Os desafios de uma indústria que exige rapidez, durabilidade e rentabilidade.

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Há um dado que mantém certa faixa do mercado de construção em alta, e com ele vem a demanda por equipamentos móveis seja para obras civis, viárias ou de outro tipo. São as obras de reconstrução ou prevenção de desastres naturais, que têm ocorrido com muita frequência no continente latino-americano nos tempos recentes.

Embora as normas ambientais estejam num movimento permanente de aumentar as restrições, os geradores a diesel continuam sendo os mais populares na região, por serem altamente rentáveis e fáceis de instalar e usar. É por isso que um dos principais enfrentados pelos equipamentos móveis e fixos é a demanda dos clientes que exigem confiabilidade e eficiência operacional. “Os clientes e operadores querem ter a tranquilidade de que uma vez instalado o equipamento, ele funcione de maneira contínua, sem interrupções ou falhas”, diz Paul Humphreys, integrante da área de energia portátil da Chicago Pneumatic.

Para formar um panorama geral da indústria de equipamentos móveis, a Construção Latino-Americana conversou com vários dos mais importantes provedores de maquinário móvel para a construção.

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Autonomia, custos de manutenção, potência, capacidade e facilidade de transporte. Estes são alguns dos fatores determinantes na hora de adquirir equipamentos para a construção. A inglesa JCB afirma que “nos preocupam dois aspectos, o serviço pós-venda e os baixos custos de operação dos equipamentos alugados. Nossos clientes são cada diz mais exigentes em termos de custo, pelo que na JCB contamos com uma linha de geradores com motores próprios, o Dieselmax, que foram projetados para ter o consumo mais baixo do mercado. Somado a isto, temos o sistema LiveLink, o qual monitora o gasto de combustível, permitindo estudar o comportamento do consumo segundo a demanda elétrica e assim otimizar o dimensionamento do equipamento e seu custo operacional”, afirma o gerente regional de vendas para a América Latina, Juan Pablo Lee. Neste sentido, destaca o executivo, “o LiveLink nos permite monitorar também o perfil de carga elétrica, tensão, frequência e outras variáveis mecânicas como a temperatura, ou as revoluções do motor diesel. Este sistema, após toda a revisão, informa via email ou mensagem de texto os alarmes que podem ser gerados. Assim, o cliente pode se antecipar a problemas e marcar com antecedência as visitas dos técnicos, sabendo qual o problema que afeta o equipamento”.

Já a espanhola Himoinsa nos informou, através de seu gerente geral para a Argentina e o Cone Sul, Gabriel Gallino, que “nossos produtos se adaptam a diferentes setores e aplicações, sendo a área de locação uma das mais importantes para a companhia. Contamos com um leque de potência desde os 20 kVA até os 1300 kVA, cujos modelos incorporam configurações especiais para cobrir as exigências tanto de um segmento como do outro. Estamos trabalhando em modelos como o grupo gerador HYW20T5, desenvolvido na Argentina, que é um gerador de fácil operação, que trabalha com motor Yanmar que gera potência PRP, tanto em sistema monofásico como em trifásico. Seguramente será um sucesso”, disse. Recentemente, a multinacional espanhola inaugurou uma nova fábrica na província argentina de Santa Fe, com 1,2 hectares de área construída, onde é possível produzir mais de 3 mil grupos geradores de entre 8 kVA e 2.000 kVA. “Além disso, fabricamos componentes e peças como os alternadores CRAMACO, carrocerias etc; tudo em função da demanda que hoje nos aparece do Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai”, afirmou o executivo da Himoinsa.

Da mesma forma que a JCB, a Himoinsa também está preocupada com o pós-venda, pois também tem a consciência de que dar seguimento aos clientes que investem em suas opções é uma oportunidade de fidelizar, além de melhorar o relacionamento com eles: “desenvolvemos o Gestor de Frota HImoinsa, que permite monitorar à distância, via telefone ou internet, 24 horas por dia, para ficar sabendo de horas de trabalho, deslocamentos e mesmo roubos, graças ao GPS e o acelerômetro com que contam”, acrescentou Gallino.

