Esperando a recuperação

By Cristián Peters15 September 2017

O mercado de bombas de concreto caiu drasticamente nos últimos anos, mas a indústria espera voltar à normalidade.

Schwing s36 x

A S 36 X da Schwing-Stetter oferece um alcance vertical de 35,2 metros, e alcance horizontal de 31,25 metros.

Seguindo a tendência da economia geral da região e seu impacto no setor de construção, o mercado de equipamentos experimentou uma queda estrepitosa na América Latina nos últimos anos.

As bombas de concreto, é claro, não ficaram a à margem desse efeito. Segundo algumas cifras de mercado, se em 2013 no Brasil foram vendidas 600 bombas (cerca de 200 bombas lança e 400 city-pumps), nos primeiros meses de 2017 o número não chegaria a três.

Está claro que 600 unidades por ano pode ser um número alto demais. Segundo Leonardo GUastafierro, gerente para América Latina da CIFA, “excluindo-se o México, na região se produzem e vendem aproximadamente 150-170 autobombas lança, 400 bombas estacionárias e cerca de 1,7 mil betoneiras sobre caminhão”.

Guilherme Zurita, gerente comercial e de engenharia da Liebherr Brasil, afirma que “o tamanho do mercado brasileiro não é o de 2013, que pode ser um número ao qual nunca mais chegaremos. O que vemos como normal é o de 2014, em que o mercado de bombas ficou próximo a 300-350 equipamentos”.

Mas assim como o Brasil mostra ainda um panorama muito negativo para estes equipamentos, há outros países que estão se mexendo um pouco mais. Segundo Octavio Perdomo, gerente regional para América do Sul da Schwing-Stetter, “o comportamento do mercado tem sido plano, destacando-se positivamente países como Argentina, Colômbia, Bolívia e Peru, com um aumento interessante na compra de equipamentos. Os grandes da região, como Brasil e México, continuam tendo comportamento incerto, mas estamos preparados para quando eles reagirem positivamente”.

O executivo reconhece que a América Latina está passando por um período historicamente baixo nas vendas, mas se mostra otimista frente as possibilidades que podem ser geradas no curto e médio prazo.

Richard Boucher, da Mayco/Multiquip, também se manifesta de forma otimista a respeito do Mercado, afirmando que “a demanda na América Latina está crescendo uma vez mais. Com o setor minerador retomando timidamente, a demanda por bombas está experimentando um aumento constante. Esperamos que as coisas melhores à medida em que cresçam as economias locais”, assegura.

Nesta mesma linha, Marcos Aguilar, vice-presidente de vendas para a América Latina e Caribe da Putzmeister, indica que “os últimos dois anos foram desafiadores para o mercado em geral. 2015 foi o último ano de decrescimento, em 2016 começou a estabilização, mas a um nível muito baixo, e agora vemos uma leve reativação. Vemos um retorno do México, influído pela retomada dos Estados Unidos. Países como Peru, Argentina, Bolívia e Colômbia estão crescendo de novo. Somos positivos e entusiastas com o que poderá acontecer nos próximos cinco anos”.

Não obstante, o executivo reconhece que há países que estão muito deprimidos, como o Chile, nos quais não se nota recuperação a curto prazo. Com relação ao Brasil, diz que “não está piorando, mas também não está melhorando. Fizemos ajustes no tamanho da nossa empresa no Brasil, e fomos afortunados de poder apoiar nossa atividade através de exportações ao restante da América Latina. A fábrica minimizou sua produção, administração, montagem etc. para manter uma operação saudável e poder atender o mercado brasileiro, mas mantivemos a parte técnica. Quando o mercado começar a retomar será muito fácil para nós respondermos, e poder apoiar os clientes da companhia”, afirma.

Putzmeister

A Putzmeister participou dos maiores projetos na América Latina, destacando-se sua atuação na ampliação do Canal do Panamá.

A Schwin-Stetter também conta com uma unidade no Brasil – desde a qual atende a toda a América do Sul -, que tal como sua principal competidora reduziu seus níveis de produção e reestruturou sua gestão com a finalidade de diminuir custos operacionais, mas como já advertiu a empresa, sem descuidar da área de vendas, produção, serviço ao cliente e a proximidade com os distribuidores. De fato, recentemente a empresa vem fazendo grandes mudanças e designações de distribuidores na região.

Tecnologias

“Nossa tecnologia se caracteriza principalmente pela otimização da potência nos equipamentos, menos peças de reposição, durabilidade dos acessórios, maior valor de revenda e funcionamento contínuo por ter sensores elétricos sensíveis ao pó e à água”, afirma Perdomo, que além disso destaca que “três das quatro válvulas oscilantes do mercado são patentes Schwing (correderas, tubo S e Rock), e nos alegra saber que a concorrência use nossas patentes. Atualmente trabalhamos com a válvula Rock como patente vigente”, acrescenta.

“As bombas Liebherr têm como conceito sua robustez, durabilidade e componentes para uma vida longa e segura. Usamos um comando eletrônico (como alternativa ao mecânico) que permite a melhor utilização dos componentes e a potência do motor, dando maior eficiência e durabilidade”, afirma Zurita.

Mas tendo diferentes tipos de tecnología e capacidades, como escolher o equipamento adequado? “Depende do tipo de obra, especificação do concreto, espaço para manobrar, recursos em obra, obstáculos, tempo de percurso à obra etc”, diz Perdomo.

