Fundações: Até o fundo

By Fausto Oliveira20 February 2017

Embora já seja comum a publicação de notícias sobre evoluções tecnológicas e de métodos de construção nos demais segmentos do setor, a parte de fundações segue um caminho algo paralelo, devido a suas especificidades técnicas. Mas isso jamais quer dizer que este segmento não esteja em constante desenvolvimento. Quem coloca sob as obras suas bases de sustentação recebem, a cada ano, um amplo leque de novidades.

Barras Kelly

Entre os muitos métodos existentes para realizar fundações, a famosa barra Kelly é sem dúvida o mais utilizado. Em toda a América Latina, os muitos construtores especialistas que adotam este método têm na brasileira CZM um provedor local, mas que pouco a pouco vai conquistando um espaço em escala mundial. A empresa tem uma linha completa de barras Kelly (que também podem ser adaptadas a hélices contínuas CFA).

 Sua linha de perfuratrizes EK oferece desde os modelos mais compactos até os maiores em termos de barra Kelly. Em total são oito modelos; sendo que os lançamentos recentes da CZM são a EK50 e a EK65, que são equipamentos de menor dimensão, para obras pequenas e/ou sem presença de rocha (a última delas tem mais aplicabilidade em termos de barra Kelly, enquanto a EK50 apresenta a melhor relação custo benefício da linha, segundo a empresa).

A EK50 tem um torque de 5.000 kgfm (cerca de 40 kNm), profundidade máxima de perfuração de 25 metros e diâmetro máximo de 1.500 milímetros. Por sua vez, a EK65 tem um torque de 8.000 kgfm (cerca de 78,4 kNm), profundidade de perfuração de 28 metros e diâmetro máximo de 1.600 milímetros.

Como ambas as máquinas são lançamentos, são ainda pouco conhecidas do mercado. Mas a empresa argentina PerfoCar, especialista em fundações, que é antiga cliente da CZM, recebeu recentemente a primeira EK65 produzida (veja foto). Os clientes latino-americanos da CZM podem aproveitar uma linha de crédito facilitado oferecida pelo BNDES para exportação.

O banco dá prazo de financiamento de até 5 anos, com pagamento semestral da parcela principal e dos juros. A taxa de juros é a Libor com pequena remuneração ao BNDES, que pode variar entre 0,4% e 1,35%, dependendo do banco do comprador em seu país. Finalmente, o financiamento cobre os gastos de exportação.

Assim, vai crescendo a população de máquinas da linha EK na América Latina. Além dos lançamentos, a linha é formada pelas máquinas EK60, EK70, EK90, EK125, EK200, EK250 e EK300. Todas elas são de barra Kelly, mas como seus torques, profundidades e diâmetros máximos variam muito, algumas podem receber kits de aplicação que as tornam mais versáteis, tal como a hélice contínua CFA, implemento de Soilmixing, micro estacas, martelos hidráulicos e outros.

Com fabricação no Brasil, nos Estados Unidos e na Itália, a CZM fechou uma associação comercial que deu aos seus produtos uma dimensão internacional. Seus equipamentos de perfuração são montados sobre chassis de escavadeiras Caterpillar e John Deere. Tudo se fez sob parcerias com estes conhecidos fabricantes. Assim, uma empresa que adquira um equipamento CZM terá a facilidade de uma peça de reposição e assistência técnica de marcas que têm presença mundial.

Lançamentos

A tradicional marca alemã Bauer está entre os provedores de equipamentos de fundação que oferece o pacote completo, ou seja, tanto as barras de perfuração como os equipamentos de tração. Seu portfólio é enorme, mas recentemente na Bauma China, a empresa apresentou novos produtos de sua Value Line BG (introduzida em 2011), que podem estar mais adaptados à realidade de mercados emergentes.

Trata-se de duas perfuratrizes desenvolvidas com a eficiência operacional em mente: a BG30 e a BG26, ambas feitas para perfuração com barra Kelly. Os equipamentos são bastante parecidos, mas têm aplicações algo diferentes. Seus diâmetros máximos de perfuração são iguais, chegando a um máximo de 2.500 milímetros. Mas a profundidade alcançada pela BG26 é de 77 metros, enquanto a BG30 alcança os 87 metros de profundidade.

Os torques máximos de cada uma são também diferentes. A BG30 se revela mais potente, com seu torque máximo de 300 kNm, enquanto a BG26 alcança o máximo de 264 kNm. Claramente, são máquinas dirigidas a clientes que trabalham com um certo leque de operações, como edificações de muita altura, construção industrial e obras subaquáticas, por exemplo.

Outro importante fabricante europeu é a italiana Soilmec, que também trabalha oferecendo pacotes fechados de equipamentos. Entre suas mais recentes apresentações ao mercado, está um novo modelo de microestaqueadora. Trata-se da SM-22, máquina que substitui os modelos considerados clássicos no portfólio da empresa, a PSM-1350 e a SM-20.

Ela é um equipamento multipropósito, por suas diferentes possibilidades de configuração. A Soilmec afirma que a SM-22 pode trabalhar em operações de jet grouting, consolidação, microestacas e mesmo em drenagens. Com torque de 120 kNm e profundidade máxima de 24 metros, o equipamento atua com velocidade de 124 rpm e tem diâmetro máximo de 415 milímetros.

Além disso, a nova SM-4 é também uma perfuratriz multipropósito, mas que é mais especificada para entrar em espaços confinados. É o equipamento mais compacto de todo o portfólio Soilmec. Seu desenvolvimento é bastante diferente, já que o conjunto de força é externo e autônomo, oferecendo opções de motor diesel e elétrico (diesel da Deutz com 115 kW e elétrico da ABB com 110 kW).

A SM-4 é um equipamento para operações compactas e precisas, podendo trabalhar bem até dentro de edifícios, com diâmetro máximo de 600 milímetros, no caso de operar com hélice contínua. Mas também pode receber implementos de clamps ou rompedores, que neste caso operam suspensos por um cabo. Outro ponto especial da SM-4 é que a máquina se inclina em até 45 graus para ambos os lados.

Informação

Mas de nada serviriam as tecnologias de perfuração se não fosse possível avaliar a qualidade do buraco escavado pelo maquinário pesado.

Assim, a empresa norte-americana Pile Dynamics, que oferece sistemas digitais que complementam a operação de fundações com informações técnicas, criou o sistema SQUID (Shaft Quantitative Inpection Device). Trata-se de um dispositivo que se acopla à barra de perfuração, e quando ele encontra o fundo do buraco, faz medições de tolerância à carga e penetração.

Basicamente, o SQUID põe penetrômetros adentro do fundo do buraco, que são capazes de realizar as medições e informar por sistema sem fio aos responsáveis pela operação. Então, o engenheiro poderá avaliar se a resistência das laterais do buraco está adequada, e a também a capacidade do fundo do buraco em resistir à pressão. Se uma estaca vai ser concretada ali, por exemplo, o SQUID fornecerá de antemão um dado que pode ajudar a definir por exemplo, a mistura de concreto mais adequada para tal ou qual fundação.

Sob terra ou mar, o certo é que as bases para sólidas estruturas em construção neste continente encontram no mercado contemporâneo um apoio bastante seguro.

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