Eletrificação: em que pé estamos?

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A busca global por fontes de energia menos agressivas ao meio ambiente gera mais e mais ações e busca por conhecimento entre as empresas.

As constantes inovações tecnológicas têm desempenhado um papel fundamental na promoção da sustentabilidade. Isso ocorre porque essas inovações tornam as fontes de energia renovável cada vez mais acessíveis e essenciais.

A adoção da eletrificação de veículos no Brasil ainda está em estágios iniciais ao ser comparada com os números globais, mas se tornando uma realidade cada vez mais evidente no país. Foto: Adobe Stock by freshidea

Esse avanço tecnológico tem impulsionado o processo de eletrificação na indústria. Além de contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa, a eletrificação industrial oferece diversas vantagens significativas para os negócios.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a matriz energética mundial em 2020 era composta por petróleo e seus derivados (29,5%), carvão mineral (26,8%) e gás natural (23,7%). As fontes renováveis, como solar, eólica e geotérmica, correspondem a apenas 2,5% desse total. Somando a participação da energia hidráulica e da biomassa, as fontes renováveis totalizam cerca de 15% do consumo de energia no mundo.

Um estudo desenvolvido pelo Portal Solar indica que a demanda extra por energia elétrica decorrente da eletrificação dos veículos deve movimentar o mercado nacional de energia solar em R$ 2,2 trilhões até 2050. O relatório aponta que a energia solar pode ter um papel relevante, dada a necessidade de uma adição de 540 gigawatts em sistemas fotovoltaicos.

O estudo do Portal Solar aponta que a transição de motores a combustão por elétricos na frota circulante atual (59,9 milhões de veículos, segundo o Sindipeças) traria uma demanda adicional de 403 terawatts-hora/ano (TWh/ano). Foto: Portal Solar

O estudo foi feito a partir de cruzamento de dados oficiais e projeções de entidades setoriais, órgãos de governo e também de institutos internacionais. As informações apontam para queda dos preços de equipamentos fotovoltaicos, melhora na geração por metro quadrado das placas solares e projetos de instalação rápida e custo reduzido na geração descentralizada (fora da rede pública). Estes são fatores que permitem a disseminação de uso dessa fonte alternativa.

“Em razão de exigências ambientais, custos de investimento e possibilidade de geração elétrica próxima ou junto ao local de consumo, a energia solar fotovoltaica se posiciona como a tecnologia mais viável para atender a esse crescimento de demanda”, estima o CEO do Portal Solar, Rodolfo Meyer.

A venda de veículos eletrificados no Brasil (os 100% elétricos mais os híbridos) cresceu 57,8% no primeiro semestre, mas o número total desde o início das vendas (2012) é próximo a 140 mil unidades apenas.

Passos para a eletrificação de frotas no Brasil

Entre os muitos desafios da gestão de frotas, um dos principais deles é como tornar toda a operação mais sustentável e alcançar mais eficiência para a empresa.

Apesar da eletrificação ainda não ter a mesma velocidade que tem na Europa, o cenário é promissor para empresas que atuam em território brasileiro: de acordo com estudo da McKinsey & Company, o total de veículos elétricos no país deve alcançar a marca de 11 milhões de unidades em 2040.

A matriz elétrica brasileira é ainda mais renovável do que a energética, isso porque grande parte da energia elétrica gerada no Brasil vem de usinas hidrelétricas. Foto: www.epe.gov.br

O melhor é que o brasileiro está preparado para essa mudança: o mesmo levantamento mostra que 44% dos entrevistados no Brasil já estão em busca de uma alternativa mais sustentável para deslocamento, um número 11% maior do que a média mundial, por exemplo.

Todo esse cenário é excelente e favorável, mas quais são os próximos passos para quem tem uma frota e quer eletrificá-la? Afinal, apesar de todos esses benefícios, existem alguns desafios.

Por que contar com veículos elétricos na frota corporativa?

