Crescimento elétrico

05 November 2014

Central Jaguar en Guatemala

Central Jaguar en Guatemala

Estabelecida em 1994, a equatoriana SANTOS CMI tem experimentado um crescimento constante nos últimos 20 anos, que se reflete em três dimensões: dispersão geográfica, com presença em 18 países da região; de ramo, passando de ser só uma construtora a participar de todas as etapas de uma obra, o que é conhecido como EPC (engenharia, incorporação e construção, por sua sigla em inglês); e volume, com faturamento em 2013 de US$146 milhões, sendo a única empreiteira equatoriana incluída no ranking CLA50, publicado na edição passada da Construção Latino-Americana.

O foco da companhia é claro, e sua especialização tem andado de mãos dadas com os setores de geração elétrica, petróleo e gás. De fato, a capacidade de geração que a empresa já instalou chega quase a 8.500 MW e está em aumento, operando em projetos que vão somar mais de 1.885 MW.

Segundo comenta Pablo Moysam, vice-presidente comercial da companhia, 2014 tem sido um ano de sucesso, já que hoje a SANTOS CMI está envolvida em uma série de projetos energéticos. Esse ano, a empresa voltou à Guatemala, onde já havia construído uma central de 165 MW para a Duke Energy. Agora seu desafio no país é um projeto térmico a carvão de 300MW, para a Ashmore Energy.

No Chile, no entanto, onde a empresa já executou projetos elétricos como a turbina de 100 MW em “Los Pinos de Colbún”, ou a cogeração de 42MW da Mineradora Collahuasi, a companhia recentemente ganhou um contrato de EPC para uma cogeração industrial da empresa CMPC em sua fábrica de produtos derivados da celulose em Talagante, Santiago, onde será instalada uma turbina Solar Titan 250 de 25 MW.

Por outro lado, no Peru, a SANTOS CMI trabalha no contrato de Mollendo, central de 600 MW da IC Power. Esse projeto está sendo desenvolvido em consórcio com a POSCO E&C, empresa que adquiriu a SANTOS CMI em 2011 e que, segundo Moysam, “trouxe um grande suporte financeiro e operacional para nosso crescimento nos últimos anos e significa uma maior garantia aos nossos clientes na região”.

A empresa também incursionou no Brasil, onde já instalou 1.420MW e conta com vários contratos com a siderúrgica CSP para construir diferentes seções da nova usina integrada que se constrói perto de Fortaleza, incluindo uma central de cogeração de 200 MW.

No Uruguai, foi contratada pela Hyundai Engineering para construir todos os edifícios da fábrica de ciclo combinado de 450MW em Punta del Tigre, incluindo o edifício da turbina a vapor.

Finalmente, no seu Equador natal, a Santos CMI presta vários serviços de engenharia à empresa estatal Petroamazonas e atualmente é responsável, em consórcio com a russa InterRAO, pelo desenho de expansão e fechamento do ciclo combinado da usina a gás Termogas Machala, cuja capacidade final será de 310 MW.

Qual o valor do setor elétrico para a Santos CMI?

O setor elétrico abrange 80% do negócio, com uma alta diversificação geográfica e uma ampla experiência em tecnologias e combustíveis, que vão desde turbinas a gás, turbinas a vapor, caldeirões convencionais, caldeirões de recuperação, cogerações, parques eólicos e hidroelétricas. Nas usinas térmicas trabalhamos com carvão, diesel, gás natural, gás associado, HFO, biomassa e óleo cru. O setor de petróleo e gás representa a maioria da nossa operação, com experiência em projetos upstream, incluindo well pads, unidades de produção de óleo cru, usinas de processamento de gás natural, dutos e estações de compressão e bombeamento. Em projetos downstream, a companhia executou obras em diferentes refinarias, unidades petroquímicas, lugares de armazenagem e distribuição de gás e líquidos.

Com tem sido o processo de internacionalização?

Nosso primeiro projeto internacional foi em 1997 na América Central. Nos anos seguintes, fomos replicando o sucesso em países como o Brasil, a Bolívia e o Panamá. Graças a uma sólida reputação no mercado, baseada no nosso nível de especialização e alianças estratégicas com fornecedores tecnológicos, nesta última década nos expandimos para 18 países da região: México, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Panamá, República Dominicana, Ilhas Virgens, Bahamas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil. Continuamente estamos avaliando projetos em todos esses países, somos requeridos tanto por operadores locais como pela matriz de multinacionais que nos convidam a participar de seus desenvolvimentos. Cabe destacar que também temos oficinas permanentes no Brasil, Chile, Costa Rica, Equador e Estados Unidos. Em Houston, Texas, operamos uma oficina de gestão de compras desde 2001, a partir da qual fornecemos equipamentos de processo e materiais para nossos projetos na América Latina.

