relacionado com a ampliação do Canal. Este novo porto no Pacífico aproveitaria as vantagens de sua localização para atender os novos navios que hoje podem fazer uso do Canal. O novo porto, que seria construído em duas fases, poderá manipular 5,2 milhões de TEU ao ano, quando estiver em operação.

Vale lembrar que em março passado declarou-se deserta a licitação do projeto, dado que nenhuma das empresas pré-qualificadas se apresentou para fazer projeto, construção e desenvolvimento do complexo de US$ 1,35 bilhão.

Quarta ponte do Canal

À época do fechamento desta edição, ainda não havia saído o ato público de licitação da quarta ponte do Canal do Panamá, projeto para o qual apresentaram propostas seis consórcios internacionais: Consórcio Panamá Cuarto Puente; Consórcio Hyundai-Sacyr, Dragados Sucursal Panamá, Consórcio Astaldi-Daelim, Consórcio Cuarto Puente CSCEC-CREC-GLF e Consórcio CCB.

O desenho da iniciativa, que prevê investimentos de cerca de US$ 1 bilhão, contempla seis pistas para veículos (três por mão), de 3,65 metros de largura cada uma, dois acostamentos de 1,7 metro para manutenção e paradas, somado aos espaços previstos para as barreiras laterais, colocação de barreiras de segurança e elementos estruturais da ponte, e uma ferrovia de mão dupla para abrigar a futura Linha 3 do metrô, somando largura total de 51 metros.

Megaobras em Moín

Na província de Limón, na Costa Rica, a localidade de Moín tem duas grandes iniciativas portuárias. Uma delas, atualmente em construção, é o terminal de contêineres que está sendo feito pela APM Terminals, e que começaria a operar no início do ano que vem. O complexo terá capacidade inicial de 1,4 milhão de TEU ao ano, enquanto em 2048, ano final da concessão, o movimento anual ascenderá a 2,5 milhões de TEU.

A outra grande iniciativa em planejamento na localidade de Moín é o Megaterminal de Transferência do Atlântico, projeto que já tem vários anos no papel, mas em 2008 foi declarado como de interesse público pelo governo da Costa Rica. Hoje, a iniciativa proposta pela concessionária America´s Gateway Development Corporation (Amega) parece ganhar novo impulso, e a expectativa é que entre em operação em 2022.

A Amega dispõe de um prazo de um ano, a partir de fevereiro passado, para concluir e entregar os estudos de viabilidade técnica, ambiental e financeira da iniciativa, que demandariam investimentos de US$ 1 bilhão. O megaterminal contaria com ao menos 10 guindastes portuários post-Panamax, 1 km de cais e calado de 19 metros, assim como um canal de acesso de 2,5 quilômetros de comprimento.

Considera-se que ambas as iniciativas não competirão entre si, e seriam complementares, já que a MTA se encarregará de distribuir a carga internacional que provenha de navios de grande porte a diferentes portos da região, enquanto o Terminal de Contêineres de Moín da APM Terminals se concentraria basicamente em atender o serviço local de carga de importação e exportação de produtos.

Porto Isla Margarita

A Panamá Colón Container Port Inc. (PCCP), filial da empresa chinesa Shanghai Gorgeous Investment Development Co. LTD, recebeu a concessão da estatal Autoridade Marítima do Panamá (AMP) para construir o primeiro terminal no país com capacidade para atender navios “neo-Panamax”.

Depois de vários anos parada, a PCCP anunciou que investirá US$ 900 milhões em um megaprojeto cujas obras incluem a construção de um pátio de contêineres com capacidade de manejar até 2,5 milhões de TEU por ano, e que estará equipado com oito guindastes super post-Panamax, dois guindastes Panamax, e contará com quatro docas de 1.200 metros e 16 metros de calado.

Projetos GNL

No município de Acajutla, em El Salvador, a empresa Energía del Pacífico planeja a construção de uma usina de geração de 378 MW de capacidade instalada, um terminal de armazenamento e regasificação de gás liquefeito, tubulações submarinas de GNL (já regaseificado) e uma linha de transmissão de 45 km para injetar energia ao sistema de transmissão nacional na Subestação de Ahuachapán.

