A Federação Iberoamericana do Concreto Pré-misturado analisa os principais números da indústria.

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Calcula-se que no mundo se produziram em 2015 cerca de 2,4 bilhões de metros cúbicos de concreto pré-misturado, sendo a China responsável por um pouco mais da metade do volume, seguida de longe pelos EUA e a União Europeia, que representam cerca de 11% e 9%, respectivamente. Neste cenário, aparece a Iberoamérica (que compreende a América Latina e Caribe, mais Portugal e Espanha), com cerca de 140 milhões de metros cúbicos em 2015 (cerca de 5,8% do total mundial), volume este que em 2016 se reduziu a 123 milhões, impactados que foram pela falta de crescimento em muitos países da região e a muito importante queda do volume no Brasil.

Analisando apenas a América Latina sem nossos colegas da Espanha e Portugal, o peso da região em 2016 foi de 104 milhões de metros cúbicos, inferior ao recorde histórico calculado em 130 milhões de metros cúbicos, de 2014, mas todo caso, o número foi quase 60% superior ao volume registrado em 2004, quando se começaram a publicar previsões.

O importante aqui é que os indicadores de consumo per capita continuam sendo muito baixos, pois enquanto a média nos países europeus – que já desenvolveram a maioria de sua infraestrutura – ele está entre 0,4 e 1 m3 de concreto por habitante por ano, e nos EUA esta mesma média é de 0,75 m3, na nossa região a média é de 0,169 m3/hab-ano, com diferenças importantes entre o Chile e o Panamá, - que são os que ficam em melhor figura – com consumos próximos a 0,35 m3/hab-ano, em relação a Haiti e Honduras, que ficam apenas em 0,01 e 0,07 m3/hab-ano, respectivamente.

Certamente, são médias baixas de consumo do material para o padrão mundial, que postas ao lado da necessidade de infraestrutura e moradia, ao crescimento populacional e à migração do rural para o urbano, devem gerar boas perspectivas de crescimento da indústria do concreto pré-misturado no médio prazo.

Há outros dois aspectos que nos podem abrir ainda mais o panorama. 1) Em 2004, a indústria do concreto pré-misturado na China era praticamente inexistente. O governo central impulsionou um decreto que proibiu a mistura em obra nos 200 centros urbanos de maior importância ao longo do país, por razões de eficiência e sustentabilidade, o que fez crescer rapidamente o setor, até alcançar em 2008 os 300 milhões de metros cúbicos, e sete anos depois quadruplicou este valor. 2) A Índia começou formalmente sua indústria de concreto pré-misturado em 1994, chegando ao ano de 2001 a apenas 2% do consumo de cimento. Hoje é uma indústria que ronda os 150 milhões de metros cúbicos, e para 2030 espera estar no dobro deste volume.

Daí, não é utópico pensar que a América Latina possa incrementar de maneira importante seus consumos e atender de forma industrializada as necessidades de construção que requerem concreto em nossos países, com competitividade e sustentabilidade.

Medir a competitividade é essencial

Os indicadores são fundamentais para qualquer tipo de atividade. No caso da indústria de concreto pré-misturado, a razão pela qual uma empreiteira adquire o produto é porque ele lhe gera algum valor agregado. Esse valor agregado, em nosso caso, tem a ver com eficiência na obra, menores custos, competitividade ou soluções tecnológicas para seus desafios construtivos. Daí que seja importante medir, do ponto de vista da indústria, aqueles aspectos fundamentais que sabemos que impactam o cliente, e que têm a ver com os temas mencionados. Neste sentido, a Federação Iberoamericana de Concreto Pré-misturado realiza desde 2007 uma Pesquisa Anual de Indicadores, que é de participação voluntária e aberta para empresas de toda a América Latina, onde se recolhem dados importantes sobre o estado da indústria e sua operação de maneira geral, e com certos protocolos que permitem divulgar a informação para que ela tenha o uso destinado: que toda a indústria da região possa melhorar e ser mais competitiva.

No último mês de abril, apresentou-se a última Pesquisa de Indicadores correspondente a dados do ano de 2016, da qual participaram empresas com números que ficassem acima de 9,8 milhões de metros cúbicos, 152 centrais de concreto e 2,8 mil motoristas de caminhões de mistura (betoneiras ou mixers, como se denominam em alguns lugares).

Aqui, alguns dos dados produzidos*:

  • Enquanto em uma empresa grande (que produz mais de 500 mil metros cúbicos por ano) há um Chefe de Unidade responsável por cada 130 mil m3, numa empresa média (entre 100 mil e 500mil m3 ano) há um por cada 88mil m3.
  • A média de transporte na América Latina é de 4.294 m3 (o 357 m3/mês) por motorista de caminhão. Não obstante, esta produtividade é 23% inferior à de cinco anos antes.
  • Quando se analisa equipamento, a média transportada em um ano numa betoneira é de 5.273 m3, sendo a empresa más produtiva uma cuja média é 7.600 m3/betoneira-ano.
  • 93,2% da frota existente de betoneiras está em operação.
  • 2,64 horas é a média de tempo que leva cada ciclo de despacho de uma viagem de concreto pré-misturado desde que sai da central até que volte listo para carregar, e se fazem 3,10 viagens em média ao dia.
  • 32,88% do concreto despachado são bombeados na América Latina.
  • A resistência média despachada é de 27,54 Mpa.
  • 35,36% da água utilizada para o concreto é reciclada, o que significa economia suficiente para abastecer o consumo de toda a população da Espanha por um dia.
  • 2,73% do concreto produzido são rejeitados por qualquer razão e têm que ser tratados.

Vale destacar, é claro, que estes dados correspondem ao relatado pelas empresas participantes de toda América Latina, e não necessariamente refletem a particularidade de uma cidade ou país específico. Por isso, o caráter destes dados é estritamente acadêmico e informativo.

Conclusão

A indústria do concreto pré-misturado na região tem avançado, e seu desenvolvimento deve continuar em crescimento junto à industrialização, a competitividade e à sustentabilidade dos países da área, com várias oportunidades de melhorar em nível interno e muitas empresas. Mas também há experiências que são dignas de reconhecimento em qualquer parte do mundo. Se você deseja mais informação sobre a FIHP, ou sobre a Pesquisa de Indicadores, por favor visite www.hormigonfihp.org

 

Manuel Lascarro é Engenheiro Industrial da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá, Colômbia, com um Mestrado em Gestão e Financiamento Privado de Projetos e Concessões da Fundação Antonio Camuñas – Universidade San Pablo C.E.U de Madri, Espanha. Desde 2007, é o diretor executivo da Federação Iberoamericana do Concreto Pré-misturado (FIHP), entidade sem fins de lucro que reúne as associações, institutos e empresas dedicadas a promover a indústria do concreto pré-misturado na região. Com membros em 21 países, a FIHP trabalha já 40 anos pelo desenvolvimento desta indústria.