Tendências em locação

By Cristián Peters20 February 2017

Gecolsa

Gecolsa

O mercado de locação de máquinas de construção enfrentou um 2016 bastante complexo, fruto da alta disponibilidade de equipamentos e as baixas nos setores de petróleo, mineração e infraestrutura da América Latina. Apesar disso, a própria instabilidade pode trazer oportunidades para o setor. Ao menos assim pensa Jean Vogt, gerente comercial da chilena Trek Rental, que diz que mesmo que soe incongruente, “devido à incapacidade das empresas em realizar compras de equipamentos, pela instabilidade, tiveram que recorrer à locação das unidades necessárias”.

Mas apesar deste otimismo, a queda na atividade e a alta competição do setor tiveram efeitos nos preços de locação. De acordo com Pablo Lam, CEO da também chilena SK Rental Group, “as tarifas em alguns tipos de máquina, em especial de construção, baixaram muito pela sobre oferta de equipamentos tanto entre as locadoras como entre os próprios clientes”. Por exemplo, o valor da locação de uma retroescavadeira entre 2015 e 2016 teria caído cerca de 10%, segundo o executivo.

Por sua vez, o gerente de rental da colombiana Gecolsa, Mauricio Ramírez, afirmou que “as tarifas de locação têm permanecido estáveis em moeda local, o que em dólares se traduz em uma redução de 40% se comparado com os níveis que elas tinham no segundo semestre de 2014. Nós locadores continuamos esperando um aumento nas tarifas do mercado, impulsionada pelo melhor valor dos equipamentos novos e a alta inflação no país, que para 2015 foi de 6,77% e que deve ficar em 7% em 2016. Mas isto só acontecerá quando crescer a demanda por equipamentos em locação”.

Modelos tarifários

É necessário que o mercado latino-americano de locação se modernize e comece a estudar novas ferramentas para dinamizar, fortalecer e fazer amadurecer a indústria. Porém, a implementação de novas tecnologias e mudanças de paradigma são sempre aspectos aos quais a nossa região se mostra cética e refratária.  

Um dos modelos mencionados pelos especialistas é o da tarifa dinâmica (preço que varia de acordo com a oferta-procura em tempo real), o que no entendimento de Ramírez é uma boa opção, embora advirta que só vale a pena se uma maioria de locadoras a implemente. “Nós não usamos, e faria sentido em locações curtas. Em locações de maior tempo como os que se fazem na Colômbia (três meses ou mais) não faz tanto sentido; neste tipo de contrato o cliente sempre busca opções e se a concorrência não usa o sistema de tarifas dinâmicas, automaticamente você fica de fora”.

Lam comenta que a SK Rental não utiliza o sistema atualmente, mas confessa que “estamos estudando diferentes opções de administração de preços que protejam a sustentabilidade da indústria do rental”.

Um tema que está em debate na sua empresa, de acordo com o executivo, é a implementação de plataformas ou aplicativos móveis. “O uso destas tecnologias será cada dia mais importante”, assegura.

Ramírez acrescenta que “conhecemos as iniciativas que estão promovendo em outros mercados, como o Yardclub – que permite pedir e gerir equipamento de locação em qualquer momento e a partir de qualquer dispositivo), e Getable – plataforma e aplicativo móvel que alivia as limitações da gestão de máquinas com uma solução de fluxo de trabalho principal – e acreditamos que têm o potencial de mudar o mercado. Num mercado como o nosso, dariam muito mais transparência aos preços de locação e às tendências do mercado, o que seria bom para todos os envolvidos (clientes e locadoras). No final das contas, os clientes querem menores tarifas e maior disponibilidade; e as locadoras querem maior retorno de seus equipamentos. Isso pode ser conseguido se as frotas forem otimizadas, e para isso é necessário ter informação de qualidade, como a que um aplicativo pode prover”.

As novas tecnologias não devem estar orientadas apenas a gerar uma locação mais simples, devem ir além, no sentido de aumentar a produtividade dos equipamentos otimizando a operação dos clientes. “O monitoramento remoto e a maior automação dos equipamentos são também temas que vão mudar a indústria”, afirma Lam.

“Sistemas de pesagem em carregadeiras e escavadeiras, sistemas de guia (laser, GPS, UTS) para movimentação de terra e asfaltamento, medição de produtividade por meio de TI e planejamento com ajuda de drones. Todas estas aplicações já estão em uso e esperamos que a demanda disto por parte dos clientes aumente”, comenta Ramírez.

