Cuidado: demolição

By Cristián Peters14 June 2016

La aplicación de las últimas tecnologías parece un factor común entre las grandes empresas de demoli

La aplicación de las últimas tecnologías parece un factor común entre las grandes empresas de demolición de Brasil y Chile.

Os escândalos de corrupção que puseram na primeira página as grandes empreiteiras brasileiras não impactou apenas o setor de construção, já que também a demolição sentiu um forte golpe na sua economia. “Sem as grandes empresas de construção desenvolvendo novos projetos, as empresas de demolição têm que buscar outras indústrias, menores. Ou seja, o mercado caiu nos últimos dois anos, mas acreditamos que Fábio Bruno Construções.

A empresa é uma das principais competidoras do ramo no país, e de acordo com seu executivo, aplica as maiores inovações em seus serviços. “Não poderia dizer que somos os primeiros, mas sem dúvida estamos entre os que têm o maior conhecimento e experiência”, afirma.

Esta mesma experiência se reflete no mais recente serviço realizado pela empresa, em maio último, que entre outras grandes dificuldades tinha o fato de acontecer a menos de 40 metros do hospital Albert Schweitzer. A Fábio Bruno Construções estava responsável pela demolição do edifício Olivério Kraemer, no Rio de Janeiro, estrutura de concreto armado e alvenaria de sete pisos e 25,9 metros de altura, com largura de 16 metros e profundidade de 52 metros.

Dado que uma demolição convencional teria tomado mais tempo, e não havia a possibilidade e trasladar os pacientes do Albert Schweitzer a outro recinto de saúde, a companhia sugeriu uma implosão. “Como já realizamos outros serviços de alta complexidade antes, no Brasil, convencemos a todos de que esta seria a melhor opção, mas para conseguir levá-la adiante teríamos que superar vários desafios”, define ele.

Entre os fatos que ele enumera, estava principalmente a necessidade de realizar a implosão sem ter que remover os pacientes do hospital; ao mesmo tempo não assustá-los; não permitir a entrada de poeira nas suas instalações; cuidados especiais com um salão de refeições que acabara de ser construído e que fica a menos de nove metros do edifício; a presença de uma subestação elétrica a menos de 12 metros da implosão, que não poderia ser desligada; e a evacuação de 1,2 mil pessoas localizadas num raio de 150 metros da implosão, às 6h30 da manhã de um domingo.

Segundo Fábio Bruno, os trabalhos começaram com a ruptura das paredes de alvenaria interiores e exteriores dos três primeiros pavimentos, e se desabilitaram algumas outras estruturas de concreto, como escadas e poços de elevadores. Além disso, “enquanto se realizavam as perfurações dos pilares para a colocação dos explosivos, preparamos o plano de fogo e enviamos a nossos sócios da Applied Science International (ASI), que se encarrega de simular nossas implosões”, conta.

Após a definição do plano de fogo, que considerou a utilização de 47,5 quilos de explosivos em 511 perfurações, estudou-se como minimizar o dano ao ambiente, incluindo o hospital, e entre as medidas adotadas o destaque foi para o uso de uma espoleta eletrônica que diminuía o deslocamento do ar e a vibração, que permitiu detonar cada perfuração a um tempo específico sem usar um cordão detonador ou espoleta exposta. Além disso, para minimizar a diferencia de ruído entre o silêncio total e a implosão foram colocados em todos os andares do hospital alto-falantes tocando a nona sinfonia de Beethoven, música que se iniciou 20 minutos antes das explosões, para então subir o volume durante a implosão. Bruno contou uma anedota sobre a escolha da música. “Estava em dúvida de que música escolher, comentei com a minha esposa e ela disse rapidamente ‘coloca a música do nosso casamento’, então não tinha outra opção”.

