Brasil: construindo sem destruir

By Clarise Ardúz11 December 2012

Brazil MND

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Gigantescos passos são dados pelo Brasil, neste momento, para avançar rapidamente no que se refere à obras de infraestrutura e construção civil. A Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016 e as obras vinculadas à moradia, saneamento, transporte e energia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo são apenas alguns exemplos dos assuntos que estão impulsionando o setor da construção. Mas essa lista não para por aí. Há muitos outros temas que também estão tendo importância no mercado e colaborando para a entrada de novas tecnologias. A sustentabilidade é um desses assuntos.
Em geral, a ideia para os projetos de construção é sempre a mesma: gastar o mínimo possível, construir mais em prazos mais curtos –mantendo ou melhorando a qualidade do produto final-, além de não causar ou, pelo menos, reduzir os inconvenientes para a população, o trânsito e o meio ambiente.
É nessa hora que entram os métodos não destrutivos (MND), que estão conquistando cada dia mais seu espaço no Brasil. Tanto é assim que em novembro a cidade de São Paulo foi, pela primeira vez, sede de um dos eventos dos congressos internacionais mais importantes dedicados a essas tecnologias: o 30th International No-DIG 2012. O evento reuniu especialistas em construções e renovações de redes subterrâneas, como empresas de engenharia, fabricantes de equipamentos de perfuração direcional, empreiteiros, empresas responsáveis pela instalação de redes de gás, energia e água, entre outros.
Durante os três dias do evento -que tinha como tema central “Uma cidade sem valas”-, houve, além da exposição de equipamentos de MND, diversas palestras e um curso. A feira contou com mais de 100 stands, que traziam as últimas novidades em máquinas e produtos relacionados com o assunto. O congresso, por sua vez, contou com a participação de especialistas nacionais e internacionais no uso de MNDs, que ofereceram palestras e expuseram casos de sucesso na execução de projetos por todo o mundo. Por outro lado, engenheiros da Petrobras ofereceram um curso de dois dias para profissionais prestadores de serviços e os contratantes de serviço de perfuração direcional (HDD), que é um dos MNDs.
“Não tem volta, os MND são um caminho sem volta para a construção brasileira”, garante Paulo Dequech, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva (Abratt), organismo responsável pelo evento. Segundo Dequech, o uso dessa tecnologia só traz benefícios a todos os envolvidos e essa é a razão de tanto sucesso. “O MND se mostrou superior ao método tradicional, tanto em rapidez como em custo, além de que causa menos impacto ao meio ambiente”, afirma. Garante que uma obra com MND tem, por exemplo, menos máquinas trabalhando, não exige o rompimento de grandes áreas de solo e a obra é executada mais rapidamente, acarretando um menor custo final. “A sociedade já não aceita uma obra destrutiva, barulhenta, que obstaculiza o trânsito, etc., seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Além disso, existem tantas empresas que trabalham com MND que a concorrência tem levado a preços cada vez mais competitivos e convenientes”, afirma.
O dirigente também comenta que atualmente é possível ver o uso dos MND por todo o país, inclusive se arrisca a dizer que este já é um método dominante em algumas áreas da construção brasileira e de outros países latino-americanos, como Argentina, Chile, Colômbia e Peru. “Hoje em dia as companhias de água, de gás, etc, não querem ver sua imagem comprometida com uma obra que deixe em uma rua uma vala aberta durante seis meses, por exemplo, para fazer apenas quinhentos metros de tubulação”, explica.
Segundo dados da Abratt, o segmento de MND no Brasil cresceu cerca de 30% nos últimos dois anos. Para 2012, a projeção é de mais de US$144 milhões em investimentos de redes de gás; US$192 milhões para obras de saneamento, além de US$ 48 milhões para cabeamento óptico.
“O Brasil dispõe das mesmas tecnologias que os Estados Unidos e a Europa, a diferença é que ainda não existe a mesma demanda. Além disso, ainda falta no Brasil uma legislação nesse sentido, isto é, um código de construção e de detalhe de projetos para os MND”, comenta Dequech, referindo-se a um correto detalhamento dos MND nos projetos executivos.

