As 50 maiores construtoras da América Latina - versão 2021

By Cristián Peters19 October 2021

CLA50

No ranking CLA50 do ano passado, constatou-se um aumento de 4,8% no faturamento das principais construtoras da região, porém, alertou-se que a pandemia seria forte, o que infelizmente se confirmou na lista deste ano, com base em Receita de 2020.

Se for considerado que o ranking divulgado no ano passado somou faturamento de US$ 23.591 milhões, a queda experimentada seria de 15,2% para os US$ 19.997,6 milhões listados neste ano. Mas cuidado, esse declínio profundo não pode ser atribuído apenas às complexidades inerentes a uma operação pandêmica, mas a taxa de câmbio mais fraca nas principais nações da região também teve um forte impacto.

Como exercício, podemos citar que, se fosse tomada a taxa de câmbio do ano passado, o faturamento teria ultrapassado US$ 20.000 milhões, e o Brasil, por exemplo, estaria listado neste ranking com faturamento da ordem de US$ 7.300 milhões, versus os cerca de US$ 5.560 milhões estabelecidos pela atual CLA50.

Embora os pesos argentino, chileno, colombiano e mexicano não variem tão fortemente quanto o real, eles também apresentam sinais de enfraquecimento.

CLA50 2021

Até 34 empresas viram sua receita cair em 2020 em comparação a 2019, com quedas de até 60%. Talvez a maior complexidade seja que a pandemia tem afetado as perspectivas de crescimento econômico para os próximos anos, uma vez que o maior endividamento provocado pelo aumento dos gastos públicos para mitigar a crise pode comprometer as finanças públicas de alguns países e, portanto, os investimentos em a infraestrutura.

Porém, pelo menos neste ano a atividade deve apresentar um efeito rebote que podemos observar no ranking do próximo ano. Embora a atual escassez e o aumento no preço dos materiais de construção devido a problemas na cadeia de abastecimento continuem a ser um risco significativo no curto prazo.

Projeções

De acordo com o último relatório da GlobalData sobre a construção na América Latina, o escritório de estudos prevê que a indústria cresça 9,7% neste ano e 5,6% durante 2022. Ambos os números estão acima dos estimados em relatório anterior que apontava em 7,7% e 5,1 , respectivamente.

De acordo com o relatório, a produção de construção na região retornará em 2023 ao seu nível pré-pandêmico.

“A construção na América Latina parece estar se beneficiando de uma recuperação mais rápida do que o esperado na economia da região, já que os efeitos colaterais dos recentes pacotes de estímulo dos EUA e do forte crescimento na China estão fortalecendo as condições das economias globais e levando a um aumento das commodities preços ”, disse Dariana Tani, economista da GlobalData.

Da mesma forma, no longo prazo, o crescimento demográfico e a urbanização continuarão presentes e impulsionarão a indústria na região.

País por país

Já no ano passado havia sido observada a volta de grandes conglomerados brasileiros que haviam perdido relevância após o surgimento do caso do jato de lava, e neste ano a presença do Brasil se torna ainda mais forte, adicionando 19 empresas à lista (três a mais do que na listagem acima) . Mas o crescimento em termos reais não se refletiu em dólares e, de fato, o país perdeu parte de sua representatividade em termos totais.

Se no ano passado o país representou 28,1% da receita do CLA50, neste ano a contribuição é de 27,8%, com receita total de US$ 5.559,1 milhões.

A reentrada de Gafisa na lista se destaca. A empresa que já havia sido listada anteriormente, não estava presente no ranking do ano passado após a obtenção de 2019 as receitas foram 58% abaixo de 2018. No entanto, a especialista em soluções imobiliárias residenciais e comerciais teve um salto no ano passado de 120,8%, atingindo as vendas da US$ 171,5 milhões, ganhando o 34º lugar este ano.

Junto com a Gafisa, duas outras empresas do Brasil entraram no CLA50, são elas a Construtora Ferreira Guedes, que nunca havia sido listada antes, que estava na 32ª posição com faturamento em 2020 de US$ 185,3 milhões; e mais abaixo, na posição 47, a MPD Engenharia, que apresentou um crescimento de 37,2% para US$ 113,4 milhões.

