Latam Rental

18 October 2016

O processo de apuração de dados para produzir o ranking Latam Rental este ano foi difícil. As empresas locadoras da região, sempre reticentes em abrir suas informações financeiras, foram ainda mais fechadas este ano, o que poderia ser explicado pelos maus resultados que obtiveram no ano passado.

Contratos de longo prazo que chegaram ao fim, assim como a queda dos preços das commodities, que afetou diretamente aquelas empresas expostas à mineração, e o encerramento e paralisação de projetos, geraram reestruturações e alteração de enfoques, além de queda nos níveis de preço e de taxa de utilização.

Mas a queda nas vendas, que em média ficaram 12,9% menores em 2015, não seria explicada apenas por situações conjunturais de cada economia, mas também pelo fator câmbio, que em alguns países incidiu de maneira especialmente forte, como é o caso do Chile, onde o impacto da taxa de câmbio afetou, em alguns casos, em quase 20% as receitas em dólares.

Confirmando o que mencionamos, momentos de crise como o que vivemos (não se deve esquecer que 2015 foi ano de recessão para a economia latino-americana) fazem com que as companhias não queiram revelar o quanto estão sofrendo. Lamentavelmente, a falta de respostas nos obrigou a fazer uma série de estimativas, o que impede uma análise precisa e aprofundada. Mas ao menos, tem-se uma ideia...

Resultados

As receitas das 45 maiores empresas de locação de máquinas da região alcançaram os US$ 2,47 bilhões em 2015, representando uma queda de 12,9% em relação aos US$ 2,84 verificados no ano anterior.

O número é impactante, mas se explica pelo fato de que 36 das empresas listadas teriam registrado quedas no exercício, e apenas 9 mantiveram ou melhoraram o desempenho.

Destaca-se, por exemplo, o caso da Transportes y Grúas Auriga, do México, empresa que com faturamento de US$ 19,4 milhões percebeu em 2015 uma expansão de mais de 50% em relação ao ano anterior.

Também vale a pena mencionar o caso da australiana Emeco, que com atividades no Chile obteve, em 2015, faturamentos 17,9% acima do ano anterior. Parte deste resultado, que é surpreendente devido a sua especialização em mineração, está em que no ano passado a Emeco fechou um contrato de cinco anos com o projeto Encuentro.

Top 10

As principais 10 empresas de locação da América Latina fortaleceram sua importância no ranking total em termos de porcentagem. Se na edição anterior elas representavam 62% do faturamento total da lista, nesta edição seu peso cresceu para 64%. Não obstante, seus faturamentos experimentaram forte contração, dado que no Latam Rental publicado no ano passado estas empresas teriam gerado receitas de US$ 1,86 bilhões, que contrastam com o US$ 1,58 da presente versão da tabela.

Embora os três primeiros colocados da lista - Aggreko, Mills e Ouro Verde - tenham mantido suas posições, um pouco abaixo se observaram várias mudanças. A chilena SK Rental experimentou forte queda em seus valores apresentados em dólares, fruto da desvalorização da moeda local, o que deixou a norte-americana Ameco em quarto lugar.

A APR energy e a SO Energy mantiveram o sexto e o sétimo lugares, respectivamente. Mas mais abaixo continuaram as alterações. Escad e Solaris abandonaram o Top 10 e permitiram o ingresso da mexicana Máquinas Diesel, que subiu quatro posições para o oitavo lugar, e a Sullair Argentina, que ficou em nona posição. Com estas entradas, a brasileira A Geradora caiu duas posições, fechando o grupo das dez maiores.

Países

Analisando por países, pode-se notar o efeito do Brasil sobre os resultados gerais. Embora a maior economia da região siga dominando o ranking com 32,6% da receita total, sua presença foi fortemente ameaçada, dado que no Latam Rental do ano passado as brasileiras eram 41,3% do faturamento latino-americano com locação.

O Brasil é seguido pelo Reino Unido, que só com a Aggreko acumula 19,9% dos faturamentos do ranking, e Estados Unidos, com uma participação de 16,4%. Ambas apresentaram crescimentos com relação à sua participação na receita do Latam Rental, o que demonstraria que o conhecimento obtido em mercados de locação mais maduros teria permitido a estas empresas enfrentar melhor o período de crise da região.

O chile manteve 7,5% de participação, seguido do México, que somando um novo ator no ranking, a Komatsu Maquinarias México, aumentou sua participação para 6% do total.

Estes cinco países representam 82,4% da receita total.

Gastos com frota

Sem dúvida a crise afetou a aquisição ou renovação de maquinário. Este ano, foram 19 as empresas que declararam gastos com frota, somando investimentos de US$ 371,8 milhões. Isto representa uma queda consistente, se lembramos que na edição anterior 20 empresas haviam declarado investimentos de US$ 716,6 milhões.

Notas e agradecimentos

A CLA agradece especialmente a José Protko e George Bahnke, consultores de equipamentos usados e de locação da Caterpillar, por sua ajuda na confecção desta lista, ajudando-nos a identificar as principais companhias de locação quando começamos o ranking.

Agradecemos também a todas aquelas empresas e pessoas que contribuíram com informação para este estudo. Se você tem algum comentário ou gostaria de ser incluído no ano que vem, contate o editor da CLA, Cristián Peters, no email cristian.peters@khl.com

O ranking está baseado nas receitas com locação na América Latina em 2015.

Alguns números foram estimados pela CLA e sua revista irmã International Rental News.

Para as empresas que têm frotas e filiais fora da América Latina, tratou-se de determinar a influência direta da região em suas operações.

As receitas foram convertidas usando-se a média do valor da divisa em 2015.

Participe no ano que vem

A Construção Latino-Americana e a International Rental News lançarão uma campanha para realizar este ranking novamente no ano que vem. Esperamos que as empresas aproveitem esta ferramenta para fazer do mercado de locação uma indústria cada vez mais transparente e forte em nossa região.

Quanto mais dados cheguem a este tipo de iniciativa, mais benefícios todos os atores envolvidos podem obter.

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