Jean Vogt fala dos sistemas digitais de gestão tipo ERP (Enterprise Resource Planning), e os avalia negativamente: “revisei pessoalmente vários, ficando bastante decepcionado, devido ao excesso de informação de pouca utilidade. Todos têm algo de bom, falta quem reúna tudo em um”.

Prazos

Assim como as tarifas às vezes podem tornar mais complexa uma operação de locação de máquinas, a própria situação econômica geral conduz a que empresas peçam mais prazos para pagar, ou simplesmente atrasem os pagamentos devidos. Lam diz que isto tem um impacto direto na empresa, pois “o fluxo de caixa é fundamental numa empresa de locação”.

Vogt, que abre a informação de que em média sua empresa recebe por um contrato em 60 a 70 dias, comenta que felizmente a Trek Rental conta com boa liquidez, mas tem certeza de que “para empresas menores do que a nossa isso é altamente prejudicial, ocorrendo inclusive o fechamento de algumas delas, já que alguns prazos passam demais da média indicada”.

Ramírez, da Gecolsa, afirma que “a carteira é um tema crítico para nós, e constantemente nos encontramos na situação em que a nossa está vencida em alta porcentagem. Esse comportamento costuma estar relacionado com os projetos de infraestrutura. É uma área em que temos ainda muito trabalho a fazer como indústria de locação na Colômbia”.

Quebrando paradigmas

Uma empresa que se atreveu a inovar num contexto de mercado essencialmente conservador foi a chilena Maquinarias Online, que através de seu site www.maquinariasonline.com quer se posicionar como solução para a indústria do rental conectando a oferta com a demanda. “O conceito é muito similar ao que estão fazendo empresas mundiais como o Uber e o AirBnb, que fazem uso da tecnologia para juntar clientes e provedores de serviço”, afirma Miguel Ángel González, gerente geral.

Analisando o mercado chileno de locação de máquinas, a Maquinas Online detectou uma deficiência: a dificuldade para que usuários e prestadores de serviço se conheçam. Eduardo Elgueta, gerente de tecnologias e operações, cometa que durante a pesquisa de mercado foi percebida uma grande dicotomia: “acontece muito que o pessoal que procura máquina usa muito a internet, porém aqueles que a oferecem estão off-line, publicam em jornais ou têm força de venda que sempre lida com os mesmos clientes e diminuem o mercado. Isso poderia ser muito mais amplo”.

Qual o grande argumento por trás desta aposta? O conceito de shared economy (economia compartilhada). “Uma empresa pode ter um ativo fixo, caro, e tem que amortizá-lo. Quando não o está usando para seu trabalho, a empresa tem a opção de alugá-lo a quem tenha necessidade de tal ativo, e assim aumentar seus lucros através da utilização de suas máquinas nos tempos vagos”, afirma González.

Elgueta diz também que “é curioso que nesta indústria se aplique pouco o conceito de economia compartilhada, especialmente porque ela é muito feita para isso. Estes ativos industriais, com sorte, chegam a 60% de utilização, ou seja, há um grande tempo ocioso que vai para o lixo sem produzir”.

A empresa atualmente opera através de seu site na internet, que pode ser visualizado tanto em computadores como nos dispositivos móveis, mas os executivos adiantam que já estão preparando aplicativos feitos especificamente para telefones celulares. Isto é uma necessidade, segundo eles, porque cerca de 60% das visitas recebidas pelo site provêm de plataformas móveis, o que também comprova, segundo González, “que os usuários estão três passos à frente do mercado”.

Os números são todos favoráveis para a Maquinarias Online: em seis meses receberam mais de 15 mil visitas ao site, já contam com 300 usuários inscritos e 20 empresas mantendo ofertas de 150 máquinas. Toda semana acontecem cerca de oito pedidos de locação.

E as perspectivas de crescimento são ambiciosas. González comenta que a intenção é contar com mais de 1 mil máquinas cadastradas este ano no Chile, e abrir operações no Brasil, Colômbia e/ou Peru.

“Definitivamente é uma necessidade que existe, e os recursos tecnológicos estão disponíveis. Há uma carência e esse gap a gente quer preencher”, diz. 

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