Venezuela em crise

By Cristián Peters27 September 2017

O país está absorto em profunda recessão e o setor de construção está duramente impactado.

Venezuela protestas

As manifestações contra a situação atual da Venezuela têm sido massivas.

Não é novidade. A Venezuela está jogada no que pode ser considerado a pior crise de sua história republicana. Basta recorrer aos noticiários para se inteirar que o país está vivenciando um difícil transe econômico, social e político, o que despertou um mal-estar geral que já parece não ter freio, e que, em função de contínuas manifestações nos últimos meses, já cobrou a vida de mais de uma centena de pessoas.

O país está muito longe do que já foi. Em 1980, a Venezuela tinha o maior PIB per capita da América Latina, sendo um dos países mais desenvolvidos da região. Hoje sua economia é testemunha de uma inflação sem precedentes, que acompanhada de desemprego e insegurança, fazem um caldo especial para a derrubada da nação. A economia venezuelana teria registrado em 2016 a pior queda dos últimos 13 anos, com contração de 18,6%. Para este ano se prevê a queda de mais 7,4% e em 2018 nova queda de 4,1%.

Tudo isso, junto a um processo governamental de convocar e eleger uma Assembleia Nacional Constituinte que foi solenemente ignorada pelas principais democracias do mundo, aumentou ainda mais o isolamento do país. O investimento estrangeiro quase desapareceu. As companhias deixaram de investir e muitas fecharam as suas operações depois que o regime lhes desapropriou ativos. E mais: segundo o Banco Mundial, a Venezuela é o pior país latino-americano para criar uma empresa, e o terceiro pior país do mundo para empreender.

A construção

A indústria de construção é diretamente afetada pela crise venezuelana, com números alarmantes. No começo do ano, José Ángel Colina, presidente do Sindicato de Trabalhadores de Maquinário Pesado em Zulia, afirmou que “a indústria da construção está paralisada entre 90 e 95%”.

Segundo afirma editorial da última edição da revista Construcción CVC, pertencente à Câmara Venezuelana da Construção, “perdemos dois terços de nossa indústria e 50% de nossa capacidade empregadora”.

Uma das principais ameaças do setor, além da falta de maquinário pesado adequado, já que mais de 85% do parque é obsoleto, é a baixa produção de insumos. A siderúrgica Sidor, que em 2007 produziu 4,3 milhões de toneladas de aço líquido, viu sua produtividade baixar drasticamente desde sua nacionalização em 2008, chegando a produzir apenas 500 mil toneladas em 2016.

Além disso, em 2007, antes da estatização da indústria cimenteira, ela alcançava uma produção de 10,2 milhões de toneladas, o que caiu 42,1% em 2015, e hoje ostenta produção de 5,9 milhões de toneladas por ano.

Sobre isto, em entrevista ao canal Televen, o presidente da CVC, Juan Andrés Sosa, afirmou que “evidentemente isto é uma produção totalmente insuficiente para o desenvolvimento do país e isso provocou que a construção tenha se paralisado aproximadamente em 90%”.

Outro aspecto é a falta de financiamento. Hoje os bancos contam com 10% do patrimônio que tinham em 2011. Isto, junto à perda do poder aquisitivo dos cidadãos, faz com que o setor se veja profundamente comprometido.

Que dúvida cabe? Faz-se imprescindível estabelecer novos esquemas que propiciem um desenvolvimento sustentado, garantindo as condições sociais e a qualidade de vida dos cidadãos. Mas para isso deve existir vontade das partes.

É de se esperar que a situação atual toque o fundo logo e que vejamos um renascimento da Venezuela.

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