Operação remota de equipamentos

By Cristián Peters Quiroga15 April 2021

O Brasil conta com tecnologia para implementar uma operação remota de equipamentos em serviços de engenharia em áreas com elevado risco para a vida das pessoas. Os cases apresentados no Workshop Revista M&T, promovido virtualmente nesta quinta-feira, dia 15 de abril, comprovam os diversos benefícios desse tipo de aplicação e, ao mesmo tempo, mostram a necessidade de planejar de forma estratégica, com uma visão diferente de uma obra com máquinas tripuladas.

“Esse tipo de operação gera uma série de situações, que nos obriga a pensar fora da caixa. Os processos possuem uma complexidade maior e é necessário trabalhar o pilar relacionado às pessoas, porque há uma mudança de perfil do operador, dos encarregados, de profissionais de apoio e da alta liderança”, disse Carlos Magno Schwenck, responsável pela Gestão de Equipamentos da Construtora Barbosa Mello, no evento online organizado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), que contou com a participação de cerca de 550 pessoas.

Para as obras de descaracterização de barragens, a empresa integrou as seguintes tecnologias: escaneamento de alta precisão, sistema de automatização de máquinas, rede de comunicação de dados e controle remoto das máquinas. Além disso, investiu na aquisição de novos equipamentos, embarcando as tecnologias para ampliar a confiabilidade na operação.

De acordo Schwenck, a gestão remota de equipamentos é uma inovação disruptiva, porque tanto o operador como o encarregado precisam realizar a gestão da máquina por meio de dados e imagens advindas da telemetria, de drones e do monitoramento em tempo real feito pelas câmeras e por meio de vibração de partículas.

Hugo Pereira Soares, diretor da Construtora Vale Verde, afirmou no Workshop Revista M&T que a aplicação da operação remota produz a mesma eficiência de uma operação tripulada e ainda conta com outras vantagens, como por exemplo, garantir a segurança das pessoas ao retirar o operador e outros envolvidos da zona de risco, a redução de custos e ganho de produtividade porque há uma melhor aproveitamento da jornada de trabalho dos profissionais, já que deixa de existir os deslocamentos de longas distâncias.

“Independentemente da área de atuação e da questão do investimento, essa é uma tendência que vai ser tornar cada vez mais próxima de nossas obras. É um fato irreversível, ainda mais com a proximidade da aplicação da tecnologia 5G. Esses equipamentos se tornarão comuns para todos”, disse Soares.

Ele ressaltou ainda que quanto maior for a distância entre a operação remota e a sala de controle, melhor precisará ser a tecnologia utilizada para reproduzir em tempo real o cenário para o operador. “O delay, por menor que seja, não pode existir, pois pode provocar acidentes. Assim, sistemas convencionais de imagem não podem ser aplicados”, pontuou.

Nesse sentido, uma tecnologia de rede móvel e dinâmica, capaz de se adaptar as variadas situações pode ser uma vantagem nesse tipo de operação. Tiago Barros, gerente técnico da SITECH Brasil, apresentou o protocolo de comunicação InstaMesh, criado pela Rajant, no qual cada rádio pode ser um repetidor e não apenas um usuário. Com isso, utilizando outros equipamentos móveis, os rádios trafegam os dados e informações em tempo real, não sendo afetados por instabilidades ou barreiras físicas.

Barros trouxe um case de obra, no qual apresentou todo o processo para a implantação e operação de equipamentos não tripulados. Um equipamento essencial para esse tipo de obra é o drone, que permite realizar a topografia do local. Por meio de softwares da Trimble, foi possível processar as informações da área da barragem, retirar todos os dados topográficos feitos por imagem e aplicar em outro software da mesma fabricante para construção do projeto 3D, que foi então embarcado nos equipamentos para realizar a execução automática na obra.

Além do projeto 3D, os equipamentos foram dotados de um kit, composto por cabos, periféricos, antenas GPS, sensores angulares para fornecimento de informações sobre a inclinação da lamina e da máquina, módulo de potência, que contribuir para manter a estabilidade elétrica e serve de proteção, e um computador de bordo, onde o operador irá se posicionar no projeto. “É preciso oferecer um suporte customizado, além de distribuir câmeras de forma estratégica para que o operador tenha a melhor percepção possível”, disse Barros.

Como benefícios da operação remota, ele citou no Workshop Revista M&T a exclusão da necessidade de greidista ou pessoas próximas às máquinas; possibilidade de nivelamento técnico de todos os operadores, mantendo o padrão e a qualidade operacional; execução do projeto atribuindo camadas de escavação de forma uniforme; otimizando recursos; ganho de produtividade devido ao trabalho realizado com marchas mais alta.

Outro benefício relatado por Barros foi na área de inclusão social, com a possibilidade de contratar pessoas com deficiência (PcD) para esse tipo de trabalho, uma vez a operação ocorre de forma remota. “Diversos operadores, que possuem, por exemplo, problemas de coluna podem ser reintegrados para a operação não tripulada”.

No caso da Andrade Gutierrez, João Paulo Oliveira, gerente de equipamentos da construtora, falou sobre a primeira obra com 100% de equipamentos não tripulados foi iniciada em setembro do ano passado. Por ser uma zona de autossalvamento (ZAS), onde não é permitida a presença de pessoas, para a instalação da fibra e câmeras de comunicação, a empresa precisou da ajuda de um helicóptero até chegar ao ponto principal onde seria executado o escopo do projeto. Foram instaladas oito antenas de comunicação em 400 metros.

Oliveira contou que, em apenas dois meses, houve a conclusão dos trabalhos de aceitação da obra, com antecipação dos prazos devido ao aumento da produtividade. Em fevereiro deste ano, iniciou-se uma nova obra: a execução de inspeção de material rochoso pós-fragmentação. A frota aplicada é composta por caminhões basculantes, escavadeira, trator de escavadeira e motoniveladora.

Um dos principais desafios relatados por Oliveira está na retirada dos equipamentos da área, quando ocorre algum problema, pois é feito por outro equipamento não tripulado, o que aumenta o risco de danificar a máquina nessa situação. Por isso, ele reforçou a necessidade de melhoria constante para o desenvolvimento de soluções mais apropriadas. 

Com tema central Engenharia 4.0: Operação Remota de Equipamentos, o Workshop Revista M&T contou ainda com a abertura do engenheiro Afonso Mamede, presidente da Sobratema, que salientou que a entidade tem acompanhado a evolução tecnológica desse mercado, contribuindo para sua disseminação em todo o país. “Quando começamos não havia monitoramento nos equipamentos e, hoje, a operação remota é acessível e uma realidade na construção e na mineração. É um enorme avanço e modernização para as obras”.

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