Avançando lentamente

By Clarise Ardúz07 February 2014

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Com relação à preparação de terreno, a América Latina, em alguns pontos, tem avançado de forma lenta. Um exemplo disso é o que acontece com a adoção das tecnologias 3D de controle de máquinas, que está disponível há alguns anos na região, mas a qual poucos têm aderido. Mesmo assim, o setor indica que está em progresso.

Esse sistema 3D está pensado para ajudar no correto posicionamento dos equipamentos de preparação de terreno no canteiro de obra, para que possam executar os trabalhos de escavação e nivelações com maior exatidão, sem a necessidade da colocação de estacas para orientar aos operadores das máquinas e, muitas vezes sem a necessidade de uma equipe de topografia.

O método tradicional, ainda muito utilizado, se baseia no uso de estacas como referencia de cota e de profissionais de topografia para a orientação ao operador da máquina com relação à altura da lâmina e a localização da máquina no terreno, entre outros. Mas, apesar de que o sistema 3D pode gerar uma considerável redução nos custos e favorecer a precisão dos trabalhos, os empreiteiros latino-americanos não estão totalmente abertos aos novos sistemas.

Eduardo Pérez, gerente de automatização da empresa chilena Eduardo Pérez & Cía., distribuidor oficial dos equipamentos Topcon no Chile, conta que muitos ainda preferem o uso de laser 2D (tecnologia anterior onde o laser indica o correto posicionamento das máquina e suas lâminas). “A maioria dos clientes ainda não se atreve a adquirir a tecnologia 3D. Eles a veem como um gasto e não como investimento”, comenta.

Segundo sua explicação, a tecnologia 3D para o controle de máquinas chegou ao Chile há cinco anos e, desde então, a Topcon vem dedicando esforços para demonstrar suas vantagens aos clientes. “Tratamos de explicar que eles devem analisar o custo-benefício”, afirma o gerente, que também garante que a tecnologia oferece uma redução de até 80% da equipe de topografia, elimina a cara colocação de estacas e, muitas vezes, chega a prescindir do uso da motoniveladora já que melhora substancialmente a qualidade dos trabalhos. Por último, oferece a possibilidade de recuperar o investimento em 6,5 quilômetros de trabalho concluído, com relação ao valor investido por máquina.

Também explica que, com o sistema 3D, o qual trabalha em base a um modelo digital do projeto, não é necessário ter um operador com grande capacitação para cada equipamento, profissional que normalmente é difícil de conseguir e custa caro para a empresa. “Todo o trabalho será orientado automaticamente pelo sistema 3D, tanto o posicionamento dos equipamentos como das lâminas. É necessário apenas que alguém coloque o equipamento em movimento”, garante.

Perez acrescenta que os equipamentos 3D da Topcon são utilizados principalmente em construções de rodovias e estão disponíveis em duas versões: com sistema GPS (via satélite) e LPS (que necessita uma estação total robotizada). Ambos os sistemas podem ser instalados em bulldozers, motoniveladoras e escavadeiras.

Sobre a qualidade do serviço, o profissional garante que há um salto de qualidade nos trabalhos, pela precisão com que as máquinas terminam executando as tarefas, o que, além de tudo, economiza tempo. “Antes, entre estacas, não se tinha certeza se a altura da rodovia estava igual à da área próxima a cada estaca”, afirma.

Segundo o gerente, as construtoras multinacionais são as que mais usam a tecnologia até o momento. “Equipamentos Topcon foram utilizados na construção de rodovias como a Antofagasta-Calama, construída pela empresa (de origem sueca) Skanska, e a estrada La Serena-Vallenar, em execução pelas espanholas Ferpi e Percasa, agilizando a construção”, garante. De acordo com Perez, a aceitação e aquisição dessa nova tecnologia é uma coisa de tempo. “Não conheci uma pessoa que tenha utilizado o 3D e tenha voltado ao método tradicional”, enfatiza.

Mais benefícios

A tecnologia 3D de controle de máquinas oferece vantagens, também, ao ser utilizada em projetos de mineração, como informa o engenheiro Gonzalo López, gerente de distribuidores sul-americanos da Leica Geosystems.

Com o sistema 3D “iCP41/iCP42” da Leica, os projetos a executar são carregados diretamente em um computador na cabine da máquina. O sistema mede continuamente a posição atual real e compara a mesma com a do projeto. A diferença entre as duas é corrigida automaticamente através do sistema hidráulico da máquina.

Segundo informações da companhia, é possível eliminar 99% das estacas para a realização do projeto e também os possíveis erros. Além disso, estão disponíveis diferentes sensores, como estações totais robotizadas e GPS.