Redução do CO2: contribuindo para um planeta mais limpo

Os elétricos são amplamente reconhecidos por sua contribuição significativa na redução das emissões do dióxido de carbono (CO2). Em comparação com os veículos a combustão interna, produzem zero emissões no tubo de escape. Essa característica é fundamental para combater as mudanças climáticas, mitigando o efeito estufa e diminuindo a pegada de carbono das empresas. Além disso, a redução das emissões de CO2 em alguns casos pode ajudar as empresas a cumprirem regulamentações ambientais mais rigorosas, evitando penalidades.

Diminuição da pegada de carbono

Como consequência do tópico acima, há outro benefício: a diminuição da pegada de carbono, uma métrica essencial para avaliar o impacto ambiental de uma empresa. Além de produzir menos emissões de CO2, a eletricidade utilizada para recarregar esses veículos pode ser proveniente de fontes renováveis, como energia solar ou eólica. Ao investir em carros elétricos, empresas demonstram compromisso com a sustentabilidade.

Agenda ESG: atraindo investidores responsáveis

A agenda ESG (Ambiental, Social e de Governança) tem ganhado destaque nos círculos de investimento e influenciado a tomada de decisões de investidores institucionais. Investidores que priorizam critérios ESG tendem a apoiar empresas que adotam práticas sustentáveis. A inclusão de veículos elétricos na frota pode, portanto, tornar a empresa mais atraente.

Valorização da marca e satisfação dos condutores

Por fim, investir em uma frota elétrica demonstra o compromisso da empresa com a responsabilidade ambiental. Essa postura pode gerar uma maior valorização da marca e uma reputação positiva entre os clientes, fornecedores e colaboradores.

A XCMG anunciou em junho o lançamento do caminhão elétrico rodoviário E7-49T no Brasil. Com PBTC de 49 toneladas e autonomia de até 150 km com uma carga, veículo é o primeiro cavalo-mecânico com propulsão totalmente elétrica do mercado brasileiro.

Com atuação em mais de 180 países, a XCMG (Xuzhou Construction Machinery Group Co. Ltd.) possui uma extensa lista de veículos 100% elétricos: caminhões off-road para mineradoras, carregadeiras, caminhão rígido rodoviário, escavadeiras e empilhadeiras.

Primeiro da categoria com zero emissão de poluentes, o E7-49T tem autonomia de 150 km com uma carga. E de acordo com Ricardo Senda, diretor de veículos elétricos, o caminhão encontra aplicação no transporte de distâncias mais curtas, como por exemplo, entre uma empresa e um fornecedor próximo, ou mesmo entre Centros de Distribuição.

Foto: Volvo

Também em Junho, a Volvo Trucks iniciou os testes de seu caminhão elétrico, o FM Electric, no Brasil. A montadora firmou parceria com transportadoras brasileiras para incluir o modelo em rotas reais de operações em diferentes regiões do país.

A iniciativa tem o objetivo de coletar dados técnicos e impressões dos clientes em aplicações típicas do transporte de carga em serviços urbanos e rodoviários.

“Os relatos têm sido muito positivos. Além da ausência total de emissões, os transportadores constatam também grande eficiência energética, inexistência de ruído, baixíssima vibração e alto conforto para o motorista”, garante Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina.

Com potência equivalente a 660 cv, o novo caminhão elétrico da Volvo promete autonomia de até 300 km. A versão em testes no Brasil tem cavalo-mecânico com peso bruto total combinado (PBTC) de 44 toneladas para ser montado com três motores elétricos combinados a um conjunto de até seis baterias, o que soma capacidade de armazenamento de energia de 540 kWh.

A depender da quantidade de baterias e potência do carregador, a recarga leva de 1h30 a 8h.

Em março, a Scania concluiu a entrega do maior caminhão elétrico da Noruega à pedreira de calcário Verdalskalk, localizada em Verdal, Noruega.

