Andrade Gutierrez volta a obter crédito

10 January 2017

A notícia de que a Andrade Gutierrez conseguiu emitir debêntures pelo valor de R$ 1,6 bilhão pode significar uma luz no fim do túnel – ou ao menos o início de uma solução – para a grave crise do setor de construção pesada nacional que nos afeta desde 2014.

A operação foi realizada com o apoio de dois grandes bancos, o Bradesco e o Banco do Brasil, que adquiriram a totalidade dos títulos e podem revendê-los ao mercado. Como garantia da transação, a Andrade Gutierrez ofereceu o dobro do valor correspondente às ações que detém na administradora de concessões CCR (17% do total).

A operação dará a uma das principais empresas do setor certa folga financeira, que é considerada fundamental devido à proibição, desde 2014, de contratar com o governo federal por causa da operação Lava Jato.

Com o novo capital, a Andrade Gutierrez resolverá um impasse financeiro de grande porte: a necessidade de pagar uma emissão de debêntures feita em 2012 (antes da crise). O prazo destes títulos era de dez anos, mas com o rebaixamento de sua classificação de risco pela Standard & Poor´s, o contrato previa pagamento antecipado aos credores. Além disso, estas debêntures são corrigidas pela inflação, que subiu muito e assim transformou essa operação num problema, especialmente quando o fluxo de caixa diminuiu tanto em função das investigações. A empresa dedicará R$ 550 milhões a esta operação.

Além disso, o grupo destinará R$ 400 milhões para compromissos da AG Concessões e outros R$ 600 milhões vão alongar prazo de dívidas do grupo que vencem em dezembro. Com isso, o grupo Andrade Gutierrez entra em 2017 sem novos passivos financeiros importantes no horizonte do ano.

Mas nada disso exclui a multa de R$ 1 bilhão que a empresa terá que pagar ao governo pelo seu acordo de leniência.

De qualquer forma, a operação mostra que ao menos uma das grandes empresas investigadas ainda goza de credibilidade no mercado, e pode ter acesso a fontes de crédito privadas para se recuperar.

No campo das contratações, a Andrade Gutierrez não está de mãos atadas com relação a clientes privados. Ao final de 2016, assinou contrato de R$ 4 bilhões para uma série de linhas de transmissão com a operadora de energia Equatorial. Em Angola, assinou a duplicação da pista do aeroporto de Dundo, sem aportes públicos.

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