Como analisa a situação atual de cada país?

No segmento de infraestrutura os ciclos são muito comuns, seja por aspectos sazonais, políticos ou macroeconômicos. Mesmo que o Brasil esteja dando certos sinais de desaceleração em algumas áreas, há um pacote importante de projetos eólicos que continua liderando as iniciativas da região, eventos como as Olimpíadas de 2016 e o contínuo crescimento do país empurram a demanda por novos empreendimentos térmicos. Cabe lembrar que a SANTOS CMI construiu mais de 1.200 MW durante o Programa Prioritário de Térmicas do presidente Fernando Henrique Cardoso, apenas uma porção da capacidade que se instalou naqueles anos, mas um claro exemplo dos resultados que o Brasil pode gerar. O Uruguai, por outro lado, tem tido desenvolvimentos interessantes na área de energias renováveis, algumas vezes em parecerias público-privadas; o governo põe bastante ênfase à eficiência energética e o terminal de gasificação flutuante mudará, sem dúvida, a matriz energética. O México deve experimentar uma onda de investimentos privados em consequência da reforma energética, e também como uma reação da Comissão Federal de Eletricidade para modernizar sua frota e empreender novos projetos. O governo deveria tomar essa oportunidade para introduzir melhoras no sistema e reforçar sua oferta no mercado. O pacote de projetos incluirá grandes usinas de ciclo combinado, mas também cogerações industriais e geração distribuída.

A América Central tem apetite por gás natural e planeja desenvolvimentos com o propano como combustível ponte. Por enquanto, continua apostando no carvão, os motores e energias limpas. Será interessante ver o comportamento desses mercados depois que se implementar a interconexão do Panamá com a Colômbia, de maneira que a região tenha acesso às importantes fontes de energia hídrica e a gás colombianas. A Colômbia é um mercado natural para nós e atualmente estamos seguindo alguns projetos que nos interessam e nos quais podemos oferecer um valor diferenciado, como já fizemos nesse país para empresas como a Ecopetrol e a Occidental Petroleum, para as quais executamos contratos EPC em Barrancabermeja. Atualmente, nosso grupo está construindo uma ampliação da usina térmica Termosuria operada pela Ecopetrol, com uma turbina adicional de 32MW. Acreditamos que na Colômbia há oportunidades inexploradas em geração termoelétrica e eólica, como contraponto à capacidade hidroelétrica instalada ou em processo de construção. Iniciativas de interconexão em 500 kV com o Equador, onde se constrói quase uma dúzia de projetos hidroelétricos, deveriam ajudar a conseguir esse equilíbrio e permitir explorar o potencial de gás natural que o país tem.

O Peru estabeleceu um programa sólido de geração e distribuição elétrica, junto aos desenvolvimentos hídricos e do setor de gás, ligado a um modelo de concessões promovido pela agência ProInversión. No entanto, não há suficiente impulso à exploração e produção de petróleo na Amazônia e no litoral, pelo que o Governo deve investir também através de PetroPerú em prospecções que rendam dados e confiança aos investidores. O Chile é um caso interessante no qual se conjuga uma demanda constante com a falta de recursos naturais, especialmente nas regiões de maior consumo, mas com um cenário de estrita regulação e forte oposição de setores ambientalistas. As condições do mercado continuam sendo atrativas para os operadores privados, mas é evidente que o governo precisa equilibrar as expectativas da comunidade ambientalista com as necessidades nacionais, fortalecendo também o segmento industrial no que se refere a cogerações eficientes e energia distribuída.

E a América Latina como um todo...

A SANTOS CMI tem a vantagem de contar com uma visão muito completa do mercado latino-americano, e também com uma rede de recursos regionais que usamos em nossos projetos em conjunto com a mão de obra e profissionais locais. Vemos com frequência que certos países atravessam fases de crescimento ou de recuperação que apresentam o desafio de ter vários projetos grandes ao mesmo tempo, que disputam os recursos locais, às vezes sufocando as empreiteiras nacionais. Nós apostamos, como prioridade, na mão de obra local, e hoje fazem parte do nosso staff permanente pessoas da Argentina, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, Guatemala, Chile e Equador. Mas quando é necessário temos a capacidade de mobilizar especialistas de outros países, assim não afetamos o cronograma da obra por falta de recursos locais. Nos sentimos em casa em todos os países da região e temos aprendido a valorizar as culturas e diversidades de cada nação que, mesmo compartilhando o mesmo idioma (exceto o Brasil), tem peculiaridades que distinguem a cada povo. Isso é evidenciado na força de trabalho que apresenta diferentes produtividades, estilos de trabalho e costumes. A isso temos que somar a complexidade de cada legislação laboral e tributária, o que faz que o negócio seja muito dinâmico e de constante aprendizado.

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