Ponte Chacao: atravessando mares

By Clarise Ardúz02 November 2012

Taizhou bridge

Taizhou bridge

Agora sim. Tudo indica que o projeto da Ponte Chacao, ideia que foi proposta durante o governo do ex-presidente Eduardo Frei Ruiz Tagle (1994-2000), sairá do papel. Há alguns meses, o governo chileno deu início às negociações para conseguir interessados na construção desta grande obra, que tem como objetivo unir a ilha de Chiloé com o continente, no sul do país.

“É o maior projeto em desenho e construção que está sendo realizado sob a modalidade de contratação tradicional através da Direção Viária do Ministério de Obras Públicas”, conta a engenheira civil Maria Luisa Garrido, coordenadora geral da comissão encarregada pelo projeto do Ministério de Obras Públicas (MOP) do Chile.

A profissional -que acompanhou em agosto deste ano ao ministro de Obras Públicas, Laurence Golborne, em sua viagem pela Ásia para promover o projeto entre empresas de outros países, explica que o empreendimento está composto pelo desenho e construção de uma ponte suspensa de aproximadamente 2,6 km de comprimento, com grandes vãos sobre o Canal de Chacao. Com essas dimensões, a estrutura será considerada uma das 20 maiores pontes suspensas do mundo.

Apesar de que o projeto já tinha sido rejeitado pelo governo anterior devido ao alto custo e sua relativa baixa rentabilidade social, a atual administração, para resolver essa situação, estabeleceu que o custo não poderia passar de US$740 milhões. “Desse valor, US$700 milhões, serão destinados para o projeto e a construção da Ponte Chacao. O resto do orçamento corresponde aos acessos viários Norte e Sul, para interligar a estrutura com a rodovia Ruta 5 e à assessoria e inspeção fiscal do contrato de projeto e construção da ponte, entre outros”, acrescenta Garrido.

Apesar de que já existe um projeto preliminar da ponte, as características técnicas serão conhecidas assim que a licitação for designada, o que está previsto para o primeiro trimestre de 2014. A engenheira informa que as características de base são as seguintes: “a ponte deve ser do tipo suspensa, deverá cumprir com as exigências do Sistema de Controle de Qualidade do MOP, também com as regras que indica o Manual de Rodovias do MOP e as normas chilenas de qualidade correspondentes”.

O desenho do projeto licitado em 2005 consiste em uma estrutura do tipo suspensa com uma extensão de aproximadamente de 2,6 km, com dois vãos principais -de 1.100 e 1.055 metros-, com uma plataforma de uma largura total de 21,6 metros que permitia quatro pistas de circulação - duas por sentido-, com uma altura da estrutura metálica de 2,8 metros no eixo e com dutos para serviços de água potável, energia, comunicações entre outros serviços”, comenta Garrido.

Benefícios

Por mais que o custo-benefício do projeto cause algumas dúvidas, o que está em jogo são os benefícios que trará para os habitantes da ilha de Chiloé que hoje estão parcialmente isolados, comunicando-se com o continente através de escassos ferrys. Segundo a engenheira, “o benefício principal do projeto é a economia de tempo para os habitantes da ilha de Chiloé, assim como das pessoas que por diversos motivos devem se locomover entre o continente e a ilha”.

Também haverá benefícios sociais adicionais, como a economia de custos de combustível, de operação e de manutenção ante o atual sistema de transporte.

Com relação a outros benefícios que surgirão a partir da construção da ponte, Garrido garante que também podem ser levados em consideração “o aumento do PIB local, efeitos de demanda induzida pela existência da ponte e aumento do turismo, melhorias à condição de isolamento com todos os aspectos positivos na qualidade de vida que acarreta, além do melhoramento da imagem do país pelo desenvolvimento dessa obra de infraestrutura única na América Latina”.

Ações e avanços

O governo do Chile realizou diversas ações de difusão para poder encontrar propostas que encaixam com o orçamento, como, por exemplo, a viagem pela China e Coreia do Sul, em agosto, onde as autoridades puderam conhecer estruturas de pontes parecidas ao que será a da Ponte Chacao, além de diversos encontros para promover o projeto com embaixadores, adidos comerciais e câmara de comércio de diversos países.