Já a Scania e a Northvolt desenvolveram o que deve se tornar a nova geração de baterias de caminhões elétricos. Segundo as fabricantes, o novo sistema tem longa durabilidade. Assim, pode funcionar de forma eficiente por cerca de 1,5 milhão de km, informam as duas companhias. Ou seja, o dispositivo pode funcionar pelo equivalente à média da vida útil dos atuais caminhões a diesel.

A Scania entregou o maior caminhão elétrico da Noruega à pedreira de calcário Verdalskalk em Verdal, Noruega. Com um peso total de 66 toneladas, transportará anualmente cerca de 120.000 toneladas de cal da pedreira para o porto para embarque. O consumo anterior de combustíveis fósseis na rota será reduzido em 58.800 litros e as emissões de CO2 em 156 toneladas.

“Estamos muito orgulhosos de sermos pioneiros nesta área”, diz Ketil Aksnes, da Verdalskalk. “Com o novo caminhão em operação, isso também significará menos ruído para os moradores ao longo de nossa rota de transporte de 20 quilômetros”.

O caminhão, um P 45 com três eixos e capacidade de bateria de 300 kWh, faz parte do programa Pilot Partner da Scania – uma colaboração com clientes selecionados em soluções de transporte elétrico ainda não introduzidas no mercado. “A Scania já tem uma série de veículos pesados com diferentes soluções de desenvolvimento em curso, mas este é o primeiro que estamos a colocar em operação na Noruega”, afirma Tony Sandberg, diretor de Pilot Partner da Scania.

Custos com eletricidade são decisivos para tornar caminhões elétricos rentáveis

A rentabilidade para os operadores de caminhões elétricos em comparação com os de modelos a diesel depende da região de atuação, principalmente levando-se em conta o valor da eletricidade e do diesel. Em países com muita movimentação, como França e Alemanha, o preço baixo da eletricidade em conjunto com um custeamento planejado para caminhões a diesel gera um efeito positivo nos custos operacionais de caminhões elétricos.

Foto: Mercedes-Benz

O eActros 600, por exemplo, pretende ser mais rentável do que um caminhão a diesel para longas distâncias levando-se em conta o período médio de manutenção do veículo (aproximadamente cinco anos) ou após atingir a marca de cerca de 600.000 quilômetros, apesar de seu preço de aquisição ser duas a duas vezes e meia superior ao valor de um caminhão equivalente a diesel. O subsídio do governo para caminhões elétricos e infraestrutura de recarga também é fundamental para o crescimento deste segmento.

Eletromobilidade trará mais oportunidades para frotistas

A eletrificação do transporte rodoviário de longas distâncias mudará o modelo de negócios das empresas do setor e criará oportunidades de vantagem competitiva em vários níveis. Por exemplo, cada vez mais clientes estão atribuindo importância ao transporte neutro em CO2. Os fornecedores que não puderem atender a esse requisito perderão espaço no mercado.

Quais são os passos para a eletrificação de frotas aqui no Brasil?

Mas o que fazer, na prática, para contar com uma frota de carros elétricos no Brasil? Para a LeasePlan | ALD Automotive, alguns cuidados podem ajudar.

Definir os objetivos

O primeiro passo para a eletrificação da frota é definir claramente os objetivos que deseja alcançar. Isso inclui determinar metas de redução de emissões do CO2, manutenção, economia de combustível e custos operacionais. Estabelecer metas claras ajudará a orientar todas as etapas subsequentes do processo de eletrificação. Assim, o investimento não será apenas para mudar, mas sim para alcançar metas específicas que vão ajudar no desenvolvimento do negócio.