Para proteger as estruturas do salão de refeições e a subestação, utilizou-se um revestimento de metal, e caso a poeira o atravessasse, havia dois supressores de água. Também foi usada uma tela de 80 por 40 metros ao lado do hospital para conter a poeira que pudesse passar através do revestimento e dos supressores. “Depois da implosão, se pôde comprovar que a poeira não chegou à tela, já que ela estava completamente limpa”, comenta Bruno.

Para medir as vibrações do local do serviço se utilizaram três sismógrafos: um nos escritórios da Fábio Bruno, a 13 metros da implosão com 6,05 mm/s; um segundo no corredor de acesso ao hospital, a 15 metros da implosão e com 1,44 mm/s; e o terceiro dentro da subestação a 12 metros do prédio com 5,73 mm/s.

Com esta nova e bem-sucedida demolição a Fábio Bruno Construções conseguiu liberar todas as vias para o tráfego de pessoas e carros às 7h20.

Com história

Quando se fala de demolições no Chile, não se pode deixar de pensar na Flesan, empresa familiar com 30 anos de história, tempo em que ela cresceu e se diversificou até se tornar um provedor integral de serviços, entre os quais se encontram: demolições, reforço de terrenos, movimento de terra, obras civis e edificações.

É tal a presença da companhia na área de demolições que, segundo Emilio Salgado, diretor executivo da empresa, a Flesan “demoliu quase 95% de todos os edifícios que foram abaixo no Chile”.

A empresa, que há uma década também opera no Peru, fatura como grupo cerca de US$ 170 milhões (US$ 120 milhões no Chile e US$ 50 milhões no Peru), sendo a demolição responsável por 25% e 35% de suas receitas, respectivamente. Embora ele reconheça que se avaliaram outros mercados, por agora a empresa não vislumbra ampliar a internacionalização.

Segundo ele, o mercado chileno passou por uma grande profissionalização nos últimos anos. Neste sentido, a Flesan, além de se diversificar bastante, também investiu com força em novas tecnologias.

A empresa comparece a todas as feiras internacionais, procurando as novidades do setor. Assim, hoje a empresa conta com discos de corte, cortes a fio, fresadoras, aditivos extensores, cisalhas hidráulicas, cisalhas para metal etc. “O perfil desta empresa é incorporar tecnologia, é o que nos diferencia de todos os concorrentes”, diz Salgado.

Entre estas inovações, o diretor destaca um braço hidráulico Caterpillar com 26 metros de alcance, o que já lhe permitiu demolir edifícios com até dez andares, silos etc. O equipamento estava rumo ao Chile quando ocorreu o grande terremoto de 27 de fevereiro de 2010. “Devido ao terremoto, várias estruturas colapsaram, e foi muita obra naquela época”, afirma.

Hoje a Flesan está adquirindo um braço similar, mas para escavações.

Com três décadas de história, são inumeráveis as demolições emblemáticas que a Flesan realizou, mas para mencionar algumas contam-se os cinemas Las Condes, Astor, Ducal e Santa Lucía.

Não obstante, Salgado destaca entre os serviços feitos a demolição do edifício Diego Portales, no centro de Santiago, que ardeu num incêndio que consumiu seus 5 mil m2, “uma enorme estrutura metálica que colapsou sobre as lajes todas. Houve um grande trabalho de engenharia, cálculos de estruturas, cálculos de içamentos, etc. Ficamos com a etapa de demolição de concretos, sustentações e escavação”, afirma. Foram dois meses de serviço.

Embora o Chile seja um país com muitas regulações para diversos setores, incluída aí a demolição, ainda não existe uma norma para demolição urbana com uso de explosivos. A Flesan, apesar de trabalhar com implosões, elas foram para grandes estruturas, de maior volume e em zonas remotas, enquanto a demolição de residências se faz de maneira manual, controlada, com discos, cisalhas, martelos hidráulicos e outros equipamentos do tipo.

De toda forma, a implosão nem sempre seria uma opção adequada para demolir no Chile. “Por ser um país sísmico, a taxa de concreto armado é muito alta, portanto o uso de explosivos não entrega boa relação de custo contra o tempo”, explica Salgado.

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