E, obviamente, tanto esforço, não poderia terminar sem um bom final. “Teve início a primeira fase do processo de licitação internacional, a pré-classificação”, informa a coordenadora do projeto. Segundo Garrido, “pode-se concluir que existe grande interesse internacional e nacional para participar desta obra que é emblemática para o Chile, a qual constitui um grande desafio para o país com relação ao projeto e sua construção, tornando-se a primeira ponte suspensa com vãos maiores que mil metros no Chile e na América Latina”.

Podem optar à pré-classificação as empresas, pessoas naturais ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, individuais ou em consórcio, que cumpram com a experiência e capacidade econômica exigida.

“Até o momento mais de 35 empresas compraram bases para a pré-classificação. São empresas da Alemanha, Brasil, Chile, China, Coreia, Espanha, Estados Unidos, Itália e Suíça, entre outros”, afirma Garrido.

Experiência asiática

De 13 a 17 de agosto deste ano, foi feita uma visita técnica à China e Coreia do Sul, por parte de autoridades chilenas, que teve como objetivo avaliar alternativas inovadoras para a construção da ponte sobre o Canal de Chacao, na região conhecida como Los Lagos. Além disso, a viagem permitiu estreitar laços com autoridades e empresários de ambos os países para ampliar as possibilidades de oferta para a licitação do projeto.

Durante a viagem à Ásia –onde foram visitadas quatro pontes chinesas e duas coreanas- o ministro de Obras Públicas, Laurence Golborne, esteve acompanhado de uma delegação oficial composta por parlamentares e autoridades da região de Los Lagos, além de uma delegação de 16 empresas.

Entre as pontes visitadas, a mais similar ao projeto da Ponte Chacao foi a ponte chinesa Taizhou, que cruza o rio Yangtze, na província de Jiangsu. Essa é a 19ª ponte mais comprida do mundo, com 9.726 metros. Seu vão principal tem 1.080 metros e suas torres medem 178, 194 e 178 metros.

Cronograma do projeto:

  • Início Pré-classificação: Agosto de 2012
  • Convite à Licitação: 1º trimestre de 2013
  • Recebimento de propostas: 9 meses depois do chamado à licitação
  • Adjudicação: 1º trimestre de 2014
  • Início das obras: 2015
  • Entrada em funcionamento: 2019 (estimado)

História

A ideia da construção da Ponte Chacao surgiu em 1999, durante o governo do ex-presidente Eduardo Frei Ruiz Tagle, que sugeriu o desenvolvimento do projeto. Foi feita uma licitação, que terminou sendo adiada em dezembro desse mesmo ano por falta de pesquisa.

Em 2004, um consórcio internacional foi nomeado o responsável da pesquisa e concretização de uma ponte de quatro pistas e 21,6 metros de largura. Em 2006, o governo determinou a extinção da concessão e não deu continuidade ao projeto, devido ao alto custo de construção do mesmo (US$ 950 milhões).

Foi durante o atual governo que o projeto voltou a ser analisado e, em abril de 2012, começaram os avanços na avaliação da ponte. E foi em maio que o presidente Sebastián Piñera pediu ao ministro Golborne que fosse feita uma licitação para essa obra, com o objetivo de acrescentar mais benefícios à conectividade no sul do país.

Construção cresceu 10,9% em julho

A construção em geral, no Chile, continua demonstrando um bom desempenho com taxas de crescimento anual de dois dígitos e, segundo o último Índice Mensal da Atividade da Construção (Imacon) divulgado pela Câmara Chilena da Construção (CChC), o indicador aumentou 10,9% em julho com relação ao mesmo mês de 2011, ultrapassando em 0,2% o resultado registrado em junho passado.

Segundo a Câmara, as expectativas dos empresários sobre o desempenho do setor permanecem otimistas, apesar dos sinais de moderação.

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