A marca chinesa chega a três anos fabricando en Brasil com mais distribuidores e um salto de qualidade.

Lg4

“Isto é um processo de obtenção de confiança na marca”, disse o vice-presidente da LiuGong para a América Latina, Bruno Barsanti.

Em março, fazem três anos desde que a LiuGong inaugurou sua unidade de produção de equipamentos de construção na cidade de Mogi Guaçu, na região de Campinas.

A Construção Latino-Americana visitou recentemente as instalações para uma entrevista exclusiva com o vice-presidente para América Latina da fabricante, Bruno Barsanti, e ali pôde comprovar a enorme transformação por que a marca passou nestes últimos anos. Foi um período em que a empresa se colocou com dois pés no caminho de cumprir a promessa de se incorporar entre os grandes provedores de maquinário de linha amarela nos mercados latino-americanos.

Distribuição

Como qualquer participante do mercado de linha amarela, a LiuGong é consciente da importância fundamental de sua rede de distribuidores. Assim, nos últimos meses, trabalhou seguidamente na ampliação de seu alcance comercial. Sem este trabalho, não é possível oferecer serviço e atendimento ao cliente, o que hoje é demandado tanto quanto ou mais do que a própria máquina.

“A rede recebeu muita atenção nossa nos últimos dois anos, o que faz sentido com a forma da LiuGong trabalhar. Só vendemos máquinas onde tem um distribuidor aliado que possa dar respaldo ao cliente. Começamos 2018 com sete grupos econômicos no Brasil cobrindo mais de 90% do território nacional. Isso é fruto do desenvolvimento e da tarefa de casa que fizemos nos últimos dois anos”, diz Bruno Barsanti.

Hoje a LiuGong tem em sua rede brasileira as empresas Marconi (estados de Mato Grosso e Rondônia),CBMaq (estados de Goiás, Tocantins e na capital federal), Priori (na região sul, especificamente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina), Conterrânea (Ceará e Pernambuco), Tractorbel (para Minas Gerais e Espírito Santo), e Comingersol para o estado de São Paulo. A sétima empresa tinha anúncio marcado para após o fechamento desta edição, e atenderá o estado do Mato Grosso do Sul.

Uma expansão semelhante é feita pouco a pouco também na América do Sul. “Quero lembrar que a LiuGong tem distribuidores em todos os países da América do Sul, inclusive nas Guianas e na Venezuela. Se somarmos todas as pessoas que trabalham nesta rede, há mais de 1 mil profissionais trocando informações, conhecimentos e aplicações”, afirma o executivo.

No Uruguai, por exemplo, onde a empresa conta com um centro de distribuição de peças não nacionalizadas, recentemente foi nomeada a Sisler como distribuidora exclusiva no país.

Sobre a atuação de seus dealers na região, Barsanti afirms que “na Bolívia estamos crescendo muito bem com o Grupo Viaggio. No Peru e na Colômbia as coisas seguem um pouco difíceis; no Chile mantivemos nossa participação; e no Paraguai sempre estivemos em primeiro ou em segundo no mercado”.

O caso especial do momento é a Argentina, onde a companhia tem uma importante associação com seu distribuidor ZMG. “Somos imbatíveis na segunda posição, crescendo a taxas mais altas que o mercado”.

Segundo explica o vice-presidente para América Latina da LiuGong, a estratégia global da empresa é muito clara: aumentar significativamente a porcentagem dos mercados globais no faturamento geral. “A LiuGong tem um plano mundial com 20 países estratégicos, e destes os sul-americanos são Brasil, Chile, Argentina e Peru. A empresa investirá continuamente nestes mercados com o objetivo de aumentar o faturamento internacional de 30% para 40% em 2020”, revela o executivo.

Produtos

Estabelecer e manter uma rede ampla não seria suficiente se o produto não tivesse a capacidade de convencer. Segundo Bruno Barsanti, ao longo dos últimos anos a LiuGong investiu para se tornar uma marca reconhecida pela qualidade dos produtos que vende.

Mirando no mercado de equipamentos de tecnologia ajustada, mas bem construídos, robustos e econômicos, suas principais apostas na América do Sul são as carregadeiras da série H e a escavadeiras da série E.

Quem olha uma carregadeira 835H, ou 856H, que os modelos comercializados pela marca atualmente no Brasil, nota o progresso em termos de design. A cabine está remodelada e moderna, os comandos do operador são similares a qualquer equipamento moderno, e as partes mecânicas e a hidráulica impressionam por estarem bem organizadas e reforçadas.

“Na média, a série H apresenta 8% de economia de combustível e 12% a mais de produtividade. Estas máquinas cumprem com a norma Tier 3 e com as normativas de ruídos do Brasil. No restante da América do Sul, os equipamentos são Tier 2, mas os distribuidores começam a fazer um mix com as Tier 3. Em escavadeiras, percebemos boa recepção à série E, principalmente o modelo de 22 toneladas. Estes dois produtos lideram o desenvolvimento, que é apoiado pelo maior centro de pesquisas da China, e o nosso estúdio de design na Inglaterra, que é de onde vêm as ideias para melhorar o aspecto, ergonomia e a visibilidade dos nossos equipamentos”, diz Barsanti.

Mas os equipamentos da companhia se adaptam de acordo com a realidade local. “O Chile, por exemplo, é um mercado muito elegante que sempre utilizou nossos modelos top. Ali estamos com a linha H de carregadeiras e E de escavadeiras. Em outros mercados da região, nossa vantagem é que temos configurações intermediárias que atendem os vários nichos de mercado. No Brasil, as configurações são globalizadas, ou seja, transmissão ZF, motor Cummins e hidráulica Bosch Rexroth. Na Argentina, a cultura é por um produto muito ocidentalizado, e as configurações obedecem a isso”, explica.

Desta forma, a LiuGong vem ganhando uma reputação cada vez mais forte no mercado latino-americano, com máquinas de mais qualidade e melhor suporte pós-venda. “Isto é um processo de obtenção de confiança na marca. Por exemplo, há funcionários de outras marcas tradicionais que vêm trabalhar conosco; há distribuidores que trabalharam com produtos tradicionais que nos elegem como sócios para o futuro. Tudo isto gera um processo positivo que chega ao cliente final. Quando o cliente encontra um funcionário que conhecia de outra marca, ou um distribuidor famoso que hoje é LiuGong, se sente respaldado. Eles percebem que a marca se estabelece com mais suporte e mais gente. Os conhecimentos, recursos e cobertura são elementos de um projeto que é oferecer produto e suporte adequados, para que então possamos ser escolhidos pelos clientes médios e grandes dos nossos mercados”, conclui Bruno Barsanti.