“Atualmente temos essa tecnologia instalada em motoniveladoras e dozers para o nivelamento da infraestrutura no projeto da Mina Antucoya, na segunda região do Chile”, conta. O executivo da Leica informa também que possui máquinas trabalhando com esse sistema no setor de construção de rodovias e plataformas (motoniveladoras e bulldozers), outras executando valas e taludes (escavadeiras). Apesar de ser um produto que ainda não ganhou a confiança de todos os empreiteiros, dentro da América do Sul, os países com maior demanda, segundo López, são Brasil, Chile, Argentina, Colômbia e Peru.

Christophe Boinelle, responsável pela divisão de controle de máquinas e ferramentas da Leica Geosystems, informa que a tecnologia com laser (2D) é utilizada na Europa e nos Estados Unidos desde os anos 80 e, a tecnologia 3D, desde os 90. Mas apenas desde 2012 começou a ser comercializada na América Latina pela empresa.

Boinelle explica que, enquanto os sistemas 2D trabalham com uma referência a laser, os 3D utilizam os satélites para o envio da informação da posição da máquina, a qual guia o operador. Para a recepção dessas informações, é instalado nos equipamentos um receptor de informação.

“Podemos dizer que essa tecnologia faz as coisas uma única vez e bem feitas, eliminando erros, além de ser mais segura (já que se elimina a pessoa que, pelo método tradicional, ficava próxima da máquina dando constantemente instruções e controles topográficos ao operador)”, afirma. Além disso, o profissional garante que é mais ecológico: “Estamos reduzindo os gastos de combustível em até 50%”.

A aceitação dessa nova tecnologia é apenas questão de tempo, sendo que já se registra uma melhoria nos últimos tempos, segundo conta Boinelle. “Tudo está indo muito bem, principalmente agora que o tema da segurança é cada vez mais importante e que as empresas precisam aumentar sua produtividade para poder competir”, afirma.

Devagar

Esse mesmo ‘medo’ por aderir ao novo é algo que se repete em toda a América Latina, de acordo com o que dizem os entendidos no assunto. Até no Brasil, onde, devido a Copa do Mundo e as Olimpíadas, é possível imaginar que a aceitação seria maior, isso não aconteceu. Pelo menos é o que Giovanni Krauss, consultor comercial da brasileira CPE Tecnologia, empresa com quase 40 anos no ramo de soluções em equipamentos de topografia. “Esse sistema já é utilizado na América Latina, mas apenas pontualmente. São ainda poucas as empresas que tem esses sistemas instalados em suas máquinas”, garante o consultor.

A companhia oferece a seus clientes o sistema de automação para máquinas de infraestrutura desenvolvido pela empresa alemã Moba, que também pode ser utilizado tanto na construção como na mineração. “Pode ser utilizado em motoniveladoras, tratores de esteiras, perfuratrizes e escavadeiras, entre outras. No caso da motoniveladora, esses sistemas automatizam o controle das lâminas, evitando que o operador continue tendo essa atribuição. Com isso, a precisão e qualidade do trabalho melhoram muito”, afirma.

Krauss defende os mesmos benefícios que Boinelle, da Leica Geosystems, sobre o uso da tecnologia: é possível ganhar tempo, reduzir os custos, como o de combustível, e evitar o risco de acidentes de trabalho. No entanto, afirma que o plano de utilizar essa tecnologia não é ‘eliminar’ a mão de obra, mas sim permitir que o profissional melhore sua qualificação e, com isso, possa ser recolocado em outras frentes de trabalho, evitando os acidentes que podem acontecer nos métodos convencionais.

A tecnologia da marca Moba, oferecida pela CPE no Brasil, é compatível com todas as marcas de equipamentos. Segundo o consultor comercial, este é uma característica que nem todos oferecem, o que se torna uma grande vantagem.

“No caso da motoniveladora, o que está acoplado à lâmina é uma haste com um receptor GNSS, além de sensores inerciais localizados na máquina para indicar a rotação e a cota. Além disso, existe uma base de GPS RTK e o display 3D, onde o operador tem o controle do sistema e visualiza o projeto a ser executado. Ambos os itens compõem um desses sistemas de automação”, explica.

Krauss afirma que, apesar de que o processo de aceitação marche lento, o sistema está sendo bem aceito, mas acredita que ainda está em desenvolvimento uma mudança cultural, com relação à adoção de novas ferramentas de trabalho, neste caso, a automação das máquinas de infraestrutura. E garante: “A partir do momento que o cliente constata que os benefícios são satisfatórios, o investimento na nova tecnologia é praticamente certo”.

Para o consultor da CPE, não há volta. “A tendência de mercado é crescente, porque a demanda de serviços que apresentam alta precisão e qualidade em um menor espaço de tempo já é uma realidade. Dessa forma, os sistemas de automação serão incorporados cada vez mais nos equipamentos de infraestrutura”, conclui.

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