Centrais: Variedade para a produção

By Fausto Oliveira01 August 2017

A multiplicidade de soluções oferecidas pelos provedores industriais já permite produzir concreto sem limites. 

Liebherr1

A Liebherr Brasil produz modelos de central dosadora como la TDA 100, que tem sistemas de controle de alta precisão.

O universo das centrais produtoras de concreto é amplo e variado. Embora seu objetivo final possa parecer sempre o mesmo, as especificações de mistura, quantidade, a logística e situações de aplicação escondem detalhes que podem determinar qual será a escolha mais adequada entre os vários modelos de central existentes.

A escolha se torna mais complexa quando entra no cálculo o tempo de ida útil de uma central de concreto, um investimento que tipicamente tem 30 anos de operação. Uma central produtora de concreto deve se adequar às necessidades empresariais para resultar lucrativa ao longo deste período.

Hoje em dia, os fabricantes de centrais têm uma variada oferta para adequar os equipamentos às diversas situações. A modularidade e o fácil transporte são tendências. De fato, a possibilidade de montá-las e desmontá-las em pouco tempo e assim transportá-las a diferentes locais de trabalho agrega vantagem competitiva e versatilidade.

Mas antes de tudo, quem for comprar tem que enfrentar uma pergunta anterior, fundamental e prioritária: a central deverá ser uma dosadora ou uma misturadora?

A grande questão

Aí reside um problema essencial. Além das capacidades de metros cúbicos por hora, geralmente menores nas dosadoras, está o problema do custo inicial de investimento. O normal é que uma central misturadora seja de maior investimento inicial, o que em muitos casos assusta o empresário concreteiro.

Mas a economia no provimento de concreto depende da repetição ad infinitum de pequenos resultados positivos, e a chave para isso é controlar os desvios padrão da mistura.

Para o diretor para América do Sul da Schwing-Stetter, Luiz Polachini, as centrais misturadoras são mais efetivas em termos econômicos por seus sistemas de compensação dos insumos. Tal como em uma dosadora, toda central misturadora recebe e dosa cimento, agregados, areia, água e aditivos. Mas em lugar de enviar todo esse material de uma só vez à betoneira, este equipamento envia os elementos a um misturador interno, e isso faz toda a diferença.

“Digamos que haja um excesso de 100 quilos de areia numa mistura. Com a dosadora, este desvio não se corrige. Numa central misturadora de 2 m3, uma betoneira de 8 m3 vai se preencher com quatro bateladas. Nesse caso, um desvio como esse será corrigido pelo sistema de controle interno na batelada seguinte. No final, a quantidade de materiais envida ao misturador será muito mais precisa. Há estudos feitos na Alemanha que mostram economias possíveis de entre 5% e 8% no cimento com a central misturadora”, diz Polachini.

Sempre haverá também economias operacionais com as betoneiras. Se ela tem que misturar o concreto, vai ter que dar mais voltas no balão, e em maior velocidade. Porém, se o concreto vem pronto da central misturadora, caberá a ela apenas manter a mistura em movimento lento até chegar à obra. O número de revoluções do balão será muito menor, e a velocidade também, resultando em menor consumo de diesel.

“Uma central de concreto é um equipamento para 30 anos. Por isso tem que buscar incessantemente diminuir os desvios padrão. Essa é a economia do concreto, isso te faz ganhar dinheiro no dia a dia”, afirma o especialista.

Um grande exemplo dos resultados que uma central misturadora pode entregar em termos de precisão foi a aplicação de uma HN3 da Schwing na construção da usina nuclear de Angra 3, no sul do Rio de Janeiro.

Ali, o laboratório de concreto da empreiteira Andrade Gutierrez havia solicitado graus de tolerância em desvios mais estritos do que a norma brasileira prevê. Por exemplo, enquanto a norma ABNT 7212 indica uma tolerância de 3% de cimento para mais ou para menos para este tipo de obra, a Andrade queria tolerâncias de 1%. O mesmo para agregados e areia.

Com a produção de concreto por uma central misturadora HN3, capaz de entregar 120 m3 por hora, os desvios padrão se reduziram ainda mais.

Em cimento, o laboratório havia calculado a necessidade de 13.751.680 quilos, e a central misturou 13.748.985 quilos, um desvio padrão de 0,02%. Em agregados, o laboratório pedia 32.881.680 quilos, e a central misturou 32.877.694 quilos, desvio padrão de 0,01%. De areia, o laboratório havia calculado 25.829.907 quilos, e a central misturou 25.787.436 quilos, um desvio padrão de 0,16%.

Pensando em uma operação permanente de um provedor de concreto comercial, tais níveis de desvio padrão significariam um grau de controle econômico sobre os insumos que vai render lucros e economias. Mas obviamente, no longo prazo.

Cada coisa em seu lugar

Não se trata, é claro, de afirmar uma superioridade absoluta das centrais misturadoras sobre as dosadoras, e sim de entender que cada equipamento tem sua aplicação real. A adequação depende de uma série de fatores. Nem sempre serão necessários volumes espetaculares, nem sempre a obra é uma usina nuclear ou uma hidroelétrica.

