Uma das principais tendências de escoramento e formas é a redução no número de peças. 

Formas são uma parte fundamental de uma concretagem correta num projeto de infraestrutura, pois como se sabe elas dão o molde sobre o qual se formará o bloco estrutural. Por isso, inovar é importante para fornecer um melhor acabamento com relação à arquitetura e à estrutura da obra. Além disso, as formas são importantes porque supõem economia de tempo no ciclo de construção piso a piso, segurança estrutural para suportar cargas superpostas, qualidade no acabamento de qualquer obra em concreto, e um melhor planejamento do projeto. Uma administração correta das formas facilitará à empresa a concretagem e posterior desforma, o que por sua vez ajudará a reduzir custos e aumentar a eficiência.

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A Peri apresenta o Alphakit, novo sistema de construção para suporte de pontes de até 25 metros de vão e altura.

Contenção, força, resistência a fuga, precisão e facilidade de manipulação são variáveis críticas para as empresas fornecedoras de formas, escoramentos e cimbras, e a CLA buscou saber delas o que alguns dos principais nomes do setor está apresentando ao mercado latino-americano.

Moldando 2018

Diariamente, se projetam, constroem e inauguram arranha-céus, hotéis, edifícios e outras superestruturas na Argentina, Chile, Peru, Brasil, Colômbia ou México, manifestando assim um dinamismo que leva o setor de formas a crescer de mãos dadas com a quantidade de projetos na região.

Os espanhóis da Alsina destacam na sua oferta o uso de “sistemas recuperáveis na execução das obras do Hospital de Curicó, no sul do Chile”, como afirma David Espadas, responsável pelas comunicações da companhia. O projeto em questão construiu 110 mil m2 de lajes, 40 mil m2 de paredes e pilares, “além de 30 mil metros lineares de formas para vigas modulares”. Neste sentido, a Viga Modular, segundo Espadas, é o único sistema recuperável de formas projetado especificamente para o tipo de vigas que permite recuperar até 80% do equipamento após apenas 72 horas da concretagem. Trata-se de um sistema metálico, leve e fácil de montar que soluciona os problemas derivados do uso de madeira e de formas não recuperáveis em construção de vigas.

Os alemães da Layher estão, atualmente, trabalhando intensamente nas obras do Novo Aeroporto Internacional do México, “especificamente na construção dos funis de suporte da cobertura do edifício do terminal”, de acordo com Sergio Bartolomé, diretor geral da empresa na América Latina.

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A Viga Modular é um sistema que permite recuperar até 80% do equipamento apenas 72 horas depois da concretagem.

Mas ele também destaca que as obras de novos arranha-céus na capital mexicana, como a Torre Reforma, Bancomer, Punta Chapultepec e outros. E o executivo nota que os sistemas Layher estão em aplicação também em obras como as da mina Peñasquito, em Zacatecas, e na linha 3 do metrô de Monterrey.

A também alemã Peri, famosa fornecedora de sistemas de formas para construção, destacam-se vários projetos em execução na região latino-americana este ano. Entre eles, a Torre E RCS do projeto Manquehue Kennedy, executado pela construtora Bersa em Santiago do Chile. O prédio tem uma superfície de cerca de 11,5 mil m2 construídos em três níveis subterrâneos, e 21,5 mil m2 em 29 andares. “Para o desenho dos acessos perimetrais, devido à grande altura do edifício e aos altos padrões de segurança, nosso cliente considerou um sistema auto-trepante RCS que permite proteger os trabalhadores que realizam os trabalhos em grande altura”, afirmou Mirko Jordan, gerente técnico da companhia.

Vale mencionar também a Torre Mitikah, na Cidade do México, arranha-céu com 267 metros de altura e 67 andares. Neste projeto, “o cliente solicitou manter protegidos 2,5 andares contra queda de objetos e pessoas. Por isso, oferecemos uma proteção perimetral dos dois andares e meio pedidos com o sistema RCS”, disse.

A empresa destaca vários outros projetos em 2018, como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, “um edifício futurista com teto elevadiço, cuja construção em concreto in situ são característica deste projeto complexo, com superfícies 3D de forma livre”, afirmou Jordan. O executivo também enfatizou as obras da Ponte Las Truchas, que se encontra no México e terá 400 metros de comprimento, “onde tivemos que projetar e fabricar todas as soluções de cimbramento e formas para os pilares da estrutura”.

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O TG60 da Layher tem pré-montagem a partir do chão na horizontal, para então montar a torre de cimbramento.

Já a austríaca Doka destaca três grandes projetos neste ano, até o momento. Miguel Ángel Boudget, gerente de engenharia da Doka, menciona o projeto UrbaColombia – Infinity, localizado em Bucaramanga, na Colômbia. “Em termos de engenharia de formas, o projeto foi muito satisfatório. Aplicamos os sistemas Dokamatic, TLS, SKE 50, SKE 100, Load Bearing Towers D2, Frami XLife, Top50 e Dokaflex. Todos estes sistemas se integraram, criando assim um amplo sistema interconectado que deu vida a uma forma muito eficiente e economizadora de tempo para construir uma estrutura como a do Projeto Infinity”.

Por outro lado, Francisco Petta, diretor comercial da Doka, diz que “nos últimos anos, nos tornamos especialistas em projetos de edificação, especificamente projetos verticais. Nossos sistemas de construção para lajes, colunas e paredes permitem ter maior avanço nas obras, solucionamos necessidades específicas de obra que com um método tradicional não poderiam ser resolvias”.