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No que toca a Chicago Pneumatic, um dos destaques na sua divisão de equipamentos móveis é a nova linha de compressores portáteis Red Rock. “Suas robustas coberturas de polietileno fazem com que nossos compressores Red Rock sejam muito mais leves e menores; eles chegam a pesar menos de 750 quilos, o que facilita seu transporte em quase qualquer tipo de veículo”, afirma Humphreys.

Como todas as marcas importantes no ramo, a Chicago Pneumatic também se preocupa com o atendimento. “Os compressores Red Rock não são difíceis de manter. Com só alguns minutos pode-se completar o trabalho de manutenção. Nossos compressores requerem serviço a cada 500 horas, ou uma vez ao ano. A gama Red Rock está disponível em pressões de trabalho de entre 7 e 12 bar, e seu leque de fluxo de entre 2 e 5 m3/minuto”, afirmou ele.

A alemã Wacker Neuson destaca uma ampla gama de produtos, com os quais buscam satisfazer as necessidades deste amplo mercado. “Estamos fabricando geradores móveis no Brasil. São produtos compactos e silenciosos que proporcionam alimentação elétrica em monofásico e trifásico”, detalha Hugo Arce, presidente regional da Wacker Neuson para América Latina. Mantendo a tendência dos competidores, a empresa também trabalha com monitoramento em tempo real de seus equipamentos: “um controlador digital supervisiona as operações e proporciona dados de funcionamento continuamente numa tela. Também, os componentes e peças confiáveis, como o motor Perkins, o alternador WEG e o controlador Deep Sea Electronics garantem seu rendimento inclusive em ambientes adversos”, diz Hiram Ponce, gerente de desenvolvimento de mercado da Wacker Neuson para a América Latina.

Locação

O mercado de locação vai além do mero aluguel do equipamento e seu posterior monitoramento. Há outros dois aspectos: “os desafios mais importantes são relativos ao financiamento, já que nossos clientes buscam melhorar sua equação de custos, em razão de que nós oferecemos o JCB Finance para facilitar a aquisição do maquinário”, disse Juan Pablo Lee. Por sua vez, o gerente regional da JCB disse que “os locadores querem um suporte cada vez mais rápido e confiável, e por causa disso é de suma importância continuar aumentando nossa rede de distribuição e técnicos capacitados. Não obstante, para aplacar as distâncias desenvolvemos o LiveLink, já que isto é fundamental na manutenção operacional, preventiva e corretiva dos geradores, aumentando assim a efetividade do diagnóstico e a velocidade de resposta”.

Na Himoinsa, o problema ambiental geralmente levantado com respeito a equipamentos de combustão é tratado como importante. “O mercado está cada vez mais exigente em matéria de poluição, tanto de emissões de gás como de acústica”, diz Gabriel Gallino. “Por isso, nos últimos anos, estamos trabalhando no desenvolvimento de produtos mais silenciosos e em uma gama completa a gás, para o setor de rental. Também desenvolvemos a gama Silent Plus, que cobre o leque de potência desde os 20 a 550 kVA, o que garante uma baixa sonorização em operação, chegando a ficar abaixo dos 60dB, ajudado em parte por elementos isolantes como a lã de rocha de alta densidade (100mm)”, acrescentou.

Gallino também avisa que estão trabalhando em projetos de hibridação “para oferecer nossos grupos geradores como backup em usinas solares e eólicas”. Por outro lado, no quesito emissões de gases, disse que “queremos ser mais amigáveis com o meio ambiente e para isso lançamos há uns meses um grupo gerador a gás com manutenção a cada 10 mil horas para o mercado de locação”. Nesta matéria, destacam-se modelos com bifrequência (50 e 60 Hz), capazes de se adaptar a diferentes regiões geográficas. Esta gama de produtos incorpora o armazenamento de GLP necessário para assegurar uma autonomia de 24 horas. “Os tanques incorporados estão homologados para GLP veicular, o que os transforma numa opção versátil para o setor de locação, onde há uma grande demanda por equipamentos móveis, fáceis de transportar e que possam ser reabastecidos em qualquer posto de serviço com GLP convencional”, reitera Gallino.

