Deixando marcas concretas

By Clarise Ardúz05 October 2011

Definitivamente o concreto está se convertendo na melhor opção quando o assunto é pavimentação. Mas, o que faz esse produto ganhar do tão utilizado e conhecido asfalto? A expressão "bom, bonito e barato" poderia ser uma resposta adequada.

Pavimentar com concreto, segundo os especialistas no assunto, já não é um processo caro e difícil. Pelo contrário, graças aos novos equipamentos existentes no mercado, o uso do concreto termina sendo mais conveniente que o asfalto. Apesar de que continua sendo um processo que exige certo treinamento para trabalhadores e operadores das máquinas, os resultados possíveis de serem alcançados, quando essas pessoas sabem usar corretamente as pavimentadoras, são incomparáveis. Por essa razão, diversos países da América Latina vêm utilizando essa tecnologia com sucesso.

Com o objetivo de trocar conhecimentos sobre o uso, a evolução e o desenvolvimento na construção de pavimentos de concreto na região, o Instituto do Cimento e do Concreto do Chile (ICH, pela sigla em espanhol) realizou, em Santiago, o Seminário Internacional de Pavimentos de Concreto do Chile com Máquinas Pavimentadoras.

Participaram do encontro mais de cem professionais e técnicos relacionados ao desenho de projetos de pavimentação, inspeções técnicas, construtoras e supervisão de obras, que puderam conhecer as últimas tendências na utilização dessa tecnologia de alto rendimento.

Especialistas argentinos mostraram a evolução e a experiência na construção deste tipo de pavimentos, dando destaque para a rodovia Rosário-Córdoba, um dos principais sucessos e um importante exemplo do uso dessa ferramenta. Outra obra argentina importante é a Rota 19 que une Córdoba com Santa Fé, onde estão sendo construídos centenas de quilômetros em concreto, aplicando também máquinas pavimentadoras, que além de alcançar alto rendimento, entre 700 e 800 metros diários de estrada e bermas, de 12 metros ou mais de largura, geram uma dinâmica que tem contribuído ao desenvolvimento e à competitividade da região e do país.

"São várias as vantagens da utilização dessa tecnologia, desde o ponto de vista da qualidade, são pavimentos com uma melhor lisura e mais confortáveis, além da redução de custos pela elevada produção", disse Eduardo Marcolini, engenheiro civil e membro do Instituto do Cimento Portland Argentino. Segundo o especialista, a rodovia Rosário-Córdoba é uma obra emblemática, onde é possível encontrar uma extensão de 500 quilômetros de pavimento de concreto.

Mais benefícios

Mas não são apenas os menores custos e a qualidade os fatores que têm feito que a América Latina opte cada vez mais pelo concreto. Mauricio Salgado, chefe de pavimentações do ICH, acrescenta outro benefício, destacando que as superfícies de concreto são mais claras que as construídas com asfalto, o que contribui com a eficiência energética, já que é necessária menos iluminação para obter uma boa visibilidade na pista. Além disso, pelo fato de serem menos escuras, não absorvem tanto o calor, ajudando a minimizar o superaquecimento. Outras vantagens estão no processo de construção, com menos emissões e um processo menos invasivo sobre a estrutura pública preexistente.

Os especialistas também comentaram sobre o período de durabilidade entre os pavimentos asfálticos e os rígidos (de concreto). Enquanto os primeiros, em geral, podem durar 15 anos, podendo precisar de alguns reparos durante sua vida útil, os segundos chegam a superar os 20 anos de duração em excelente estado, mas para isso não podem ter existido falhas no seu processo de construção. É o que explica Ronaldo Vizzoni, chefe de Projetos de Pavimentação da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), que em sua palestra falou sobre os avanços tecnológicos da pavimentação com concreto no Brasil.

Vizzoni garante que é necessário saber utilizar corretamente as máquinas pavimentadoras para conseguir um produto final que ofereça todos os benefícios do pavimento de concreto. Para conseguir esse objetivo, no Brasil, a Associação começou a oferecer treinamento aos trabalhadores das empresas construtoras, depois de verificar que muitos projetos não terminavam com a qualidade final que deveriam, o que gerava uma menor durabilidade das pistas devido à construção com falhas. "Não existe maneira de consertar uma falha em uma placa de concreto, é preciso reconstruir o trecho", explica, o que geraria mais gastos.

Segundo afirmou Vizzoni, a ABCP decidiu então dar um empurrão na construção com concreto no país, pelas mesmas vantagens citadas anteriormente, já que utilizando as máquinas pavimentadoras é possível obter um melhor produto final, com mais lisura e durabilidade, e a um melhor preço. Para isso, a Associação adquiriu uma série de equipamentos de pavimentação e começou a oferecer treinamento para as construtoras.

"Hoje a qualidade das obras de concreto no Brasil é igual as das obras da Europa e dos Estados Unidos", garantiu.

Apesar das boas expectativas em países como Argentina, Brasil, Chile e México, ainda existe certa resistência na América Latina para os projetos de construção viária com concreto. Por essa razão, muitos palestrantes do evento fizeram ênfase ao fato de que é necessário estar abertos às novas tecnologias e esquecer os preconceitos.

Um dos que frisou esse tema foi Jorge Fuentes, diretor de Obras da empresa chilena Brotec Construcción, que no encontro falou sobre a experiência do uso dessa tecnologia no Chile e fez um pedido aos clientes. "Nós pedimos que os clientes não se limitem apenas aos projetos de asfalto, é necessário entender que é o mercado que vai decidir qual proposta é a mais barata", acrescenta.

O Seminário foi realizado no Auditório da Câmara Chilena da Construção, contou com o patrocínio da Câmara Chilena da Construção (CChC), o Instituto do Cimento Portland Argentino, ICPA, e a Asociação Brasileira de Cimento Portland, ABCP.

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