Os maiores projetos mineradores

By Cristián Peters02 August 2016

Una veintena de proyectos demandan recursos por US$81.200 millones

Una veintena de proyectos demandan recursos por US$81.200 millones

Sustentando-se. Apesar da queda dos preços das matérias primas, e o fim do super ciclo dos metais, a América Latina continua mantendo sua importância como um dos principais atores na indústria de mineração mundial. Com alguns projetos paralisados, seja por razões sociais ou econômicas, a carteira de projetos de extração, apesar de haver caído drasticamente em alguns países, permanece forte.

É que ainda que os preços atuais não sejam os mais desejáveis, os países da região têm posições importantes a cuidar. O Chile, por exemplo, é o principal produtor de cobre do mundo, enquanto o Peru está em terceiro lugar nessa posição. No caso do ouro, Peru, México e Brasil estão entre as Big Ten, enquanto que a prata está liderada pelo México, seguido imediatamente pelo Peru, e logo em seguida Chile e Bolívia que também se encontram dentro das primeiras dez posições. O molibdênio tem Chile, Peru e México em terceiro, quarto e quinto lugares, respectivamente, enquanto que o ferro foi consolidado pelo Brasil como o terceiro produtor do mundo, e deverá continuar crescendo.

Em que pese a queda que as matérias primas vêm enfrentando, e o fim do super ciclo dos metais, levando em consideração que apenas vinte projetos entre os principais da região contabilizam investimentos de US$81,2 bilhões, os quais agregariam mais de 4 milhões de toneladas de cobre à produção anual, além de 53 mil toneladas de molibdênio, 2 milhões de onças de ouro e mais de 31 milhões de onças de prata.

Argentina crescendo

Segundo as cifras anunciadas recentemente pela Câmara Argentina de Empresários da Mineração (CAEM), as mineradoras do país prometeram investimentos de cerca de US$20 bilhões nos próximos cinco anos, levando em consideração não somente os desembolsos que surgirão dos projetos já existentes, mas dos novos projetos que deveriam ser desenvolvidos.

Esse impulso ao setor minerador tem relação com o novo governo do país, agora comandado por Mauricio Macri. “Estes US$20 bilhões não aparecem no nada, eles vêm de um minucioso estudo do potencial mineiro em carteira que valoriza graças a melhoria na competitividade, e gerou as mudanças nos esquemas de impostos”, disse Marcelo Álvarez, presidente da CAEM.

Segundo o órgão, os maiores investimentos se concentrarão entre 2018 e 2020, com US$14,5 bilhões para a construção dos projetos El Pachón da suíça Glencore, Taca-Taca (cobre, molibdênio e ouro) da First Quantum, Agua Rica (cobre, ouro, prata e molibdênio) da Yamana Gold e Los Azules (principalmente cobre) da McEwen Mining, as três últimas de origem canadense.

O projeto Los Azules, que está sendo executado na província de San Juan, é especialmente interessante. A iniciativa demanda recursos de cerca de US$3,9 bilhões, projeta uma vida útil de 35 anos e espera uma produção média de 169 mil toneladas anuais de cobre.

Cabe destacar que a jazida vem desenvolvendo um plano de redução de gastos para converter-se na mina de cobre com menor custo do mundo, e desta forma conseguir competir em escala global.

O montante de investimento do projeto El Pachón é o que vem em seguida, controlado pela Glencore. A jazida espera uma produção média de 4 mil toneladas anuais de cobre durante os primeiros cinco anos.

O total de recursos minerais do El Pachón, cuja produção começará em 2018, é de 3 bilhões de toneladas, com um grau de cobre de 0,47%, a um grau de corte de 0,2% de cobre, além de molibdênio e prata como subprodutos.

Brasil: o gigante do ferro

O Brasil é um dos principais atuantes do mercado de ferro do mundo, e atualmente está construindo o que deve se tornar a maior mina deste metal: a Carajás S11D. Pertencente à brasileira Vale S.A., este megaprojeto, contempla investimentos de mais de US$19,6 bilhões para o desenvolvimento da mina e a construção de uma planta de processo que terá três módulos com uma capacidade unitária de 30 milhões de tpa, totalizando assim uma produção de 90 milhões de toneladas de ferro por ano quando estiver em plena produção, o que deve acontecer em 2018.

