O Caribe aproveita sua geografia

By Melissa Marchand08 July 2014

O desenvolvimento de destinos de luxo é um nicho crescente no setor de turismo do Caribe. Esse é um resultado do surgimento e crescimento sem precedentes de grandes fortunas da classe média e alta nos países em desenvolvimento. Em dezembro passado, 5 mil pessoas de classe alta viajaram a Xangai para um evento de propriedades de luxo que mostrava numerosos ativos do Caribe, como o Ocean Club Estates, o Old Fort Bay, o Lyford Cay, Sandyport e múltiplas ilhas privadas.

Governos de toda a região já sintonizaram com o crescimento potencial desses mercados. O desenvolvimento de hotéis e resorts de luxo, complexos residenciais, aeroportos privados e marinas são parte das oportunidades já aproveitadas ou ainda por explorar no segmento.

Não obstante, não é só o valor turístico que atrai os investidores à região. Graças a sua privilegiada localização geográfica, os países do Caribe também oferecem importantes oportunidades no comércio internacional. Seus portos permitem a navios provenientes da Ásia distribuir mercadorias a toda a América.

Antecipando-se ao aumento no tamanho dos navios, os países do Caribe estão levando a cabo fortes investimentos em infraestrutura portuária que se ajustam às novas dimensões do comércio. O setor se manterá em crescimento enquanto continua se preparando para satisfazer o crescimento sustentado na demanda dos mercados emergentes na América Latina e na Ásia.

O paraíso nas Bahamas

As Bahamas sofreram com muitos fortes furacões nos anos de 1997, 2004 e 2005, o que significou enormes perdas no estoque de quartos de hotéis, entre muitas outras coisas. Apesar disso, importantes investimentos e esforços enfocados em reverter essa situação e incrementar o transporte aéreo surtiram muitos excelentes efeitos. Os resultados incluem a criação de novas empresas de turismo, mais emprego e uma maior estabilidade econômica geral.

Fruto dessa nova onda de empreendimento e crescimento, desenvolvem-se projetos históricos no país, como são o caso do novo Complexo Resort Baha Mar e o ambicioso resort de Blacwood Point.

O Resort Baha Mar é um complexo de 405 hectares na Ilha de Nueva Providencia que compreende investimentos de mais de US$ 3,5 bilhões. A iniciativa contempla a construção de quatro hotéis com 2,2 mil quartos, 307 residências privadas e o maior hotel cassino do Caribe, com 100 mil metros quadrados, além de dois spa, 30 restaurantes, butiques e bares, um campo de golf e 200 mil metros quadrados de centros de convenção.

Com data de inauguração marcada para dezembro, já foram assinados US$ 650 milhões em contratos a mais de 400 empreiteiras locais, excedendo assim os US$ 400 milhões em contratações inicialmente comprometidas com as empresas do país.

O projeto criou 2,6 mil empregos diretos para os locais e promete gerar mais de 4 mil empregos permanentes.

A Oxford Economics percebe um impacto econômico no PIB das Bahamas da ordem de 12,8%, a partir do exponencial desenvolvimento do turismo, sua infraestrutura e serviços que exigirão crescimento sustentado da demanda.

Por sua vez, o resort de Blackwood Point, também nas Bahamas, registra o recorde de investimentos já feitos no país caribenho, calculados em US$ 6,3 bilhões.

O projeto planejado para o leste da Grande Bahama compreende um investimento estratégico em mais de oito setores industriais integrados: um hotel cassino e seis hotéis tradicionais; um terminal de cruzeiros com um porto para iates; um porto de contêineres e um aeroporto; um centro médico ou hospital; uma escola primária; uma usina elétrica movida a gás liquefeito; uma empresa de abastecimento de água e uma usina de tratamento de águas residuais; e uma usina de reciclagem de resíduos.

O complexo também oferecerá atrações turísticas, um mercado artesanal, instalações esportivas, quatro unidades de fabricação e uma rodovia de mão dupla desde Freeport até MacLean´s Town.

Depois de atrair o Banco de Desenvolvimento Chinês como potencial colaborador e fonte de investimentos estrangeiros, espera-se que a China aporte 85% do financiamento nesse ambicioso projeto de desenvolvimento turístico.