O projeto, que envolve investimentos de cerca de US$ 800 milhões, está finalizando sua etapa de desenvolvimento, no qual já se executaram cerca de US$ 20 milhões, e posteriormente começaria a fase de obras, para entrar em operação em 2020.

Outro projeto de GNL é o Costa Norte, no Panamá. O projeto de US$ 900 milhões, que compreende a construção de uma planta de ciclo combinado com capacidade de geração de 380 MW e um terminal de GNL com 180 mil m3 de capacidade, foi licitado no ano passado às empresas Gas Natural Atlántico e Costa Norte LNG Terminal, respectivamente. A construção deste complexo energético, em sua totalidade, estará a cargo da sul-coreana Posco E&C, em contrato modalidade “turnkey”.

Trem urbano da Guatemala

A Guatemala está avaliando a construção de um sistema de trem urbano que percorreria 20,5 quilômetros de norte a sul da capital em 41 minutos, com paradas em 20 estações, localizadas desde Centra Sur, em Villa Nueva, a Centra Norte, nos limites das zonas 17 e 18.

O desenho do projeto esteve a cargo da empresa espanhola IDOM Ingeniería y Consultoría, e devido ao alto custo da iniciativa, que demandaria investimentos de cerca de US$ 770 milhões (valor que envolve também conexões viárias e duas pontes intermodais), se proporia sua realização através de parceria público-privada.

A se cumprirem os passos previstos, o sistema ferroviário urbano pode entrar em funcionamento em 2021, quando poderá atender a 250 mil passageiros por dia.

Aeroporto de El Salvador

Atualmente, o aeroporto internacional de El Salvador, Monseñor Oscar Arnulfo Romero y Gualdámez, tem capacidade para atender cerca de 1,6 milhão de passageiros por ano. No ano passado, mais de 2,9 milhões de pessoas passaram pelo aeroporto, e a previsão de crescimento de tráfego está previsto em 10% anuais.

Com isto em mente, o governo realizou uma série de ampliações no terminal, entre as quais se contam uma nova rampa de estacionamento para até cinco aeronaves na ala leste do aeroporto.

Este ano serão lançadas várias licitações relacionadas com o plano mestre de ampliação (para execução até 2032), que está dividido em quatro fases e implicaria investimentos de US$ 493 milhões. A iniciativa compreende novas salas de espera, portões de embarque, expansão do terminal de embarque, estacionamentos etc. À conclusão, o Monseñor Romero poderá atender 6,6 milhões de passageiros ano.

Punta Castilla

Honduras tem um ambicioso plano de modernização e operação do porto Punta Castilla, que iniciou operações em 1984.

Através do modelo de parceria público-privada, se projeta a construção do cais de cruzeiros e cabotagem, um moderno terminal portuário, a dragagem para receber navios maiores e o equipamento logístico e tecnológico necessário para estas operações. O investimento está calculado em US$ 443 milhões.

Geotérmica

Na Costa Rica, há um investimento forte em energia geotérmica, pelo qual o país recentemente aprovou um acordo com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), para crédito de US$ 554 milhões, que vai desenvolver três unidades: Las Pailas II, Borinquen I e Borinquen II.

O investimento em Las Pailas II, atualmente em construção, chega a US$320 milhões, e a usina terá capacidade de gerar 55 MW. Las Pailas II iniciará sua operação comercial em 2019, e será então a sétima planta geotérmica da Costa Rica. Uma das principais características do projeto é que sua torre de resfriamento será feita de fibra de vidro, em lugar de concreto ou madeira, o que reduzirá o investimento, baixará o custo de manutenção e beneficiará o meio ambiente.

O Instituto Costarriquenho de Eletricidade (ICE) espera começar em 2018 a construção de Borinquen I (que poderia entrar em operação em 2023), e dois anos mais tarde começaria com Borinquen II. Tal como a usina de Las Pailas II, estes dois projetos consideram potência instalada de 55 MW.

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