Potencializando a infraestrutura

By Cristián Peters03 June 2011

Potenciando su infraestructura

Potenciando su infraestructura

Historicamente, a indústria da construção na Bolívia teve um comportamento similar ao resto da economia nacional, apesar de estar sempre acompanhando os crescimentos e contrações do país. No terceiro trimestre de 2010, por exemplo, a taxa de crescimento do PIB nacional foi de 3,77% e o da construção 8,55% com relação ao mesmo período do ano anterior. O PIB da construção manteve as taxas de crescimento positivas desde 2004, com uma média anual de 8,5%.

O forte desenvolvimento está acontecendo tanto a partir da área pública, que nos últimos dez anos investiu uma média anual de 600 milhões de dólares (representando cerca de 58% do total do investimento público, como a partir da área privada, que atualmente conta com financiamentos do sistema bancário e não bancário por mais de 850 milhões de dólares.

Conforme explica o informe Balance 2010 e perspectivas da Construção na Bolívia, disponível no site da Câmara Boliviana da Construção, "a partir de 2004 os montantes de investimento público apresentaram somente taxas positivas de crescimento, alcançando em 2010 pouco menos de 2,2 bilhões de dólares, cifra que representa um incremento de 51% em comparação ao orçamento de 2009". É importante destacar que a principal fonte de financiamento para estes gastos, a partir de 2006, corresponde a recursos internos do próprio país. Em 2010, esses valores representaram 62% dos investimentos, enquanto 38% restante foi coberto por recursos externos, compostos de créditos e doações.

Os investimentos em construção se destinam principalmente à infraestrutura, sendo o transporte e a construção, melhoramento e manutenção de vias, as áreas de maior incidência, alcançando aproximadamente 65% do valor.

Por sua vez, o setor privado, até março de 2010, contava com um financiamento concedido pelo sistema financeiro por um total de 6 bilhões de bolivianos (pouco mais de 855 milhões de dólares), composto por 3,8 bilhões de bolivianos do sistema bancário (cerca de 540 milhões de dólares) e o saldo de 2,2 bilhões de bolivianos (aproximadamente 315 milhões de dólares) do sistema não bancário (integrado por cooperativas, diversos fundos, etc.). O dinheiro destinado à indústria representa 20,3% e 21,3% do total financiado, respectivamente, por esses sistemas.

O financiamento concedido pelo sistema financeiro bancário e não bancário à construção, de 2004 a março de 2010, mostra um incremento com relação a 2008.

Outro fator relevante que deve ser levado em consideração são as autorizações de construção, que mostram uma forte concentração nas cidades capitais do eixo trocal do país: La Paz, Cochabamba y Santa Cruz de la Sierra), representando 80% do total.

Empresas construtoras

Cada vez mais companhias que se involucram com este setor, inclusive, entre 2009 e 2010 se viu um aumento de quase 49,5%. Das 53.836 empresas que compõem a base empresarial na Bolívia, registradas na Fundempresa até novembro de 2010, existem 8.747 (16,2%) que se dedicam à construção.

Em meados de abril, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a criação de uma empresa estatal de construção e pediu as empresas construtoras do país que se unam para poder participar em projetos de grande envergadura. "Os empresários bolivianos da construção devem se organizar para assumir obras e contribuir à integração viária nacional (...). Além disso, o Estado deve começar a se planificar também para contar com uma importante empresa construtora que seja responsável pelos grandes projetos", informou.

O presidente garantiu que já existem empresas interessadas nas obras que serão executadas pelo governo nos próximos anos. Entre elas estão grandes construtoras brasileiras, colombianas e até europeias. Mas explicou que o objetivo é que os empresários nacionais do setor se organizem e assumam as obras.

Consumo de cimento

Certificando estes indicadores positivos, é importante destacar o crescimento sustentável que teve o consumo do cimento na Bolívia entre 2003 e 2009, registrando uma taxa média de 12,4%. De acordo com os dados do Instituto Boliviano de Cimento e Concreto (IBCH), a produção nacional do cimento na gestão anterior alcançou 2.414.382 toneladas métricas (TM).

Vale a pena lembrar que, durante o ano passado, a Bolívia passou por um forte desabastecimento desse produto que, inclusive, obrigou ao país a importar cerca de 8.275 TM de cimento e mais de 127.508 TM de clinker. Com base nessas cifras, a porcentagem prevista de crescimento na importação de cimento e clinker para este ano será de 47%.

Segundo o IBCH, durante 2010, a empresa Soboce elaborou 50,28% (1.213.969 TM) da produção total nacional; seguida pela Fancesa, com 27,29% (658.895 TM); a Coboce, com 17,09% (412.818 TM) e a Itacamba, com 5,33% (128.700 TM).

A grande demanda significou que todas as empresas do setor mostraram uma tendência ascendente, não só em produção como também em vendas, as quais somaram, entre janeiro e dezembro de 2010, um total de 2.429.394 TM, sendo Santa Cruz o principal mercado (30,5%), destaca a instituição.

É importante lembrar que desde janeiro, a Soboce aumentou a produção de cimento de 40 mil bolsas a 50 mil por dia, enquanto que a Fancesa está gestando a construção de uma nova fábrica de cimento na jazida de pedra caliça Maragua (localizado na província de Oropeza, a 40 km de Sucre). A instalação vai produzir 3 mil toneladas por dia de cimento e custará entre 160 milhões e 200 milhões de dólares.

Costos

O Índice do Custo da Construção (ICC), que mede a variação de preços de um período a outro referente aos insumos que compõem o custo da construção, mostra que, de junho de 2002 a setembro de 2008 houve um acréscimo com um pico importante neste último período, marcado por um aumento nos preços do aço e derivados do petróleo. A partir de então, os preços apresentaram uma queda durante um ano, para voltar a iniciar outro aumento gradativo.

De todos os insumos, a mão de obra foi a que sofreu mais aumentos nos custos.

O ICC não considera o cimento asfáltico como material fundamental na construção de estradas, o que limita sua representatividade principalmente nesse tipo de obras.

Perspectivas 2011

O contexto externo da América Latina e o Caribe, durante 2010, deixou em evidência sintomas de uma incipiente recuperação econômica global, mas continuou marcado pelas turbulências derivadas da crise financeira mundial de 2008. Após a contração de 2009 e a recuperação de 2010, as estimativas na região mostram um crescimento durante 2011, mesmo que a uma taxa mais baixa.

Em 2011, segundo o Orçamento Geral do Estado, existe um montante de investimento público de 2,2 bilhões de dólares, o que representa 11% acima do valor desembolsado no ano anterior.

O setor da construção é muito sensível com relação ao contexto econômico, social e político do país e às ações do poder público, sendo que depende deste último como gerador de condições e como um dos seus principais clientes.

Da mesma forma, o setor tem se manifestado sensível com relação a alguns aspectos do contexto internacional, por exemplo a variação de preços de insumos para a construção que são importados no país, como é o caso do aço, asfalto e outros derivados. Portanto, o desempenho setorial nacional é dependente das condições existentes a nível nacional e internacional.

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