Registre-se que a iniciativa gerará mais de 9 mil empregos diretos e entre 18 mil e 30 mil indiretos, além de triplicar o mercado de imóveis na zona leste da Grande Bahama e distribuir a riqueza para outros setores.

A equipe desenvolvedora do projeto calcula que a inauguração do grande resort de Blackwood Point poderia ser em 2018.

Centro logístico na Jamaica

A economia jamaicana se recuperou no primeiro trimestre do ano, crescendo a uma taxa interanual de 1,6% e marcando o terceiro trimestre consecutivo de crescimento. O resultado sinaliza uma clara recuperação econômica e encaminha o país na direção de lograr os objetivos propostos pelo Fundo Monetário Internacional.

Apesar desses resultados favoráveis, o país enfrenta uma inflação de quase 10%, uma forte queda em suas reservas internacionais nos últimos dois anos e uma forte desvalorização de 12%.

Para reverte esse quadro, e com a intenção de dinamizar a atividade econômica e estimular novos setores geradores de divisas, o governo da Jamaica está promovendo o Projeto de Hub Logístico, proposta que representa a pedra angular de toda perspectiva futura de crescimento da Jamaica.

A iniciativa, que compreende desembolsos de cerca de US$ 8 bilhões, pretende a construção de uma plataforma logística que impulsione a competitividade econômica do país, posicionando a ilha como o quarto pilar da cadeia logística global, e assim fomentar um grande crescimento de investimentos no país. A expansão do Canal do Panamá promete incrementar o fluxo de comércio na zona caribenha, oferecendo uma oportunidade chave para a Jamaica converter-se em um nó de carregamento e transbordo de mercadorias, dada sua localização estratégica nas rotas comerciais leste/oeste e norte/sul.

Nesse sentido, o Hub Logístico planeja investir tanto no desenvolvimento de uma infraestrutura portuária com capacidade de atender navios Pós-Panamax quanto na criação de zonas industriais e plataformas logísticas de comércio. Adicionalmente, o governo do país terá a necessidade de investir em infraestrutura aeroportuária, viária, ferroviária e marítima, o que incluirá projetos como a dragagem de 17,5 metros da Baía Kingston; a expansão de instalações portuárias no Forte Augusta e Cayo Gordon, junto com uma expansão do Terminal Leste; a construção de uma doca seca na Baía Jackson, Clarendon; a construção de um porto de transbordo próximo a Yallahs, St, Thomas; o desenvolvimento de um complexo aéreo de carga e de passageiros; e a instalação da Zona Econômica de Cayman, que contará com mais de 4 mil hectares de solo para o desenvolvimento comercial, residencial e recreativo, a criação de setores de distribuição, manufatura, agroindustrial e a conformação de uma incubadora de negócios, um instituto de pesquisa, usinas, armazéns, negócios em TICs e telecomunicações, hotéis e um aeródromo.

Muitos dos avanços se enfocaram no planejamento e desenvolvimento de infraestrutura portuária com capacidade de atender a nova demanda do comércio, como também na organização de zonas livres que facilitem a manipulação de cargas e gestão de cadeias logísticas. Reforçando o objetivo de instaurar novas Zonas Econômicas à raiz do Projeto Hub, as autoridades do Ministério da Indústria e Comércio planejam designar cerca de 15 novas Zonas Econômicas Especiais, incluindo Cayman.

Trinidad e Tobago

Para fortalecer o setor petroquímico, atualmente se trabalha na construção de uma usina de US$ 850 milhões para metanol e dimetil éter (DME) em Trinidad e Tobago. A primeira fase da construção contempla a instalação de uma capacidade de produção de uma milhão de toneladas métricas de metanol e 100 mil toneladas métricas de DME ao ano, além da dragagem do porto a 15 metros, para servir a instalação.

Antígua e Barbuda

No começo de 2015, começará no país a construção de dois hotéis de cinco estrelas, que contemplam um investimento de cerca de US$ 700 milhões. O alcance do projeto inclui a construção de um cassino, um centro comercial, residências, uma marina capaz de receber iates de grande porte, um spa, um campo de golf com 18 buracos de Jack Nicholas.

