Uma empresa com história

By Cristián Peters02 August 2017

Com 54 anos de existência, a colombiana Alvarado & Düring tem hoje mais força do que nunca. 

2. obras de protección costera cartagena colombia

Obras de proteção de costa em Cartagena de Índias.

A construtora colombiana Alvarado & Düring registrou nos últimos anos um crescimento exponencial, alcançando em 2016 um exercício recorde, com receita próxima aos US$ 22 milhões, quase triplicando o rendimento de US$ 7,5 milhões de 2015. A meta da empresa é ambiciosa para 2017, esperando ver suas receitas crescerem para US$ 37,5 milhões, o que seria um crescimento de 70% em relação ao ano passado.

Mas para que esta companhia, especialista em fundações e projetos marítimo-portuários, chegasse a essa posição, não foi obra de um dia. É toda uma história que vem sendo construída há décadas pela Alvarado & Düring.

História

O já falecido engenheiro Jorge Alvarado fundou a companhia em 1963, junto com sua esposa, quando as tecnologias e primeiros equipamentos de construção acabavam de chegar à Colômbia. Alvarado foi, na verdade, o responsável pelas primeiras importações de tratores de esteira Caterpillar para o país, para obras do governo.

Segundo o engenheiro Luis Alberto Chaves, presidente corporativo da Alvarado & Düring, foi esta mentalidade pioneira a responsável pela própria abertura da empresa, apostando em soluções inovadoras e vanguardistas. “Enquanto ele esteve no comando da companhia, ganhamos três prêmios de engenharia no país, graças ao engenho que ele colocava nos projetos. Com uma engenharia muito minuciosa, detalhada e inteligente. Nos sentimos muito orgulhosos desta origem, e da cultura que deixou”, define o executivo.

Desde seu princípio, a construtora mostrou seu interesse por serviços marítimos, que até então na Colômbia eram executados por estrangeiros. De fato, o primeiro serviço realizado pela companhia foi merecedor do Prêmio Nacional de Engenharia: a construção da Doca de Manauare, em 1968. O projeto incluía, entre outras coisas, um viaduto sobre estacas, uma plataforma e estação de bombeamento marítimo (100 metros mar adentro), além de um atracadouro 520 metros dentro do mar, com comunicação por viaduto.

O segundo Prêmio Nacional de Engenharia não teve relação com serviços marítimos. Em 1974, a Alvarado & Düring foi premiada pela construção do complexo esportivo El Campín, em Bogotá. Um ponto a se destacar foi a utilização de helicópteros para a instalação de alguns elementos da estrutura, o que até aquela época era considerado impensável na Colômbia.

O terceiro prêmio, recebido em 2002, correspondeu à construção da Ponte Estaiada de Envigado, no departamento de Antioquia, que se destaca por um mastro de 50 metros de altura.

Segundo comenta Chaves, estes prêmios demonstram a especialização da empresa no nicho de inovações em engenharia. “Onde todo mundo está não somos muito competitivos, tentamos participar em obras que requeiram desafios maiores, onde possamos nos destacar e ser realmente competitivos”. Assim, por exemplo, a Alvarado & Düring também foi pioneira na aplicação de balanço sucessivo em seu país.

Divisões de negócios

Além da dedicada especialização da empresa, outro aspecto que permitiu seu crescimento foi o desenvolvimento de novas áreas de negócios. Chaves explica que há sete anos criou-se a divisão de Consultoria (projeto, engenharia portuária e gerência de projetos e interventoria), e em 2015 abriu-se a divisão de Fundações (cimentações, contenções, estabilização de taludes e outras atividades).

“Recentemente, em 2016, decidimos aplicar uma estratégia em que as três unidades (as citadas e a de Construção) buscassem sinergias para oferecer soluções completas. Somos pequenos, somos de nicho, mas isso é algo que nos diferencia. É muito difícil encontrar uma empresa de construção que faça consultoria e cimentações, porque são conhecimentos e perfis distintos”, afirma o engenheiro. Esta união de serviços integrais é comunicada ao mercado pelo slogan da companhia: Somos Muito Mais.

A empresa tem planos ambiciosos e busca se posicionar como o grupo empresarial mais reconhecido da Colômbia (e outros países da região), ao prestar serviços integrais de consultoria, cimentações e construção para o setor portuário e outros setores de infraestrutura especializada. A meta é para 2025.

Internacionalização

O caminho da Alvarado & Düring também tem um capítulo de abertura de mercados no exterior. Seu primeiro trabalho internacional foi na fronteira da Colômbia com o Equador, em 1995, na construção da Ponte Internacional San Miguel.

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Construção de obras civis marítimas de um terminal de regasificação na Colômbia.

Mas sua grande frente internacional está no Panamá, onde já se contam 15 anos de presença. E graças à recente ampliação do Canal do Panamá, o sistema portuário está crescendo bem, de maneira que os planos são de continuar se reforçando naquele mercado. Apesar disso, María Camila Zapata, coordenadora de desenvolvimento de negócios, adverte que mesmo que a intenção seja se fortalecer no Panamá (de onde provêm cerca de 25% de suas receitas), a companhia percebe o mercado panamenho como algo instável e pretende abrir novas frentes.

“Pensamos inicialmente nos Estados Unidos, Costa Rica, Peru e República Dominicana. Fizemos uma análise de risco e percebemos que não se estavam desenvolvendo muitos projetos portuários. Onde havia era no Peru. Há muitas iniciativas privadas, principalmente de mineradoras que estão levando à frente vários projetos. Nossa primeira proposta foi para a Southern Copper. A partir daí fizemos muitas visitas e nos aproximamos de grandes construtoras, o que nos permitiu perceber que o tema portuário é algo incipiente e não há grandes especializações, e por isso vemos um espaço interessante”, comenta.

Embora não estejam presentes no país andino, já se realizaram algumas propostas de consultoria e construção. “Estamos muito ativos. De fato, estamos terminando as tramitações para o Registro Nacional de Proponentes, para assim podermos participar de licitações”, detalha Zapata.

Além disso, a empresa também está com outros países da região na mira. “Fizemos avaliações em Honduras e na Argentina – onde há impressionantes oportunidades portuárias e estamos tramitando a inscrição como firma estrangeira”, finaliza a executiva.

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