Na Chicago Pneumatic, muita ênfase se dá a que o cliente tenha um rápido acesso a equipamentos, peças de reposição e sobretudo a diagnósticos técnicos certeiros. A respeito disso, Paul Humphreys diz: “trabalhamos estreitamente com nossa rede de distribuidores da região para garantir que todos os técnicos estejam preparados para satisfazer os requisitos mais urgentes dos clientes finais, e para isso oferecemos uma capacitação detalhada sobre cada produto, a fim de que o serviço de pós-venda possa ser visto de maneira sempre mais integral. Além disso, nos especializamos em geradores móveis multi-drop, que estão projetados especificamente para serem suficientemente robustos e ergonômicos para se moverem com frequência tanto dentro dos canteiros como entre canteiros. Em termos de manutenção, os clientes podem economizar adicionalmente, através dos longos intervalos de manutenção, que ficam entre as 250 e 500 horas”, conclui.

Desastres naturais

Diante de um desastre natural, é fundamental a disponibilidade de equipamentos, a celeridade ante eventualidades e a capacidade de reconfiguração dos mesmos. “Nossos distribuidores contam com estoque de maquinário e capacidade de reconfigurar os equipamentos, segundo as necessidades do cliente diante de um desastre natural”, afirma Lee da JCB.

Enquanto isso, os alemães da Wacker Neuson têm uma visão mais social a este respeito. Diz o gerente de desenvolvimento de mercado Hiram Ponce: “adotamos um enfoque de cidadão corporativo, e neste sentido assumimos a responsabilidade social de estar disponíveis sempre para ajudar, proporcionando bombas e desumidificadores, geradores e torres de iluminação para ajudar a mitigar o impacto e outros tipos de maquinário para a remoção de escombros e movimentos de terra, ao mesmo tempo que contamos com uma linha de telefone de emergência para a linha de rental, a fim de entregar um bom suporte técnico”.

Da parte da Himoinsa, Gallino sustenta que também há um compromisso com relação a desastres naturais e emergências: “na Argentina, doamos grupos geradores ao exército para emergências, e nos Estados Unidos fornecemos geradores quando houve apagões resultantes do furacão Irma. Em situações de emergência, é importante atuar rapidamente, e por isso que os compressores, geradores e a iluminação sejam fáceis de transportar é importante, que tenham autonomia 24/7. Por isso estamos nos enfocando em reduzir tamanho e peso dos equipamentos, sem perder a potência nem autonomia”, afirmou Humphreys, da Chicago Pneumatic. “Há duas coisas importantes, as coberturas de polietileno reduzem o peso, e as torres led verticais otimizam os espaços de transporte”.

Luzes de mercado

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Na área de iluminação, estão se desenvolvendo torres capazes de operar por grande quantidade de tempo, cada vez mais leves e pequenas para aumentar e otimizar a distribuição na área de vendas e rental: “o mercado está em crescimento, já que países como Peru e Argentina estão em fase de reativação econômica, o que fez com que aumentasse a demanda por geradores e torres de iluminação”, diz Lee da JCB.

Assim, em matéria técnica, a potência, autonomia e o alcance das torres de iluminação se tornam o fator competitivo principal. A torre Apolo, da Himoinsa, pode iluminar uma área de mais de 1,5 ha por um período de 166 horas sem interrupções. Além disso, destaca-se uma torre fabricada na Argentina (LTA8), que com autonomia menor, de 73 horas, alcança 3,2 ha, graças ao potente motor Yanmar que consome 1,57lt/h de diesel.

A Chicago Pneumatic já está trabalhando na tecnologia LED, dados os benefícios desta el relação ao halogêneo, especialmente em termos de eficiência, iluminação e manutenção reduzida. “Particularmente na área de rental nossos clientes estão considerando trocar suas frotas de halogêneos metálicos para LED, já que poderiam economizar os custos de manutenção, já que as lâmpadas de LED devem ser trocadas em períodos de tempo maiores do que as halogêneas”, afirma Humphreys. Neste sentido, as LED CPLT V2 e V3 proporcionam uma fonte confiável de iluminação, sem fio, leve e de fácil transporte, tecnologia que é pensada para iluminar instantaneamente entornos de difícil acesso. Tal como pensaram os alemães da Wacker Neuson com os modelos LTV6 e LTV8, que com seus motores Kohler (KDW1003) ou Kubota (D1005), são idôneos para pequenos trabalhos de preparação de obras, concretagens, trabalhos pontuais em rodovias ou pontes, já que alcançam 95 horas de autonomia, uma altura de até sete metros e uma manutenção apenas depois de 750 horas de serviço.