Além disso, nem sempre o concreto requerido deve contar com altas qualidades específicas. “As centrais dosadoras são muito boas, têm sua função. Inclusive em grandes obras de infraestrutura em regiões naturais, as construtoras entram com dosadoras para melhorar o próprio espaço de trabalho, fazer vias de acesso, muros de separação etc”, afirma Luiz Polachini.

O problema está em que é quase certo que o desvio padrão do concreto será maior pela compensação de água que o operador da betoneira sempre faz após receber os insumos em sua máquina. O que não quer dizer que o concreto não serve. Tudo depende dos requisitos.

De forma que o mercado tem sim à disposição centrais dosadoras de qualidade, e são muitas. Oferecem vantagens importantes, que às vezes são a diferença necessária para a operação de uma empresa. Uma delas é a versatilidade da configuração e a mobilidade. Em geral por serem menores, muitas dosadoras modernas são também modulares.

Schwing

A central HN3 da Schwing-Stetter reduziu a quase nada o desvio padrão do projeto da usina nuclear Angra 3.

A fabricante mexicana de centrais Odisa, uma especialista do setor, exemplifica bem como um portfólio de dosadoras de qualidade tem que apostar na modularidade e multiplicidade de configurações.

Ao todo, a Odisa tem oito modelos de centrais dosadoras, com capacidades de entre 90 e 150 m3 por hora. Dois deles são modelos 100% móveis: a 6LP rebocável, que produz 90 m3 por hora e é reconfigurável com silos maiores para operações mais exigentes, e a volumétrica Reimer Pro All, que entrega concreto dosado fresco e é montada sobre caminhão. Este último modelo produz entre 7 e 50 m3 por hora e tem as seguintes capacidades máximas de armazenamento: 5,4 m3 de agregado, 4,6 m3 de areia, 3,2 m3 de cimento, 2,3 mil litros de água e 3 tanques de 45 litros para aditivos.

A argentina Indumix é outra empresa que participa deste mercado na região. Sua linha de centrais dosadoras Indumovil tem cinco modelos, com capacidades variando entre 4 e 120 m3 por hora de trabalho. Todas são alimentadas pelo sistema de controle CommandBatch, da multinacional de software dedicado à indústria do concreto, CommandAlkon.

Também a espanhola Frumecar, que participa do mercado na América Latina, é uma especialista em centrais dosadoras de concreto. Em seu caso, com sete famílias de equipamentos e configurações que estão à disposição: a linha EBA é de centrais semi-móveis com capacidades de 30, 50 e 70 m3 por hora; a ECA é de centrais rebocáveis e têm sistema de automontagem hidráulica com modelos de entre 30 e 120 m3 por hora; a EMA são centrais modulares e tem cinco modelos entre 30 e 100 m3 por hora; a também modular, mas similar a estacionária, Modulmix, com modelos de 80 a 150 m3 por hora; a ultra compacta Concret, com modelos de 60 a 120 m3 por hora; a Moduldry de dois modelos de 80 e 120 m3 por hora; e a linha Fastmix, com três modelos de entre 14 e 34 m3 por hora.

A Frumecar é uma empresa que aposta tudo na mobilidade das centrais e pela possibilidade de configurações diferentes de uma mesma central, e assim comprova que a versatilidade é um valor agregado no setor de concretagem.

Tecnologias

O argumento de que uma central dosadora não pode agregar muito em termos de tecnologia não se sustenta, já que neste mercado existe uma empresa que é sinônimo de alta tecnologia: a Liebherr.

A fabricante alemã provê a partir de sua fábrica em Guaratinguetá, São Paulo, vários modelos de centrais dosadoras à América Latina, entre os quais se destacam a TDA 60 e TDA 100, que têm respectivamente 60 e 100 m3/h de capacidade de produção.

Como é comum quando se trata de Liebherr, o sistema de controle interno da dosagem é um fator diferencial das centrais da marca. “Um grande benefício das nossas centrais é a precisão. Graças ao sistema de controle de umidade, FMS II, e ao sistema de automação MPS III, as centrais Liebherr conseguem medir a umidade dos agregados e dosar a água, proporcionando a dosagem perfeita de todos os materiais”, diz Tatiana Bielefeld, coordenadora de marketing da empresa no Brasil.

Além disso, recentemente a Liebherr apresentou mundialmente um modelo de central misturadora modular baseada no conceito de contêineres. Trata-se da Mobilmix 2.5. Suas unidades são como caixas que se encaixam conforme determine a necessidade do projeto. Isso a torna apta para grandes produções sem perder a fácil mobilidade.

Com um misturador de duplo eixo DW 2.5, a central pode produzir até 110 m3/h de concreto pronto para uso, o que a coloca no rango de equipamentos para grandes projetos. Também pode ser reconfigurada para trabalhar em modo dois em um: neste caso sua capacidade se duplica para 220 m3/h, os misturadores trabalham em paralelo e o comando continua sendo único.

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