  1. Entender quais são os veículos e tecnologias disponíveis. Antes de tomar qualquer decisão, é fundamental entender as opções de veículos elétricos disponíveis no mercado brasileiro. Isso inclui carros elétricos, híbridos plug-in e veículos utilitários elétricos. Além disso, é importante estar atualizado sobre as tecnologias de carregamento, incluindo os tipos de carregadores. Tudo isso pode contribuir para uma operação muito mais eficiente em todos os aspectos do negócio.
  2. Analisar a infraestrutura de geração e armazenamento de energia. Uma infraestrutura adequada de geração e armazenamento de energia é crucial para o sucesso da eletrificação da frota. Isso envolve o mapeamento dos locais onde os condutores atuam para identificar pontos de carregamento nestes trajetos, possíveis pontos de instalação de estações de carregamento elétrico em locais estratégicos da frota, bem como a consideração de fontes de energia renovável, como painéis solares para alimentar essas estações. Esse passo é essencial para garantir a disponibilidade de energia para os veículos elétricos. Especialmente em frotas maiores, é preciso pensar em como os condutores vão utilizar os veículos com praticidade em suas rotinas.
  3. Avaliar todos os custos da operação antes de qualquer decisão. Avaliar os custos operacionais é um passo crítico na eletrificação da frota corporativa. É importante considerar não apenas o custo de aquisição dos veículos elétricos, mas também os custos de carregamento, manutenção, seguro, depreciação do veículo, bem como o comportamento do condutor, que está totalmente ligado a vida útil da bateria. Comparar esses custos com os veículos a combustão interna permitirá tomar decisões assertivas sobre a eletrificação. Com dados em mãos, as decisões tendem a ser muito mais relevantes, evitando suposições.
  4. Planejar a transição para não prejudicar a operação. A transição para uma frota elétrica deve ser cuidadosamente planejada para evitar interrupções na operação. Isso inclui a definição de um cronograma de implantação que minimize o impacto nas atividades diárias da empresa. Planejar a transição de forma gradual e estruturada é fundamental para garantir um processo suave. Como se trata de uma mudança grande e com altos investimentos, é essencial planejar cada passo para evitar que esse processo se torne um desafio para a companhia.
  5. Treinar e educar todos os condutores. A capacitação dos condutores é um elemento-chave para o sucesso da eletrificação da frota. Os condutores devem ser treinados para operar veículos elétricos de maneira eficiente, aproveitando ao máximo a autonomia da bateria e compreendendo os procedimentos de carregamento. Além disso, é importante educar os condutores sobre os benefícios ambientais da eletrificação. Mais do que isso, eles precisam entender quais são os ganhos para a empresa e a importância de garantirem o bom cuidado dos veículos.
  6. Desenvolver um plano eficiente de manutenção. Os veículos elétricos têm requisitos de manutenção diferentes dos veículos a combustão. É crucial desenvolver um sistema de manutenção eficiente que inclua a inspeção regular da bateria, dos motores elétricos e de outros componentes específicos. Isso garantirá que a frota elétrica permaneça operacional e eficiente. É essencial consultar sempre o manual do veículo e cumprir com as indicações.
  7. Começar a operar com a frota de veículos elétricos. Com todos os preparativos concluídos, é hora de colocar os veículos elétricos em operação. Certifique-se de que a infraestrutura de carregamento esteja pronta e que os condutores estejam familiarizados com os procedimentos. Monitore cuidadosamente o desempenho dos veículos e a eficiência operacional durante esta fase inicial. Eventuais erros podem ser corrigidos com maior agilidade, evitando que essa transição acabe prejudicando o dia a dia de trabalho, por exemplo.
  8. Monitorar os resultados da frota elétrica e fazer melhorias. Após a implementação da frota elétrica, o trabalho não termina. É importante monitorar continuamente o desempenho dos veículos, coletando dados sobre o consumo de energia, manutenção e custos operacionais. Afinal, são esses dados que vão permitir a tomada de decisões. Com base nessas informações, faça melhorias contínuas para otimizar a eficiência da frota e alcançar os objetivos estabelecidos anteriormente.

Dica Importante

Em resumo, a adesão de elétricos na frota corporativa oferece uma série de benefícios claros. Além de reduzir as emissões do CO2 e diminuir a pegada de carbono, essa decisão pode impactar na satisfação dos condutores e aumentar a eficiência operacional no dia a dia, mas é importante começar gradativamente.

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