Em processo

06 November 2014

Em um contexto em que grande parte dos países da América Latina e do Caribe estão anunciando grandes projetos de infraestrutura, tendência que vai aumentar na medida em que os governos anunciam estratégias anticíclicas, e sob um prisma necessário de integração e desenvolvimento, o quinto Congresso Sul-Americano de Infraestrutura, organizado pela BNAmericas, ganha especial relevância.

O evento, que contou com a presença da Construção Latino-Americana, foi realizado em Bogotá, Colômbia, nos dias 22 e 23 de outubro. Lá, foram analisadas as oportunidades das parcerias público privadas (PPP), as alternativas para promover a integração e a competitividade dos países da região, as novas tecnologias e os desafios de financiamento que devem ser enfrentados pela indústria, entre outros fatores.

Mas mesmo com uma agenda cheia, houve um tópico de especial relevância: o transporte. Rodovias, portos, aeroportos e transporte urbano roubaram as atenções.

Rodovias

Uma melhor infraestrutura do transporte é prioridade não só pelas evidentes carências regionais, mas também porque é um aspecto sine qua non para diminuir as diferenças econômicas, logísticas e sociais. Segundo comentou Carlos García Montes, vice-ministro de infraestrutura do Ministério de Transporte da Colômbia, “as rodovias não só devem unir dois pontos distantes, mas também desenvolver os polos intermédios. O desafio de nossos governantes deve estar focado em oferecer às nossas comunidades mais distantes os meios necessários para vincular-se com outras populações e mercados”.

Ou seja, uma estrutura rodoviária em bom estado fortalece as comunidades e impulsiona o desenvolvimento das atividades produtivas.

O executivo colombiano destacou o aumento dos investimentos em infraestrutura e a execução do orçamento. “Se anteriormente eram investidos 2 trilhões de pesos colombianos anuais, agora investe-se 7 trilhões. Antes as execuções do orçamento eram de 49% em 2002, em 2013 essa cifra chegou a 92%”, assinalou.

Segundo vários palestrantes e participantes, o presidente José Manuel Santos implementou ferramentas normativas muito modernas e efetivas. Entre suas inovações, destaca-se seu programa de concessões 4G, que prevê a realização de 40 projetos que somam 8 mil quilômetros de rodovias e US$ 25 bilhões em investimentos, segundo afirmou Iván Fierro, gerente de projetos da Agência Nacional de Infraestrutura da Colômbia (ANI).

Ele destacou um dado relevante para todas as nações que seguirem esse modelo: “estas concessões também trazem um efeito multiplicador de 1,5% do PIB durante a construção, operação e manutenção das rodovias”. O úmero traduz a geração de mais competitividade e eficiência através de rodovias. “As novas rodovias, por exemplo, vão reduzir em 46% o tempo de traslado entre Medellín e Cali, o que vai melhorar a logística e o comércio”, detalhou.

De um ponto de vista mais regional e de integração, Javier Reátegui, presidente do Parlamento Andino, se referiu à iniciativa da Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), projeto que nasceu como uma agenda para gerar projetos comuns em transporte, energia e telecomunicações entres os países da América do Sul. O executivo reafirmou seus princípios básicos, de “regionalismo aberto, eixo de integração e desenvolvimento, aumento do valor agregado da produção, convergência normativa, PPP” etc.

Portos

Em relação a portos, a grande notícia foi dada pelo vice-secretário de Transportes do Chile, Cristián Bowen, que anunciou que o Chile está estudando a possibilidade de um porto de grande porte, junto aos portos já existentes em San Antônio ou Valparaíso, onde poderiam se agregar capacidades anuais de seis milhões e três milhões de TEUs, respectivamente. Hoje, os dois maiores portos chilenos somados têm capacidade para 2,3 milhões de TEUs anuais. A decisão final será tomada em 2015.

Segundo o vice-secretário, o Chile investirá até 2030 US$4,06 bilhões na ampliação da capacidade de carga, principalmente nos portos de Iquique, San Antônio e Valparaíso, além de melhorar a cadeia logística ferroviária e rodoviária com investimentos de US$820 milhões até 2017.

Isso tem uma importância vital, segundo comentou Bowen, já que as ineficiências na cadeia logística impactam o preço dos produtos. No Chile, essa porcentagem é em média de 18%, no México 20% e na Colômbia 23%. Os países da OCDE registram 9% nesse item.

Aeroportos

A América Latina e o Caribe contam com 574 aeroportos e uma centena de linhas aéreas em operação, e o setor continua se movimentando vendo como suas capacidades não são suficientes. Exatamente por isso vemos grandes projetos de investimentos, como o novo aeroporto internacional da Cidade do México, que vai substituir o atual Benito Juárez, cuja capacidade de 32 milhões de passageiros por ano já não é suficiente.

Jaime Escobar, ex-secretário de Sistemas Operacionais de Aeronáutica Civil da Colômbia, destacou a participação privada nos aeroportos, em sua administração, operação, exploração comercial, manutenção, ampliação, desenho e construção, e aplaudiu os esforços que estão sendo realizados com vistas a melhorar a infraestrutura não só dos grandes operadores, mas também daqueles de menor tamanho.

Entre alguns dos desenvolvimentos e ampliações mencionados por Escobar estão os aeroportos Scarlett Martínez no Panamá, Palmerola em Honduras, Costa Esmeralda na Nicarágua, Aeroporto do Café na Colômbia, e Aeroporto Internacional de Pisco no Peru. Apenas estas cinco iniciativas demandam investimentos próximos a US$ 650 milhões.

Mas além dos projetos em execução e seus financiamentos, ex-secretário mencionou algumas das chaves para o sucesso que é preciso considerar, como contar com um plano integrado (levando em conta que mais de cinco entidades diferentes operam no mesmo espaço), projeções reais de tráfego, regulação econômica efetiva e consultas às linhas aéreas.

Transporte urbano

Não há dúvida que o Peru levou muito a sério o crescimento de sua rede de metrô. Tendo ampliado a sua primeira linha há apenas alguns anos, o país já está trabalhando na engenharia do traçado de sua segunda linha, cuja construção demandará US$6,5 bilhões. Segundo se anunciou no evento, os estudos de pré-investimento (perfil e viabilidade) da Linha 3 foram licitados há pouco tempo, enquanto o processo para a contratação do consultor integral para a concessão da Linha 4 do Metrô será iniciado durante os próximos meses.

Yaco Rosas, da direção de promoção de investimentos da ProInversión, diz que as duas novas linhas são projetos de características similares às da Linha 2, razão pela qual o investimento de cada uma deveria estar em torno dos US$ 5 bilhões. A cifra real será conhecida quando os estudos de investimento estiverem prontos, os que, segundo Rosas, deveria acontecer em 2015.

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