Concreto sustentável: a revolução verde na construção?

Avanço contínuo do concreto proporciona vantagens significativas tanto para os projetos de construção.

Impulsionados pela pandemia de covid-19, vários setores da nossa sociedade experimentaram mudanças profundas devido à rápida adoção da transformação digital.

Essas transformações promovem o uso consciente de matérias-primas e práticas de produção mais eficientes, com um forte enfoque na sustentabilidade.

Atualmente, o cimento ocupa a posição de segundo insumo mais consumido no mundo.

No setor da construção civil, por exemplo, construtoras e incorporadoras têm embarcado de forma mais acentuada na introdução da tecnologia nos canteiros de obras. Essa abordagem visa aumentar a eficiência, com ênfase na produtividade, economia, qualidade, e garantir competitividade diante do mercado.

Definições

Concreto é o resultado da combinação de aglomerantes, agregados, água e aditivos.

Os materiais na mistura são proporcionados de maneira a conferir ao concreto as propriedades predefinidas no projeto. Essas propriedades são determinadas com base no dimensionamento da estrutura, destacando-se especialmente as seguintes:

  • Solicitações mecânicas, térmicas e de outras naturezas.
  • Variações climáticas.
  • Reações dos materiais na superestrutura, fundações e apoios.
  • Ações dependentes do tempo e das características reológicas dos materiais.

A mistura deve possuir características que facilitem seu processamento nos misturadores disponíveis, além de possibilitar o transporte, lançamento e compactação sem que haja segregação dos materiais.

Fato é que o avanço contínuo do concreto proporciona vantagens significativas tanto para os projetos de construção quanto para o meio ambiente. Em várias partes do mundo, diversas localidades estão explorando e implementando inovações para impulsionar o setor da construção civil.

Duas empresas brasileiras já produzem concreto que retira CO2 do meio ambiente

Pré-vale e Traço Forte, ambas de Santa Catarina, adotaram em 2023 sistema que injeta o gás carbônico retirado do ar na mistura de concreto e o transforma em um mineral que reforça a resistência da matéria-prima. Solução é comercializada no Brasil pela também catarinense Camargo Química.

Camargo Química, empresa especializada em soluções sustentáveis para a construção, trouxe para o Brasil um sistema que retira CO2 do meio ambiente e o injeta na mistura do concreto.

Não é de hoje que a construção é considerada um dos setores mais poluentes do mundo. Estudos publicados pelo The Guardian no último ano apontam que de 4 a 8% do CO2 emitido vem da produção do concreto. E é justamente na criação dessa matéria-prima que novas tecnologias atuam com uma pegada ESG que veio para ficar. De olho neste mercado, a Camargo Química, empresa especializada em soluções sustentáveis para a construção, trouxe para o Brasil um sistema que retira CO2 do meio ambiente e o injeta na mistura do concreto. Nessa etapa, o gás carbônico é transformado em outro mineral, o COMPLETAR, que além de não poluir, garante mais durabilidade à mistura.

“O sistema contribui com uma expectativa de reduzir o consumo de cimento na ordem de 5%. Se nós temos a oportunidade de contribuir para a redução de poluentes na atmosfera, por que não? Temos no nosso DNA essa preocupação com o meio ambiente, com a sustentabilidade, com as pessoas. Podemos fornecer aos nossos clientes um produto que possa ser visto como transformador”, destaca afirma Gilmar Jaeger, fundador e diretor geral da Pré-vale.

“Ao adotar a tecnologia estamos mostrando que é possível contribuir com o meio ambiente, melhorando ainda mais a qualidade do produto. Com a parceria, além de produzirmos um produto com maior resistência e maior durabilidade, teremos uma redução significativa em relação à emissão de CO2, nosso maior foco com a implantação do sistema.”, afirma Cristian Vitoreti Fernandes, engenheiro responsável da Traço Forte Concretos.

Fábio Camargo, CEO da Camargo Química, explica que o sistema traz uma série de benefícios, a começar pela sustentabilidade. “A cada metro cúbico de concreto produzido, o sistema captura e retira do ambiente de 12 a 15 kg de gás carbônico. Além disso, traz viabilidade com a possibilidade de a empresa produtora de concreto ingressar no mercado de crédito de carbono, comercializando seus índices sustentáveis para grandes emissores que precisam se comprometer com a sustentabilidade”, diz o executivo.

Atualmente, o cimento ocupa a posição de segundo insumo mais consumido no mundo, perdendo apenas para a água em termos de demanda global. No entanto, ao introduzir o sistema de redução de CO2 na mistura de concreto, podemos vislumbrar um cenário altamente positivo para o meio ambiente. Estima-se que essa inovação tenha o potencial de resultar em uma redução anual de 500 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) liberadas na atmosfera em escala global. Essa contribuição significativa para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa posiciona esse tipo de inovação como um avanço crucial na busca por soluções sustentáveis na indústria da construção civil.

Mas o que temos hoje disponíveis no mercado? Conheça algumas aplicações.

Concreto tradicional

O cimento Portland, amplamente empregado na construção civil, é fundamentalmente composto por silicato e aluminato de calcário, além de adições específicas para cada aplicação. Esse cimento reage ao entrar em contato com a água, formando um material sólido e resistente.

A mistura apenas de cimento e água é conhecida como argamassa.

