OpenBIM: os padrões abertos como diferencial competitivo precisam avançar no Brasil

Por Marcus Granadeiro

No último mês de março, em Valência, na Espanha, tivemos uma nova edição do buildingSMART International Summit, encontro que reforçou as discussões sobre os padrões openBIM, refletindo mais uma vez que essa é uma tendência cada vez mais presente no setor de AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção). 

Durante os quatro dias de conexões, colaboração e trabalhos conjuntos, pudemos entender que esse conceito é um dos principais temas para o futuro do segmento. Os projetos, assim como os casos de sucesso apresentados servem de benchmark para evoluirmos no uso dos padrões abertos, mesmo que o uso do do BIM (Building Information Modeling), no caso do Brasil, ainda parece estar um pouco distante da nossa realidade. Isso porque os grandes desenvolvedores de softwares mostram somente as glórias deste modelo, mas nunca as dores e os desafios, que é o cenário mais corriqueiro de quem adota essa inovação. 

No entanto, ao nos aprofundarmos neste conceito, fica claro que o padrão aberto democratiza o acesso, pois é possível usar diferentes tecnologias para o mesmo objetivo, todas se conectando. A grande sacada deste processo é entender seus conceitos e criar uma estratégia própria para seu projeto ou empresa, sendo este  um caminho que resultará num diferencial competitivo importante no mercado.

Uma novidade que temos neste ano é a consolidação do passaporte de produtos para uso na Europa. Na prática, esta é uma forma de alcançar a universalização de todos os elementos a serem utilizados, permitindo uma aderência maior dos modelos e processos BIM aos demais processos do ciclo de vida do ativo. 

Os processos de definição de requisitos e sua respectiva verificação de forma automática já são realidade e uma oportunidade para que prefeituras e até mesmo condomínios tenham aplicações para este fim, assim como para criarem uma base de dados para a tão desejada cidade inteligente. E por falar em cidade inteligente, os padrões abertos de BIM e GIS (Geographic Information System) estão se convergindo, inclusive com discussões sobre o que é correto: falar de GIS em BIM ou de BIM em GIS. 

Além disso, dentro do compromisso da buildingSMART temos a atualização do padrão IFC (Industry Foundation Classes) para atender projetos de infraestrutura linear, resultando na versão 4.3, já com a norma ISO publicada, em que temos, inclusive, trabalhos avançados associado aos domínios de ferrovias e túneis, sendo aberta a chamada para um grupo de trabalho para tratar saneamento. 

Em linhas gerais, há muita inovação circulando no setor, mas fato é que precisamos melhorar a inserção do Brasil neste cenário. Ainda temos pouca participação nas discussões internacionais, o que se converte em atraso para o mercado nacional. É preciso que mais empresas nacionais, públicas e privadas, se movimentem para buscar conhecimento para disseminar no país a compreensão de que investir nos padrões abertos do BIM não é um custo adicional, mas uma oportunidade para as companhias. 

Sabemos que essa não é uma aposta fácil, especialmente em um segmento tradicional como a engenharia, porém, só conseguiremos avançar se obtivermos aprendizados necessários para repassar aos profissionais da área. É preciso testar, assim como levantar casos de sucesso e de fracasso para discutirmos oportunidades e estratégias É colocando em prática que conseguiremos avançar nos padrões abertos do BIM para colher seus benefícios ainda no presente, mas principalmente num futuro próximo. 

*Marcus Granadeiro é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, sócio-diretor do Construtivo, empresa de tecnologia com DNA de engenharia, membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e certificado em Transformação Digital pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

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