Já na CLA50 do ano passado havia sido anunciado que a força chilena vivida naquela edição, com 11 empresas, poderia não durar. E assim foi. As três novas empresas brasileiras que entraram na lista deslocaram três chilenos. O país tem oito empresas entre as 50 maiores da América Latina, que agregaram receita de cerca de US$ 4.485 milhões, bem abaixo dos US$ 6.051 milhões registrados na edição anterior. De fato, a representatividade do país no ranking caiu 3,2 pontos percentuais.

A Espanha acrescentou uma nova empresa à CLA50, a Ayesa, que na região tem operações no Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Panamá e Peru. Esse acréscimo permitiu uma receita de quase US$ 2.975 milhões e cobrir 14,9% do CLA50, superando o México, que em geral se manteve firme em terceiro lugar.

CLA50 2021

O país asteca, que perdeu uma empresa da lista (a queda de 49% no faturamento rendeu à Pinfra a saída), ficou em quarto lugar, com faturamento total de US$ 2.476,8 milhões. Apesar do exposto, é quase um ponto superior ao do ano passado, com 12,4% do total.

Esse aumento tem basicamente um nome e um sobrenome. A maior mexicana da lista, Carso Ingeniería y Construcción, teve um crescimento de 25,6%, alcançando uma receita de US$ 1.142,2 milhões e ganhando uma escalada de quatro posições para a quarta colocação. É preciso lembrar que, em termos gerais, desde muito antes da pandemia, a construção mexicana arrasta resultados complexos. Na verdade, três das cinco empresas listadas registraram perdas em 2020.

As 10 principais

Tal como na edição anterior, os três primeiros lugares do top ten permaneceram inalterados. A chilena Sigdo Koppers, apesar da queda de 4,1% em seu faturamento, continua liderando a CLA50 com vendas de US$ 2.238 milhões, embora a espanhola Sacyr, que cresceu na região 17,5% e alcançou faturamento de US$ 2002,3 ​​milhões.

Sólida na terceira posição está a brasileira MRV Engenharia, que faturou US$ 1.289,3 milhões no ano passado, 9,8% acima de 2019.

O salto da citada Carso Ingeniería y Construcción rendeu-lhe o quarto lugar, deslocando a empresa peruana AENZA, (anteriormente Graña y Montero), para a quinta posição, cujo faturamento sofreu uma queda de 23,6%, margeando US$ 1 bilhão.

Em sexto lugar mais uma nova empresa na CLA50 e que já deveria ser considerada há muitos anos. Trata-se da Techint Engenharia e Construção, cujo faturamento em 2020 está estimado em cerca de US$ 700 milhões.

A Techint assumiu o lugar da portuguesa Mota-Engil, cujas receitas aumentaram 37,3% para US $ 679 milhões, permanecendo na sétima posição. Em oitavo lugar entre o México Proyectos y Desarrollos, cujo crescimento de 9,9% lhe rendeu uma receita de US$ 579,8 milhões.

Na nona posição está a brasileira Andrade Gutierrez Engenharia, com faturamento de US$ 549,4 milhões e fecha a chilena Besalco, que se manteve firme na décima posição com faturamento de US$ 510,1 milhões.

Saíram dos dez primeiros colocados a Salfacorp, que teve uma queda de 46,6% no seu faturamento, sendo rebaixada para a décima primeira posição, e a Constructora Meco, cuja queda de 30,5% a teria deixado na posição 13.

Metodologia

As posições de classificação da CLA 50 são baseadas na receita bruta de vendas em dólares americanos. Quando necessário, a taxa de câmbio foi convertida para dólares com base na média da moeda em todo o ano fiscal de 2020.

As informações foram obtidas em diversas fontes, a começar pela resposta de algumas empresas a uma pesquisa elaborada pela Construção Latino-Americana (CLA), complementada com dados disponíveis em bolsas e superintendências, contabilidade auditada, demonstrativos de empresas e conceituados órgãos especializados no assunto. Em alguns casos não foi possível ter a contabilidade auditada, oportunidades em que a CLA fez uma estimativa de vendas com base em dados de consultores e tendências do setor.

Embora todos os esforços tenham sido feitos para garantir que as informações neste relatório sejam tão verdadeiras e precisas quanto possível, a CLA não pode ser responsabilizada por possíveis erros ou omissões.

Se algum leitor deseja comentar o ranking publicado das 50 construtoras com maior volume de vendas ou considera que sua empresa deve ser incluída na referida lista, pedimos que contate o editor do CLA, Cristián Peters, no e-mail: cristian. peters@khl.com

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