Considerada um equipamento de pouca tecnologia na América Latina, a betoneira se sofistica. 

Schwing

Com seus serviços de recuperação de betoneiras, equipamentos Schwing de mais de dez anos de trabalho podem voltar a produzir.

O mais comum quando se fala em betoneiras –no Brasil e também em outros cantos da América Latina – é associá-las com pouca tecnologia agregada. Mas não seria necessariamente assim: em mercados desenvolvidos, estas máquinas essenciais para concretagem são tecnológicas e produtivas como qualquer outro equipamento.

Acontece que na América Latina em geral a betoneira é o local da produção da mistura (ou quando muito a mistura é feita em central, mas é comum que o operador compense água no balão antes de descarregar). Com isso, o desgaste das peças internas, como facas e outros componentes, pela abrasividade, é muito maior. A rentabilidade do equipamento, claro, cai.

É um círculo de desagregação de valor, que pouco a pouco pode ser desfeito com a implementação de algumas características nos equipamentos. Com o mesmo objetivo, estão sendo oferecidos serviços de reparação de balões, que fazem com que o empresário de concreto pense duas vezes antes de castigar sua betoneira até deixá-la sem condição de uso.

Novidades

Em sua linha de betoneiras feitas na fábrica de Guaratinguetá, São Paulo, a alemã Liebherr resolve um problema considerável: se implementou um sistema que desassocia a velocidade do motor com a velocidade de giro do balão.

O sistema EMC-BR permite pré-estabelecer a velocidade de giro do tambor, que vai ficar fixa ao longo do percurso do caminhão. Assim não se desperdiça energia revolvendo o concreto em velocidade maior só porque o caminhão está em autoestrada. Ou, pelo contrário, não se reduz o giro só porque apareceu um engarrafamento na cidade. Como resultado, a Liebherr afirma que o sistema EMC-BR produz economias significativas de combustível e menor desgaste das peças mecânicas. Mas além disso, a homogeneidade do concreto transportado será mais respeitada, o que ajuda a que a carga não seja rejeitada na obra.

Outra interessante proposta foi a apresentada pelas empresas brasileiras Convicta e Aperam na última Concrete Show South America, realizada em agosto último em São Paulo. Trata-se de uma betoneira com balão em aço inoxidável.

Embora o primeiro que virá à mente ao ler isto é que o preço do equipamento tem que ser maior, não se deve descartar de pronto a ideia.

Liebherr

A Liebherr Brasil anunciou o sistema EMC-BR que desassocia a velocidade de giro do balão da velocidade do caminhão.

Isso porque a Aperam, uma especialista em aços especiais e desenvolvedora do tambor de inox, promete vida útil de 12 anos para as betoneiras. Com aço carbono, a empresa alega que a vida útil seria de cinco anos.

Para além de sua maior resistência ao material abrasivo, e portanto sua menor exposição à corrosão, o tambor em aço inox permite uma fabricação com menores espessuras, o que se refletirá em maior capacidade de carga. Finalmente, o balão inox da Aperam e Convicta serve também como uma garantia de menores paradas para manutenção não programada, e maior facilidade de limpeza após o uso.

O novo modelo lançado pelas empresas vem com capacidades de 8 m3 e 10 m3, e são adaptáveis a qualquer modelo de betoneira disponível no mercado, segundo afirmam as empresas criadoras do conceito.

Serviços

Também a Schwing-Stetter, outro fabricante mundial de equipamentos para concreto que tem sua oferta de betoneiras, traz novidades ao mercado. Neste caso, uma opção que vem ganhando atenção é seu serviço de recuperação dos equipamentos.

Com fábrica em Mairiporã, São Paulo, a Schwing-Stetter recebe de volta equipamentos que às vezes têm mais de dez anos de uso e os recupera por inteiro. Inclusive a pintura especial de revestimento do balão fica totalmente refeita quando a empresa realiza seu serviço de recuperação.

Na imagem da betoneira Schwing-Stetter que ilustra esta reportagem pode-se ver como a empresa mostrou ao público seu serviço de recuperação de betoneiras: um recorte em forma de espiral no balão, que deixava transparentes os benefícios da manutenção corretiva promovida pela companhia para dar a seus clientes mais vida útil para suas betoneiras, e assim melhorar as taxas de retorno de seus investimentos iniciais.

Da parte da destacada fabricante italiana de autobetoneiras, a Carmix, apresentou-se este ano uma novidade em termos de controles digitais sobre o traço do concreto. Trata-se do sistema Concrete Mate, que em resumo é um conjunto de sensores instalados no balão de seu modelo mais recente, a Carmix 3500 TC, para gerenciar a qualidade da mistura do concreto.

“Com este sistema, trazemos para a nossa Carmix 3500 TC a tecnologia usada nas centrais de concreto”, diz a respeito a diretora de marketing da empresa, Manuela Galante.

O software da Carmix permite selecionar até 15 misturas pré-definidas, e 99 tipos diferentes de materiais para cálculo do traço. Além disso, reduz os desvios padrão ao máximo de 5%, como em centrais, e adapta a umidade dos agregados medida pelos sensores e recalcula a relação água cimento, dando precisão à dosagem do concreto.