Lento, mas seguro

By Cristián Peters14 June 2016

La economía centroamericana experimentaría crecimiento este año, liderada por República Dominicana.

La economía centroamericana experimentaría crecimiento este año, liderada por República Dominicana.

Lento, mas seguro. Assim poderia se definir o ritmo de crescimento da América Central. Ainda que a região tenha experimentado, em ocasiões, fortes contrações, em termos gerais, países como a Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e República Dominicana apresentam avanços em suas economias. Cabe destacar que nesse artigo não nos referiremos nem ao Panamá nem ao México, que serão vistos separadamente em futuras edições.

Segundo as últimas projeções da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL), este grupo de seis países cresceria em média mais de 3% durante 2016. O crescimento mais alto seria o da República Dominicana, com uma expansão de 5,5%, enquanto que mais o baixo corresponderia a El Salvador, com 2,4%.

Ainda que as cifras possam parecer bem mais baixas, deve-se ter em conta que, segundo a entidade, a América Latina experimentaria uma contração de 0,6% este ano, mantendo o enfraquecimento do ano passado, quando a região se retraiu 0,5%.

Guatemala

Segundo a CEPAL, a economia guatemalteca crescerá 3,7% em 2016, mas esse ritmo não será o mesmo do setor da construção no país.

A indústria, que tem um peso de 2,8% no PIB do país, teve uma situação de estancamento, com um crescimento estável, mas baixo. “Depois da crise econômica mundial que fez com que o setor caísse 10,8% em 2009 e 11,5% em 2010, entre 2011 e 2015 sentiu-se uma leve recuperação, com um crescimento médio de 2,56%, alcançando o maior crescimento em 2014 com 4,5%. A partir de então, a tendência novamente foi de queda, e em 2016, segundo projeções, o setor crescerá só 2,8%. O que aconteceu principalmente por fatores como a ineficiência nos trâmites para obter permissões de construção e a queda considerável no orçamento nacional de infraestrutura, entre outros”, explica José René Gonzáles-Campo, presidente da Câmara Guatemalteca da Construção.

Segundo explica o dirigente, a partir de 2006 a Guatemala começou a sofrer uma queda no investimento em infraestrutura, e assim como o crescimento do setor, está praticamente estacionada em um crescimento médio do PIB de 14.8% desde 2009 até os dias de hoje. Em 2015 alcançou-se 14,73% de Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB, dos quais 8,8% correspondem a investimentos públicos e os 91,2% restantes correspondem ao investimento privado.

Cabe destacar que recentemente o governo anunciou a intenção de ampliar investimentos em cerca de US$9 bilhões em infraestrutura. Ainda que sem maiores detalhes a respeito, a intenção é promover planos de investimentos mediante as PPPs (Parcerias Público-Privadas).

Neste sentido, González-Campo destaca a atuação da Agência Nacional de Alianças para o Desenvolvimento de Infraestrutura Econômica (ANADIE), uma entidade descentralizada, que apoia entidades públicas na estruturação e na contratação de projetos de infraestrutura econômica, sob a modalidade de PPPs. Segundo comenta, a agência “atualmente conta com um portfólio de nove projetos que em conjunto representam US$1,9 bilhão em investimentos. Isso fez com que a Guatemala se situe na quinta posição em nível latino-americano no ranking de entorno propício para as PPPs segundo o Economist Intelligence Unit”.

El Salvador

Segundo comenta Ángel Díaz, presidente da Câmara Salvadorenha da Construção (Casalco), a economia do país começou a experimentar quedas a partir de 2012, mas em 2014 iniciou sua recuperação fechando com um crescimento de 2% de seu PIB.

No que se refere à construção, Díaz indica que nos últimos anos o setor esteve em baixa, com uma queda marcada de 10,5% em 2014. Em 2015 a indústria fechou com um crescimento de 0,6% de acordo com os dados do Banco Central de Reserva BCR, “este dado mostra uma significativa melhoria e que o setor caminha para uma recuperação”.

No início de 2016, a perspectiva de investimento do setor público ronda os cerca de US$652 milhões, o que significa 138% acima da estimativa de investimentos no início de 2015 e de 2014. Por sua vez, o investimento do setor privado deveria estar próximo dos US$700 milhões, o que, segundo adverte o dirigente, dependerá da agilização e da cessão de permissões necessárias para a construção de projetos.

Díaz comenta que para analisar o investimento privado no setor de construção é necessário ter em conta dois fatores: os créditos para a aquisição de moradias e os créditos aprovados para a construção em geral, e ambos os indicadores tiveram uma queda entre 8% e 20% a partir de 2013. “O comportamento do setor pode ser melhor e depende em grande medida de autorizações ágeis como as gestões das permissões para a execução de projetos privados, assim como as gestões do governo central na obtenção de créditos ou investimentos para a execução das obras públicas. Se isso se cumprir da maneira prevista, a construção terá bons resultados”, assegura.

