Já se sabia que a Linha 12 do Metrô estava mal feita

By Gabriel Lira19 May 2021

Crônicas de um desastre anunciado. Antes da inauguração da Linha 12 do Metrô da Cidade do México já havia algo que se sabia, mas ninguém revelou: as reportagens detalhavam os fatos que fizeram desse projeto ferroviário uma iniciativa de “péssima construção, péssima fiscalização e manutenção”. Este diagnóstico foi elaborado pela consultoria de engenharia francesa Systra em 2014, onde foram constatadas falhas óbvias derivadas da seleção dos materiais utilizados, da forma como foi soldada e foram detectadas inclusive deficiências na fiscalização da obra em geral.

Accidente de Metro de México (Reuters)

O relatório estava oculto até agora, mas o meio digital “Sin Embargo” publicou alguns dos detalhes elaborados pelos franceses em setembro de 2014. O meio destacou os alertas que o relatório suscitou, que visavam especificamente as empresas responsáveis ​​pela construção do projeto: Ingenieros Civiles Asociados SA de C.V. (ICA), Carso Infraestructura y Construcción, S.A. de C.V e Alstom Mexicana, S.A. de C.V; que disseram que fariam referência nos próximos dias ao acidente que deixou um saldo de 26 mortos e quase cem feridos (ver notícia).

Um dos comentários recorrentes naquele relatório refere-se ao desgaste atípico do concreto, que resultou em uma estrutura de má qualidade, com dormente ferroviário quebrados e trincados, que nesta condição não poderiam garantir o bom funcionamento. Além disso, foi evidenciado desgaste nas soldas, que não atendiam à norma. Em particular, os engenheiros da Systra concluíram em uma das seções do relatório que “os erros são consequência de instalações incorretas no momento da construção da via”.

Os problemas vieram de antes

A linha, inaugurada em outubro de 2012, já em março de 2014 teria visto uma suspensão do serviço entre duas estações por erros de projeto, fechamento que se manteve até novembro do ano seguinte.

Na ocasião, o consórcio formado por ICA, Carso e Alstom garantiu em nota à imprensa que as falhas se deviam ao fato de os trens não serem compatíveis com os trilhos. Por sua vez, a Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF México), que vendeu os trens para o projeto, argumentou que do lado dos trens tudo estava preso à norma.

Outras imperfeições da Linha 12 estavam relacionadas às degradações nos trilhos, que apresentava desgaste ondulante, além dos desgastes horizontais e verticais dos metais das vias. As soldas apresentavam furos, os dormentes ferroviários estavam quebrados ou trincados e o já mencionado desgaste anormal do concreto.

Além de tudo isso, os trilhos estavam mal fixados a uma geometria do terreno que apresentava graves defeitos de nivelamento. “O estado das infraestruturas é alarmante devido ao número de perturbações verificadas e pela velocidade de aparecimento e evolução, visto que a linha é relativamente nova”, afirma o documento.

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