Abramat: Nível de atividade

By Luciana Guimaraes12 October 2021

Rodrigo Navarro de Abramat

A ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) foi fundada em 2004 e integra empresas em torno de causas comuns. A entidade se responsabiliza por assinalar reivindicações, atuando como interlocutor junto ao poder público, ao setor e à sociedade.

Suas associadas são as principais empresas do mercado, líderes em vendas, produtividade, qualidade e inovação tecnológica. Sua contribuição com a cadeia vai desde propagação permanente de informações e análises setoriais, que entre outras funções importantes até promover o alinhamento da rede, através da união dos setores produtivos, órgãos públicos e mobilização da sociedade.

Pesquisas revelam que o PIB (Produto Interno Bruto) avançou 1,2% no primeiro trimestre puxado por setores como a construção civil e as atividades imobiliárias com 2,1% e 1% respectivamente. Os números foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Rodrigo Navarro, engenheiro por formação e presidente da ABRAMAT desde 2018, conversa com a CLA sobre inovação e tecnologia na construção e como o setor vêm fazendo para se manter forte em meio à crise causada pelo novo coronavírus que teima em não ceder.

Não há como começarmos com outro foco que não seja a pandemia que assola o país e ainda desorienta mundo afora. Como foi 2020 e como vem sendo 2021 para a ABRAMAT?

Certamente podemos ter aceleração na vacinação, é sim fundamental para uma progressão e avanços primordiais. Mas especificamente para nosso setor, 2020 pode ser rotulado como ano de perspicácia e superação. Historicamente em 2015 fechamos um faturamento deflacionado de -7.2%, 2016 foi de -13% considerado o fundo do poço para o setor. 2017 foi de -3% e em 2018 fechamos no positivo com + 1%. 2019 demos continuidade ao crescimento e mais 1,5% de crescimento. Em janeiro de 2020 a expectativa era de crescer em 4%.

Mas em março veio a pandemia e em julho a FGV projetou -7% pra fechar o ano. Mas com muito trabalho, avançamos e fechamos na verdade no ‘zero a zero’ praticamente: 0.2%. Um faturamento acumulado previsto de 8%. A continuidade de aquecimento do setor, aponta recuperação e em 2022 vamos sim falar de crescimento. A construção civil se consolidou como um dos pilares da retomada econômica nacional.

As vendas e negócios no geral, são impactadas pelo ritmo de vacinação ainda aquém do desejado?

Alguns setores sofreram mais que outros. E há uma busca de adequações que visam voltar à normalidade e não perder oportunidades de negócios. A digitalização ajudou muito nesse cenário. Essa entrevista em si, mostra que houve um instinto de adaptação e ilustra a palavra-chave contemporânea: resiliência. São mais interlocutores abrangentes e com maior frequência, o que traz desafios e novos horizontes. Na crise, muitas vezes, encontramos oportunidades.

Podemos dizer que a indústria de materiais de construção é uma peça essencial no mecanismo para a tão esperada retomada econômica do país?

Somos junto do agronegócio, um pilar importante para o Brasil.

Sim, fatores como juros ainda baixos dos financiamentos imobiliários têm sustentado os lançamentos e vendas de imóveis, bem como as vendas de materiais de construção para o varejo. Retomando obras paradas, gerando renda e empregos que voltam para a economia e faz a máquina girar. Componentes como venda para o varejo que se mantém aquecidas, juros historicamente mais baixos e maior acesso à linha de financiamentos e junto a isso, maiores projeções e ambições da própria população que dão esse boom no mercado imobiliário. Podemos dizer que trata-se de um ano melhor do que foi 2019.

Em todos os setores da economia, sonha-se com menores custos, maior produtividade. Como, dadas as circunstâncias vividas, encontrar essa fórmula?