Quando combinado com agregados miúdos, como areia, e agregados graúdos, como a brita, forma o composto denominado concreto. A massa específica média do concreto é de aproximadamente 2.400 kg/m³. Esse material é utilizado em elementos estruturais, tais como vigas, lajes, pilares e fundações, além de peças de vedação, como painéis ou blocos.

Concreto leve

Concreto leve, como o nome já diz, é um material mais leve que o concreto comum.

Produto varia entre 2300 a 2500 kg/m³, já o concreto leve  fica sempre abaixo dos 2000 kg/m³. Essa proeza incrível é resultado da substituição dos agregados comuns de concreto por outros agregados mais leve como argila expandida, vermiculita, bolhas de ar no concreto, e até mesmo, o aparentemente frágil isopor. (EPS).

Entre seus diferenciais o fato de que ele é capaz de para diminuir as cargas da estrutura. Ademais, o seu uso também facilita a construção de pontes, já que o peso leve torna o preenchimento de grandes vãos menos complicados.

Concreto leve com argila expandida

No momento atual, aproximadamente 60% da produção de argila expandida no Brasil é direcionada para o setor da construção civil.

Com uma densidade em torno de 1.600 kg/m³, o concreto que incorpora argila expandida revela-se uma valiosa opção na construção de lajes e outras peças pré-moldadas, além de ser eficaz no preenchimento de lajes já existentes.

A introdução da argila expandida na mistura do concreto contribui para aumentar a resistência à compressão. A proporção de cada componente na mistura pode variar conforme a aplicação específica.

Concreto com adição de fibras

O concreto reforçado com fibras, também denominado CRF, é uma composição que resulta da mistura de cimento, agregados graúdos e miúdos, com a inclusão de fibras. Essas fibras podem ser de aço, fibra de vidro, fibra de carbono, fibras poliméricas ou naturais. Essa modalidade de concreto é empregada como alternativa para aplicações em concreto armado, estruturas pré-moldadas e construções in loco, incluindo a técnica de concreto projetado.

Concreto usinado

O concreto usinado, também conhecido como dosado em central, é elaborado sob um rigoroso controle tecnológico para assegurar a qualidade. A composição da mistura, que inclui cimento, brita, areia, água e aditivos, é cuidadosamente determinada conforme as especificações do cliente.

Concreto armado

O concreto armado é a combinação do concreto com o aço, ou seja, cada peça da estrutura é composta por uma armação feita com barras de aço coberta de concreto. O aço é resistente à tração (movimentos laterais), enquanto o concreto tem alta resistência a compressão (movimentos verticais).

Isto torna a combinação de concreto e aço muito eficaz e difundida em todos os tipos de obras. 

Concreto protendido

A principal justificativa para a protensão do concreto está relacionada às situações em que esse material é exposto a elevados esforços de flexão. Essa técnica destaca-se não apenas pela sua eficácia, mas também pelo custo-benefício, especialmente quando sujeita a um controle tecnológico adequado, o que, por sua vez, elimina a necessidade de manutenção ao longo da vida útil do material.

Concreto de alta resistência

O concreto de alta resistência é identificado por sua capacidade de suportar cargas superiores em comparação ao concreto convencional. Sua resistência à compressão é superior a 50 MPa, podendo, em alguns casos, atingir cerca de 100 MPa. Para efeito de comparação, a resistência do concreto mais comum em ambientes urbanos é aproximadamente 30 MPa.

A produção desse tipo de concreto requer precauções específicas, incluindo a seleção cuidadosa dos materiais, uma dosagem mais precisa e um controle de qualidade rigoroso para garantir uma boa trabalhabilidade e uma resistência elevada.

Geralmente, adições cimentícias são utilizadas em substituição ao cimento convencional, com o objetivo de mitigar a ocorrência de fenômenos prejudiciais, como calor de hidratação, retração térmica e formação de fissuras.

Reciclagem e preocupação com o meio ambiente

Boletim divulgado pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) revelou que com a crescente tendência de maior atenção nas preocupações ambientais, a reciclagem de concreto permite o reaproveitamento dos entulhos e, ao mesmo tempo, mantêm os custos de construção cada vez mais baixos. No passado, esses entulhos seriam automaticamente descartados em aterros sanitários. 

A riqueza da reciclagem está no fato de que o concreto pode ser triturado em: areia; brita; pedrisco; e bica corrida. 

De acordo com estudos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em torno de 2% a 3% da produção de uma concreteira acaba sendo descartada como resíduo.  

O lastro fica entranhado no interior da betoneira para mistura de agregados após o descarregamento total do concreto, enquanto a sobra passa a ser qualquer volume residual não descarregado na obra e devolvido à concreteira.  

Foi levantado que no lugar de descarte do lastro e da sobra, é recomendado que, em busca de maior competitividade, ocorra a reciclagem, uma vez que quase todos os tipos de concreto podem ser reciclados (como o endurecido e o fresco), excluindo os concretos especiais como o pigmentado e o de adições de fibras. 

Economia 

A expectativa de ganho com a reciclagem de concreto é uma redução de cerca de 30% no custo do material obtido (pó de pedra e bica corrida) em relação ao obtido em jazidas.  

Por efeito da menor homogeneidade dos resíduos processados, aconselha-se que haja um reaproveitamento como agregado para revestimento ou argamassa de assentamento. O procedimento pode ser feito em uma espécie de minicentral de processamento, onde o material é encaminhado por dutos, e triturado para ser naturalmente utilizado como agregado. 

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