Em relação às Parcerias Público Privadas, o presidente da Casalco indica que “as consideramos importantes e é preciso criar os mecanismos e a confiança para que se levem a cabo, já que geram investimento social e produtivo e uma visão de cooperação entre setor público e privado”.

Atualmente o governo de El Salvador, por meio de seu órgão promotor de exportações e investimentos, PROESA, conta com quatro projetos em etapa de avaliação e análise com a intenção de determinar se são viáveis de desenvolvê-los via PPP: o parque tecnológico de Zacatecoluca, iluminação e vídeo-vigilância de rodovias, novo centro de governo em antigo Cuscatlán, e o terminal de carga do aeroporto internacional.

HONDURAS

O Banco Central informou que o setor de construção do país cresceu 2,1% em 2015, isso graças a retomada de projetos residenciais e comerciais privados, além de obras de infraestrutura viária.

Este moderado percentual poderia se acelerar esse ano, já que segundo o BC, a indústria poderia expandir entre 5,5% e 5,9% em 2016. Esse otimismo se baseia fundamentalmente em um plano de desenvolvimento econômico lançado pelo governo, Honduras 20/20, e que considera o investimento de US$13 bilhões em quatro eixos de atividade econômica, que seriam turismo, têxtil, manufatura e serviços de suporte aos negócios.

A construção se beneficiará do plano mediante a necessidade de novas estruturas para o desenvolvimento futuro destas áreas da economia de Honduras. De fato, o setor já notou uma expansão durante o primeiro trimestre do ano, e a Câmara Hondurenha da Indústria da Construção (Chico) anunciou uma expansão de 1,8% nesse período.

Nicarágua

A Nicarágua viveu m caso excepcional em 2015, ano em que a indústria da construção havia crescido cerca de 25.4%, expansão que foi resultado do aumento das edificações residenciais (9,8%), não residenciais (33,9%), obras de engenharia civil (33,1%) e serviços de construção (25%).

E para este ano as expectativas também são otimistas, e a Câmara Nicaraguense da Construção espera que a atividade consiga atingir um crescimento de 20%, uma cifra que, segundo Rodrigo Pereira, presidente da entidade, poderia ser conservadora.

Não obstante, o país poderia experimentar a paralisação de importantes obras. Segundo consignou a AFP, a crise política na Venezuela e no Brasil poderiam deixar à deriva um projeto de US$7,6 bilhões para a construção de uma refinaria e uma central hidroelétrica.

Apesar disso, também deve-se considerar que o país está avançando em seu projeto do Grande Canal da Nicarágua. A iniciativa, que atualmente estaria superando os US$50 bilhões, ainda que sob fortes questionamentos, iniciou sua construção no fim do ano passado e já deu alguns passos concretos em termos de estudos e aquisição de terreno.

Costa Rica

O setor da construção na Costa Rica cresceu no último ano. Segundo dados do Colégio Federado de Engenheiros e Arquitetos (CFIA) da Costa Rica, durante 2015 o setor da construção registrou mais de 9,2 milhões de metros quadrados, o que representa um incremento de 14% com respeito a 2014. Esse dinamismo responde principalmente ao setor habitacional, com o qual cresceu 10%, assim como também ao setor comercial, que cresceu 31%.

O relatório da CFIA consigna que a obra pública haveria reduzido cerca de 15% com respeito a 2014, queda que havia sido compensada em parte por um aumento nas obras privadas.

Este ano espera-se que o setor mantenha uma tendência de alta. O CFIA pontua que para isso é necessária a execução de obra pública, aplicação de políticas de crédito bancário adequadas, e especialmente a simplificação de trâmites.

República Dominicana

Durante os últimos anos a República Dominicana se estabeleceu como uma das economias de mais rápido crescimento na América Latina, com uma taxa de crescimento médio, segundo o Banco Mundial, de 5,4% entre 1992 e 2014.

Segundo dados da Cepal, a República Dominicana experimentou o maior crescimento em 2015, com um avanço de 6,6% em seu PIB. O recente crescimento foi impulsionado pela construção, a indústria manufatureira e o turismo.

O investimento privado em construção na República Dominicana vem crescendo desde 2013, quando o país experimentou, segundo dados do Ministério de Obras Públicas e Comunicações, desembolsos de cerca de US$ 190 milhões, uma cifra que cresceu 127% em 2014 e mais 61% em 2015, alcançando no ano passado investimentos privados por quase US$700 milhões.

Projetos

É interessante destacar que, segundo a consultora CG-LA (ver artigo na página 42), estes seis países vistos no artigo contam com 16 iniciativas entre os 100 projetos mais estratégicos da América Latina, os quais implicam em desembolsos de mais de US$ 6,1 bilhões.

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