Procuramos lastrear nossa percepção com dados e buscar informações. Um exemplo são os fios de cobre com reclamações de um aumento além do esperado, mas a cotação de Londres influencia e nos impacta. Assim como as resinas plásticas, que além de aumentar de preço, faltaram. O frete internacional batendo recorde de mais de 300%. Mas depois que temos esse diagnóstico, nos cabe agir. O governo federal reuniu entidades, por exemplo no caso das resinas e houve uma redução no imposto de cotação desse material. E assim seguimos trabalhando não só na produção ao máximo, mas também com a pretensão de investimentos dos próximos 12 meses. 70% dos empresários respondem que sim quando perguntados atualmente se pretendem investir enquanto que em abril de 2020 esse percentual era de 30%.

Quais seriam as tendências para os próximos anos? A Indústria 4.0 já é uma realidade?

Essa é mesmo uma necessidade atemporal onde a disseminação de conhecimento em novas tecnologias e inovação para a indústria da construção podemos classificar como ínclita. O termo Indústria 4.0 veio com muita força há tempos, e na construção civil houve até um certo preconceito, como uma indústria atrasada. Mas isso está mudando com diversas inovações e vemos 85% de associados trabalhando com startups. O BIM já é realidade no país, temos um cronograma sendo cumprido e a construção industrializada que é mais forte fora do Brasil, mas que aqui ainda está caminhando. O maior problema desses novos modelos de negócio é a falta de uma adequação de um ambiente regulatório. Mas o novo marco regulatório das startups traz mais flexibilidade e pode abrir muitas portas. Já vivenciamos robotização, mecanização, digitalização dentro das fábricas.

Quais seriam hoje as principais propostas e reivindicações do setor?

Temos questões macro e micro. Redução do custo Brasil é o que todo empresário busca, uma vez que temos custos nacionais que vão se acumulando e que e reforma tributária espera-se possa apaziguar. Simplificação de tributos, adequação dos impostos e facilitação do ambiente de negócios. O melhor ambiente de negócios do ranking Doing Business de a 190. O melhor e mais fácil é da Nova Zelândia, o pior da Somália na posição 190 e nós na 124ª posição. Ou seja, simplificar a abertura de empresas, sem trâmites morosos e quem sabe, entrar nos primeiros 50 países onde é mais acessível empreender.

A cadeia produtiva da construção representa nada menos que 7,1% do PIB nacional. PIB esse que foi extremamente com a projeção positiva que surpreendeu e foi melhor do que a prevista. Para a ABRAMAT é possível celebrar?

Claro, temos que celebrar as pequenas vitórias. Essas ferramentas digitais que se tornaram essenciais nem imaginavam o tanto de crescimento, enquanto o turismo infelizmente amargou um pouco mais. Nós conseguimos certa estabilização e temos que agradecer, juntar forças e estabelecer apoio mútuo quando necessário. A arte da negociação e o bom senso se mostram armas poderosas.

O segmento vem recebendo ajuda do governo?

O ponto mais positivo que o governo fez foi ouvir. Receber as informações sobre o que não estava funcionando, analisar os dados e problemas detectados e ouvir as propostas que forma colocadas à mesa. Foram mais de 3000 propostas levadas e quase 2000 colocadas em prática. Flexibilização de férias, de home-office, postergação de pagamentos de impostos, linha de acesso à crédito do pequeno e médio empresário, entre outras que forma reivindicadas e implementadas.

O que você espera para os próximos anos para o setor?

Para o setor vejo que essa potencialidade visceral vai se concretizar. Plantamos mesmo durante a crise muitas sementes, tivemos reformas estruturais importantes como a tributária e administrativa que acredito, em alguns anos, já surtirá efeitos. Ainda com a simplificação do modelo de negócios, demanda reprimida de atendimento para um melhor saneamento que trará investimentos, a questão da inserção do Brasil nos mercados fronteiriços. Com tudo isso, vislumbro prosperidade, abundância e elevação.

Anos melhores e mais fluídos para todos nós.

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