Curaçao

A ilha autônoma do reino dos Países Baixos está trabalhando na construção de um hospital de 300 leitos que abarcará uma área de 40 mil metros quadrados, cujo custo estimado é de pouco mais de US$ 135 milhões. O projeto será realizado ao longo dos próximos três anos, culminando no final de 2016.

Corredor centro-americano

A região central do continente americano não fica atrás em termos de investimentos. A Nicarágua espera começar esse ano a construção de um canal interoceânico que pretende conectar o Pacífico com o mar Caribe através de uma via mais comprida, larga e profunda do que o canal do vizinho Panamá.

Com um investimento estimado em US$ 40 bilhões, o Grande Canal da Nicarágua teria uma capacidade de atender 416 milhões de toneladas métricas, chegando a manejar quase 4% da carga marítima mundial. O projeto contempla a construção de dois portos de águas profundas, zonas francas, aeroportos, um oleoduto e uma ferrovia.

A iniciativa estará a cargo da Hong Kong Nicaragua Development Project Group (HKND), que obteve no ano passado uma concessão de 50 anos, renovável por outros 50. O presidente e diretor executivo da companhia, Wang Jing, calcula que as obras começarão antes do fim do ano e se concluam em 2019.

Se esses prazos se cumprirem, calcula-se que o crescimento do PIB poderia passar para dois dígitos, saltando dos 5,2% em 2012 para 15% em 2015.

Também buscando se configurar como alternativa ao Canal do Panamá, a Guatemala está trabalhando em seu próprio Corredor Interoceânico, iniciativa que demandará investimentos de cerca de US$ 8 bilhões.

Além do corredor, a Agência Nacional de Alianças para o Desenvolvimento de Infraestrutura Econômica da Guatemala prevê executar dez projetos estratégicos de construção a partir de 2015, visando estimular o crescimento. Os investimentos, que totalizariam US$ 2,1 bilhões, compreendem o porto seco intermodal Tecún Uman II, em San Marcos; um trem de carga desde San Marcos até o Porto Quetzal e outro das cercanias da Central Norte até Amatitlán; e um centro administrativo do Estado para receber 12 mil funcionários.

Infraestruturas

Por sua vez, a República Dominicana está trabalhando na segunda linha do metrô de Santo Domingo. O projeto, de US$ 385 milhões, despertou o interesse da China Railway Construction Corporation (CRCC), do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Corporação Interamericana de Investimentos.

Apesar de numerosos atrasos no desenvolvimento da obra por falta de financiamento e consequentes protestos realizados pela sociedade civil dominicana, hoje os investidores calculam inaugurar a nova linha antes do final do mandato do presidente Medina, em agosto de 2016.

Já em El Salvador, o governo assinou um convênio de desenvolvimento que promove o projeto de infraestrutura logística Fomilenio II, que obteve financiamento dos Estados Unidos e será executado pelas empresas espanholas Acciona e Euro Estudios. A iniciativa de US$ 125 milhões contempla três projetos de grande envergadura: uma rodovia de 27,4 quilômetros desde o aeroporto internacional Monsenhor Óscar Arnulfo Romero até Zacatecoluca; uma estrada de 6 quilômetros de Aguas Saladas a El Amatillo e estações logísticas na área fronteiriça de El Amatillo.

Enquanto isso, na Costa Rica, estão levando em frente o projeto Limón Ciudad-Puerto,que considera a construção de onze pontes em rodovias nacionais e vecinais pelo rio Limoncito. Além disso, continua avançando a reforma da Casa de Cultura e seu teatro, e a recuperação de estruturas esportivas.

Finalmente, Honduras está aumentando sua capacidade hoteleira com a construção de dois hotéis Hyatt Place em Tegucigalpa e San Pedro de Sula, que juntos oferecerão 264 quartos. Ambos projetos têm inauguração prevista em 2015 e são parte do projeto de construção de dez hotéis na América Central e México, que a empresa levará a cabo nos próximos dois anos.

Melissa Marchand é diretora geral da Global News Matters, empresa especializada em projetos de investimento e que oferece uma visão transversal sobre a indústria da construção no Caribe.

Para mais informação, visite www.globalnewsmatters.com

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