Avanços e investimentos com MND
O engenheiro Samuel Ariaratnam, presidente da Sociedade Internacional de Tecnologia Não Destrutiva (ISTT, por sua sigla em inglês), outra organização responsável pelo evento, confirma o nível que o Brasil tem com relação aos MND. “Minha primeira visita ao Brasil foi em 2004 e vejo o grande desenvolvimento do setor em relação aos MND, alcançando um excelente nível tecnológico”, afirma. Segundo o profissional, empresas grandes como Petrobras, Comgás e Sabesp, que usam frequentemente os MND para seus projetos, são também responsáveis pela importação e extensão dessas novas tecnologias no país. Sobre as expectativas para 2013, com relação aos MND no Brasil, o engenheiro afirma que haverá um aumento do uso dessas tecnologias.
Representantes de empresas grandes, como as citadas por Ariaratnam também estiveram presentes no NO DIG 2012 e em suas palestras falaram sobre os atuais e futuros projetos de suas respectivas companhias. A Sabesp, por exemplo, que é responsável por fornecer água e tratamento de águas servidas para mais de 350 municípios do estado de São Paulo, tem projetos de ao redor de US$4 bilhões para o período 2012-2015.
Melina Almeida, engenheira da Petrobrás, que também deu uma palestra, confirma a importância do trabalho de grandes companhias com os MNDs. “Devido ao risco e à importância de nossos projetos, a Petrobras está sempre tentando melhorar as técnicas de HDD, assim também geramos mais rentabilidade e mais produtividade”, garante.
Por sua vez, Laércio Piva, superintendente de Vendas e Expansão da Comgás, empresa responsável pela distribuição de gás natural em São Paulo, garantiu durante sua conferência que a maioria dos projetos da empresa –cerca de 98%- são feitos em base à MNDs, e os valores investidos são cada vez maiores. “Em 2009, os investimentos foram de aproximadamente US$26 milhões. Em 2012, devem chegar a US$240 milhões”, afirma.

Infraestrutura e outros projetos
Mas nem tudo no Brasil são projetos com MND. Segundo um estudo da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), no geral, o setor de infraestrutura no Brasil receberá investimentos da ordem de US$807 bilhões em 11.533 obras de 2012 até 2017.
Segundo o estudo, o setor de petróleo e gás será o que receberá mais investimentos, 43% do total até 2017 (cerca de US$347 bilhões). A área de exploração e produção, sozinha, representa 75% do total de investimentos.
O setor energético receberá aproximadamente US$104 bilhões, sendo que 89% desse valor será destinado à obras de geração.
O estudo também afirma que o grande desafio para o país será o setor de saneamento, que contará com cerca de US$44,3 bilhões, valor que não é suficiente para a universalização do sistema de drenagem e tratamento de águas servidas.
A obra mais destacada, segundo o informe, é o trem de alta velocidade (TAV), com um valor próximo aos US$16 bilhões.
Por sua vez, as obras vinculadas à construção e reforma dos estádios arenas e instalações para a Copa e as Olimpíadas alcançam US$5,3 bilhões. Enquanto, o setor hoteleiro receberá uma colaboração de pouco mais de US$18,8 milhões.
Em obras da indústria, são esperados investimentos de mais de US$87,6 bilhões. Segundo o estudo, durante o período 2012-2015 serão investidos 8,9% a mais do que foi investido no período 2007-2010.
Finalmente, o Programa Minha Casa, Minha Vida, que pertence ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), também terá seu investimento: US$62,2 bilhões, aproximadamente.

Nem tudo são flores
Pode ser que para algumas áreas da construção brasileira ainda exista muito otimismo e boas perspectivas, mas há setores com uma postura menos positiva.
As vendas de equipamentos e máquinas de construção no Brasil, segundo informação publicada recentemente pela Sobratema, devem fechar o ano com pouco mais de 68 mil unidades, volume que, caso seja confirmado, será 19% menor que o registrado em 2011, quando o país adquiriu 83.545 máquinas novas.
Apesar disso, entre 2013 e 2017, as perspectivas indicam que o crescimento médio anual de vendas de máquinas e equipamentos para a construção chegará a 10,42%.
As projeções das vendas de materiais para a construção já foram reduzidas pela segunda vez no ano. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o faturamento do setor deveria terminar 2012 com um crescimento de apenas 2% a 2,5%, sendo que o previsto inicialmente era uma expansão de 4,5%.
O panorama econômico, no geral, também não é muito positivo. Em novembro, o Banco Central do Brasil publicou um informe com as projeções de mercado, que indica que o PIB não terminará o ano com bons números. A previsão de crescimento do PIB em 2012 baixou nas últimas semanas de 1,54% a 1,52% e a expectativa para o crescimento em 2013 também diminuiu, de 4% a 3,96%, segundo o informe.
O Índice da Atividade Econômica do Banco Central -que é considerado uma “prévia do PIB”- publicado em novembro, mostrou que o nível da atividade econômica no país caiu 0,52% em setembro em comparação com agosto. A queda interrompeu uma sequência de cinco altas consecutivas do índice.
Uma visão mais positiva é a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que uma semana antes do anúncio do Banco Central tinha afirmado à imprensa local que o crescimento econômico do Brasil registrou um avance no segundo semestre do ano. Para 2013, projetou que o crescimento será superior a 4%, se os investimentos apresentam um aumento de 8% a 10% com relação aos deste ano.

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