A brasileira Metro Modular, de sua parte, revela que estão apostando tudo nas obras de pouca repetição, tais como: edifícios, hotéis ou escolas, “mostrando que nosso sistema é uma excelente opção também para projetos com baixa ou nenhuma repetição”.

Desafio de formas

O desafio destes trabalhos está precisamente em dar forma ao concreto que está sendo lançado. Assim, possíveis falhas na forma e na secagem são críticas para o respeito ao cálculo original da estrutura do projeto. Muitas vezes, as complexidades aparecem nos moldes de concreto pouco convencionais, como no caso da Alsina aconteceu no projeto de uma autoestrada na Ásia. “O projeto pretende construir 500 lintéis com a tecnologia SOSROBAHU, que consiste em concretar o lintel em paralelo ao trânsito de veículos para não obstaculizar as vias; e uma vez acabados os lintéis, giram-se 90 graus para coloca-los em sua posição correta”, afirmou Espaldas, dizendo que foi um caso particularmente desafiador.

Para melhorar cada dia mais, os espanhóis também ressaltam sua aposta pela inovação no setor de formas, através de seu departamento de pesquisa e desenvolvimento, onde já registraram mais de 150 patentes, entre as quais se incluem sistemas de forma sob a certificação ISSO 9001:2015, “que inclui desenho, fabricação, serviços de engenharia e comercialização de equipamentos para lançar concreto”.

Na Layher, Bartolomé revela que pretendem introduzir no mercado o TG60, que é “de rápida montagem e desmontagem das torres de cimbramento, economizando 30% do tempo. Além disso, o cliente tem 30% em torres de escoramento para o mesmo requisito de carga”.

Na Peri, a empresa considera que os maiores problemas acontecem quando há má utilização de equipamentos sob locação, cuja decomposição por negligência gera atrasos posteriores nas obras. “Desenhamos um programa inovador que incentiva os usuários a usar os equipamentos segundo as instruções. Além disso, conscientizamos as lideranças, mostrando a eles a economia gerada pelo uso adequado do equipamento”.

Mas Jordan vai além, e afirma que a Peri está se concentrando nos desafios ligados à digitalização e à realidade aumentada nos projetos. “Estamos trabalhando em um novo aplicativo, para observar a solução virtualmente em 3D a partir de um dispositivo móvel. Isto entregará informação mais precisa, facilitando a interpretação das plantas e em consequência economizando tempo e dinheiro”, disse.

Da mesma forma que seus concorrentes, a Doka afirma que capacitar as pessoas a bem utilizar os equipamentos “foi uma das coisas mais desafiantes, já que eles costumam ter suas próprias maneiras de construir”, declarou Andrea Vicentin, encarregada de marketing da empresa para a América Latina.

Já para a abordagem de problemas de execução, Vicentin explica que “a versatilidade não é um problema, já que podem ser desenhados para ser e fazer aquilo que queiramos que façam”. Assim, aparece o sistema Framini, apresentado há pouco tempo pela Doka. Trata-se de um sistema de formas rápido que dispensa içamentos, tem peso reduzido e ergonomia otimizada que reduz o esforço nas operações, e que portanto a “versatilidade ao momento da instalação e a face de contato mais fina permitem um bom acabamento do concreto, o que é uma grande vantagem”, destacou o engenheiro Héctor Naiza da HV Contratistas. Ele diz também que o Framini tem menos acessórios para utilização, o que reduz os tempos de obra.

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O projeto UrbaColombia Infinity, em Bucaramanga, Colômbia.

Escorando a inovação

Em termos de inovação, a Layher insiste no TG60 como seu cavalo de batalha para o mercado atual. Sua pré-montagem se realiza desde o chão na horizontal para então montar a torre de cimbramento, onde os passadores asseguram a união dos marcos entre si. Além disso, “a cimbra TG60 pode ser movida rapidamente para uma nova localização sem desmontagem e posterior remontagem, assim como também é possível mover grupos de torres enlaçadas, já que é compatível com diferentes zonas de obra e tipos de união entre pilares”, destaca Bartolomé.

A Peri está apontando à inovação nas obras comentadas acima graças a três técnicas de forma, a saber: o sistema RCS, o Vario BOX 3D e particularmente o sistema Alphakit. O primeiro deles é um sistema trepante sobre trilhos. Os trilhos podem ser modulados com perfurações para cada 125 mm, a fim de adaptar as plataformas ao terreno. O Vario BOX 3D é um sistema de formas livres, usável em formas complexas ou curvas. Mas a companhia prefere destacar mesmo o Alphakit, novo sistema de construção para soluções de suporte de pontes de até 25 metros de altura e vão.

Jordan diz que o Alphakit “é um sistema de peso leve e conexões rápidas; além disso, proporciona eficiência para a montagem de suportes de carga para a construção de pontes. Diferentemente das soluções convencionais com muitas conexões de parafuso, o Alphakit só precisa de dois passadores para as uniões”. Nesta linha, Jordan reconhece que puseram o foco na redução do número de peças para o sistema Alphakit. “Tem aproximadamente 30% menos peças do que outros sistemas”, diz.

Na Doka, a inovação está no sistema Doka UniKit, sistema modular pensado para facilitar a produção de escoramentos em espaços de requerem equipamentos de capacidade extra alta. O Doka UniKit permite uma variedade de usos onde se devam transferir cargas pesadas, como seria o caso da construção de infraestruturas como centrais hidrelétricas.