O projeto tem reservas provadas e prováveis de cerca de 10 bilhões de toneladas, com um grau de 66,7% e uma vida útil de 50 anos.

A Carajás S11D contempla interessantes inovações em sua operação, com um novo modelo de processamento que inclui um baixíssimo consumo de água, além de eliminar o uso de caminhões na extração, o que geraria uma redução das emissões de CO2.

Outro fator interessante na iniciativa é que a maioria destes investimentos serão destinados à infraestrutura logística, entre as quais se conta uma ferrovia de 104 quilômetros, placas giratórias de ferrovia, um novo cais no terminal Ponta Madeira e equipamentos portuários de carga.

Chile dependente do cobre

Sendo o principal produtor de cobre do mundo, com cerca de 30% da produção total, o Chile experimentou com uma ênfase especial o impacto da queda nos preços do metal vermelho, o que obviamente repercutiu nas decisões de investimento das companhias. Um reflexo disto pode ser observado na carteira de projetos mineradores elaborada pela Comissão Chilena do Cobre (Cochilco) para o período de 2016-2025, cujo montante apresenta um forte descenso comparado com listas anteriores.

A carteira de investimentos para o período 2015-2024 anteriormente era de US$77,2 bilhões com 42 projetos. Porém, para o período 2016-2024 esse montante caiu cerca de 34,8%, tendo previstoUS$50,4 bilhões, com 35 projetos. O impacto é mais dramático quando é comparado com a carteira 2014-2023, quando se listavam iniciativas de US$104 bilhões.

Como já mencionamos anteriormente, o principal fator para explicar esse profundo retrocesso é o valor da matéria prima, o que, somado ao aumento dos custos dos insumos críticos, especialmente o da eletricidade e do recurso hídrico, levou as mineradoras a esperarem melhores preços para executar seus projetos e reavaliar sua estratégia ante a esse cenário mais complexo.

Mesmo tendo em conta que os investimentos e o número de projetos tenham caído, devemos colocar panos quentes na situação e lembrar que durante 2015 quatro projetos entraram em operação (Antucoya, da Antofagasta Minerals; Romeral Fase V, da CAP Minería; a ampliação da Minera Valle Central, da Amerigo Resources, e a planta da Minera Escondida OGP1), que significaram US$6,5 bilhões em investimentos.

Por outro lado, projetos como Pascua Lama, da Barrick Gold, a Nova Andina Fase II da Codelco, e El Abra MILL, da Freeport McMoRan em parceria com a Codelco, y Relincho lamentavelmente foram paralisados por diversos motivos.

A situação para a estatal chilena Codelco pode vir a ser preocupante, pois por meio de seu projeto na Andina, planejava desembolsos de cerca de US$6,5 bilhões e aumentar sua produção em quase 160%, alcançando as 244 mil tpd até 2023. A postergação dessa iniciativa obriga a principal empresa do país a buscar alternativas para manter sua produção, ante o iminente esgotamento de alguns recursos e suas jazidas.

Dentro de outros projetos chilenos a serem destacados está o Quebrada Blanca Hipógeno, do qual a Teck Resources Limited detém 76,5% e que teria uma capacidade de tratamento de 135 mil tpd de mineral sulfurado e cujo o início estaria definido para 2019.

A estatal Codelco, principal produtor de cobre do mundo, também conta com projetos interessantes, entre os quais se sobressaem a Fase II da Radomiro Tomic, a conversão da Chuquicamata, maior mina a céu aberto do mundo, em operação subterrânea e o novo nível da Mina de El Teniente, a maior operação de cobre subterrânea do mundo, iniciativas que demandariam mais de US$12,7 bilhões e aportariam à companhia uma capacidade de produção de mais de 1,2 milhão de toneladas do metal vermelho.

Colômbia dourada

A Colômbia está executando três projetos de ouro muito atrativos, os quais demandariam investimentos de cerca de US$3,5 bilhões.