Por sua vez, Boucher menciona que “o traço do concreto a se bombear, a distância da bomba até o ponto de colocação, e o volume a alcançar no ponto de colocação”, como as três principais considerações.

Na escolha das bombas também influem fatores de norma. Embora em geral as bombas estacionárias rebocáveis são muito cotadas na América Latina, a regulação de trânsito brasileira faz com que o mercado prefira as city-pumps, ou seja, já instaladas sobre caminhão.

Outro aspecto mencionado por Zurita, da Liebherr, é que o mercado latino-americano às vezes procura por equipamentos com a menor tecnologia possível, o que pode ser por falta de capacitação dos operadores, ou talvez por supostas facilidades (mal interpretadas) do equipamento manual, e claro, pelo preço.

“A América Latina é um mercado muito volátil, de altos e baixos, e com elevado número de produtores locais para o maquinário de concreto. O baixo custo de investimento de tais unidades é a constante nestes mercados. A região é um mercado orientado ao preço”, afirma Leonardo Guastafierro, gerente de área para América Latina da CIFA.

Apesar disso, Aguilar, da Putzmeister, afirma que “embora há 20 anos o custo era decisivo na escolha do equipamento, hoje a América Latina vai pouco a pouco incorporando em sua decisão os avanços tecnológicos. Os projetos são maiores, mais sofisticados, pelo que os engenheiros abriram sua mente a equipamentos mais eficientes, preocupando-se majoritariamente com o custo por metro cúbico”.

Maior capacidade

Cifa

Na América Latina, a CIFA destaca sua linha Classic. Na foto, uma K38C, com lança de 38 metros.

“Historicamente, a diferença mais notável entre os fabricantes norte-americanos na América Latina é o uso de pequenas bombas de reboque para trabalhos que nos Estados Unidos seriam feitos usando-se máquinas muito maiores. Esta maior demanda de desempenho nas unidades significa que as empreiteiras latino-americanas devem pôr muito mais ênfase nos intervalos de manutenção programados e na disponibilidade de peças”, comenta Boucher.

“Frequentemente, recomendamos a nossos clientes usar equipamentos maiores devido às altas demandas de rendimento sobre as unidades, em comparação com seu uso nos EUA. Além disso, as considerações de grande altura nos Andes e no México com frequência significam que será necessário um motor de maior potência para se obter o mesmo rendimento que em baixas altitudes”, agrega ele.

Zurita coincide em que a tendência por equipamentos é esta, e comenta que a Liebherr conta com máquinas muito grandes que são destinadas em sua maioria ao mercado europeu, mas que por aqui se escolhem equipamentos de menor tamanho e produção. Ainda assim, adverte contra a subutilização e a baixa produtividade dos equipamentos. “Em general, a produtividade das bombas de concreto no Brasil é baixa. É um fator histórico, pouco planejamento e automação das construções. Os operadores de bombas dizem que há muitos problemas que impedem que a produtividade seja alta. Nosso equipamento é grande para o mercado, precisamos de mais produtos na família de bombas. Isso é o que a Liebherr está objetivando. Equipamentos de menor tamanho e menor produção”.

Novos atores

O mercado latino-americano já viu passarem muitas empresas oferecendo bombas de concreto. Sem ir mais longe, um dos atores mais recentes do mercado na região é a própria Liebherr, que entrou em 2015. Isto é percebido com satisfação pelos clientes, que contam com maiores opções de máquinas, assim como por toda a indústria. “Sempre foi bom ter concorrência; te permite comparar”, avalia Perdomo, da Schwing-Stetter.

“Noto nos últimos anos a chegada de novas marcas orientais, mas ao mesmo tempo também vejo outras que saíram do mercado. Novos competidores e mudanças no mercado provocam um pouco de movimento e reorganização no modo de fazer negócios. Eu avalio isso de maneira positiva, buscando novos desafios e modificando a cada vez nossa estratégia e modus operandi”, diz Guastafierro.

Mas embora os fabricantes de bombas entrem e saiam, o fator mais importante para que uma empresa possa se manter viva e relevante parece ser sua capacidade de proporcionar serviços de pós-venda. Neste sentido, Boucher destaca que a “Mayco já vende bombas na América Latina há mais de 40 anos. As marcas que duram são as que estão comprometidas”.

Por sua vez, Aguilar confirma que “todos oferecem tecnologias para movimentar concreto de um ponto a outro, mas a máquina terá que ser mantida e pode ter que passar por consertos. Quão rapidamente podem ser obtidas as peças, e a que valor? A infraestrutura de suporte que temos é um dos nossos maiores ativos”, assegura.

 

Reed destaca sua Série B

Outro ator com importante presença é a norte-americana Reed, que conta com distribuição em grande parte do mercado latino-americano.

Reedb50concretepump

A bomba rebocável B50 tem capacidade de produção de 38 m3/hora.

A empresa tem em destaque no seu portfólio de bombas de concreto rebocáveis a Série B, que se diferenciam por um sistema hidráulico de “Circuito Aberto”, e por possuir uma bomba de pistões de caudal variável. A empresa diz que são fáceis de operar e manter.

Com capacidades de que vão desde os 15 m3/hora (no caso da B20) até os 54 m3/hora (modelo B70), estas bombas estão equipadas com motores diesel Cummins de alto torque, que oferecem uma operação mais silenciosa e mais eficiente (RPM reduzido). “A variedade de faixas de capacidade e pressão faz com que as bombas da Série B sejam as melhores para qualquer aplicação”, diz a empresa.

 

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