O principal dele é o La Colosa, da empresa sul-africana AngloGold Ashanti Limited. Essa pode ser a maior jazida de ouro do mundo encontrada nos últimos dez anos. A iniciativa está atualmente em sua etapa de pré-viabilidade, e se espera sua conclusão até 2018. A partir daí se determinará sua viabilidade, que caso seja positiva, começaria a etapa de montagem que deve estender-se até 2021, e somente a partir de 2022 começaria a operação de extração do outro, com uma produção de 850 mil onças de ouro por ano.

México dividido

O segundo maior projeto latino-americano de ouro (e prata) é o Metates, da companhia canadense Chesapeake Gold, cujo estudo de pré-viabilidade terminou recentemente, no último mês de março.

De acordo com o estudo elaborado pela empresa de engenharia norte-americana M3 Engineering & Technology, o projeto será executado em duas etapas. A primeira terá uma taxa de processamento de 30 mil tpd e a segunda expandiria a produção a 90 mil tpd. A vida útil da iniciativa é de 27 anos, seguidos de outros 10 que se levariam para processar o material acumulado com baixos graus de ouro.

A Metates tem reservas minerais provadas e prováveis de 18,3 milhões de onças de ouro, 502 milhões de onças de prata e 4 bilhões de libras de zinco.

O México também conta com três projetos de cobre: El Arco, Buenavista del Cobre e La Verde, iniciativas que demandarão investimentos superiores a US$4,5 bilhões e que aportarão 470 mil toneladas de cobre por ano.

Peru ganha terreno

O Peru tem visto seu setor de mineração como uma oportunidade de crescimento. Hoje, o país figura como um dos principais produtores de cobre, ouro e prata do mundo, o que deu uma ênfase especial à sua antiga tradição mineira. O metal vermelho tem novamente um papel fundamental no país, que agora posiciona-se como o terceiro maior produtor com cerca de 8% do total mundial. E os planos são ambiciosos, o país produziu no ano passado cerca de 1,6 milhão de toneladas de cobre, e para 2017 espera alcançar a marca de 2,3 milhões de toneladas métricas finas, um incremento de mais de 40%.

No ano passado entrou em operação um dos projetos mais relevantes dos últimos anos no país: Las Bambas. Com um investimento estimado em US$5,9 bilhões, a operação que pertence à chinesa MMG Limited, teria uma produção anual de 400 mil toneladas de cobre durante a primeira década. Com uma reserva de 6,9 milhões de toneladas métricas de cobre, se estima que a operação da Las Bambas dure mais de 20 anos, dado que seu potencial de exploração é considerável; somente 10% da propriedade concedida foram explorados até o momento.

Outro projeto de alta importância é a Mina Conga, propriedade da Mineira Yanacocha. A iniciativa, que demandaria investimentos de US$ 4,8 bilhões, está composta por dois reservatórios a céu aberto, Perol e Chailhuagón, e teria uma capacidade de produção anual de 88,5 mil toneladas de cobre e 630 mil onças de ouro. Contudo, o cenário da mina é complexo e seu avanço está paralisado, apesar da aprovação ambiental que obteve em 2010, isso por conta da resistência das comunidades vizinhas que temem que a operação afete as reservas de água na região, que possui forte vocação agrícola.

Um terceiro projeto no Peru seria a ampliação da mina Cerro Verde, controlada pela norte-americana Freeport McMoRan. Com um investimento de US$4,6 bilhões, esse projeto permitirá triplicar a capacidade de processamento de concentrados, o que significa sair de 120 mil tpd a 360 mil tpd, permitindo assim uma produção anual de mais de 270 mil toneladas de cobre por ano a partir do presente exercício.

Cobre Panamá

O projeto Cobre Panamá, controlado pela Minera Panamá, filial da First Quantum Minerals, é bastante interessante. Situado no país centro-americano, a operação desta mina envolve um investimento de US$6,4 bilhões e produzirá uma média de 320 mil toneladas de cobre ao longo de toda a sua vida, que supera as três décadas.

Porém, essa importante jazida não somente oferece cobre para extração, mas também aportará grandes recursos de ouro, prata e molibdênio, podendo alcançar produções anuais de 100 mil onças, 1,8 milhão de onças e 3,5 mil toneladas, respectivamente.

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