Como indica o título desta entrevista, a adaptação é fundamental para fazer frente à atual sanitária do mundo. Ao menos é o que considera Octavio Perdomo, gerente regional da Schwing-Stetter para a América do Sul, que conversou com a CLA sobre como reagiu a empresa diante da pandemia.

Schwing will unveil the S 43 X truck-mounted placing boom at World of Concrete.

Como a Schwing sentiu o impacto da Covid-19 no primeiro trimestre?

Os cenários são muito parecidos em todos os países. Incerteza, congelamento da maioria dos negócios, e o que pudemos fazer na Schwing foi manter o contato com distribuidores e com a maioria de nossos clientes finais, a fim de definir o tipo de suporte que precisam.

Há países que estão mais complicados, outros com algumas expectativas, mas em termos gerais as condições da pandemia – excetuando-se o Brasil, que não é minha região, mas entendo que se maneja com muito mais flexibilidade – são muito parecidas.

Como a fábrica foi afetada?

Embora o mercado do Brasil não seja minha responsabilidade, os equipamentos que nós entregamos na América do Sul vêm da fábrica do Brasil, e a estrutura administrativa da Schwing para a região está centralizada ali, então sei que foi afetada e tivemos que mudar alguns procedimentos para proteger nossos empregados e continuar funcionando.

Aquí cabe dizer que a fábrica não parou, se manteve produzindo mas se acomodou e acatou as instruções do governo brasileiro. Por exemplo, às sextas-feiras a fábrica não pode produzir, e prevemos que nos próximos três meses será assim.

Calcularam o impacto destas medidas sobre a produção?

Schwing Factory Brazil

A fábrica de Mairiporã continuou produzindo com todas as medidas sanitárias em aplicação.

Há dois pontos importantes que posso destacar na liderança de Silvio Amorim (CEO da Schwing-Stetter Brasil): o cuidado do pessoal da fábrica, que acata todas as medidas sanitárias e de controle da saúde, que são repostadas diretamente à Alemanha na nossa sede central; e o segundo é que nós, em função da incerteza do mercado, estamos trabalhando em reuniões de planejamento semanais, onde fazemos uma retroalimentação do comportamento de cada um dos negócios que temos e em função disso vamos trabalhando, porque para nós é claro que não podemos estar fabricando à medida que vão saindo e descongelando os negócios. É importante ter um estoque mínimo de equipamentos, e ter um bom tempo de reação ao mercado.

Por exemplo, para uma cimenteira que é cliente importante nossa no Uruguai, é importante que forneçamos uma quantidade de betoneiras, que se não estiverem produzidas vai lhes causar mais problemas do que atualmente temos todas as empresas por conta do vírus.

Então dois pontos, cuidado do pessoal e adaptação ao cenário atual, foram importantes para que nos mantenhamos em boa condição.

O que ocorre com a demanda?

Duas características são similares na maioria dos países da região são que não se paralisou a agricultura e as construções públicas. Por que menciono a agricultura? Embora não esteja ligada diretamente à construção, há várias interfaces, porque empresas que têm negócios agrícolas também têm suas empresas construtoras e são consumidoras de equipamentos de construção; Então, por ter fluxo de caixa, se permitem terminar os projetos que haviam começado. 

Em condições gerais, isto é o que estou notando na região, que a agricultura está impulsionando alguns países a finalizar obras; e que na grande maioria dos países as obras de infraestrutura não pararam, e isso nos manteve ativos.

O que fizeram para apoiar os distribuidores?

Octavio perdomo

Octavio Perdomo

Uma vantagem que temos na Schwing é que a comunicação com nossos distribuidores sempre foi de mão dupla e contínua, então uma situação como a pandemia nos pegou tendo já uma clara fotografia do que se passa com cada distribuidor em cada país.

Foram revistos os projetos, as necessidades e o estoque. Para nós, é essencial ter estoque em cada um dos países para poder reagir no momento de se reiniciar o setor da construção.

Estamos fazendo capacitações, treinamentos comerciais, treinamentos técnicos, contato com os clientes, esclarecimento de dúvidas, e aproveitamos esse tempo para dar mais força e conhecimento da marca e das tecnologias do nosso grupo.

Para nós é importante, obviamente, que o distribuidor esteja bem. Tentamos dar todas as condições que estejam a nosso alcance para tentar “oxigenar” a situação.

Como você vê o resto de 2020?

Aquilo que tínhamos previsto em janeiro é difícil que aconteça. É possível que haja um desempenho flat ou decrescimento em relação a 2019, mas é bola de crista, não tenho argumentos claros para chegar nisso.

Schwing Paraguay

A empresa está apoiando todos os seus distribuidores, como a H. Petersen, do Paraguai.

Espero que 2021 seja um ano com um crescimento mínimo de 2% a 3%, com relação a 2020.

Em países como Peru, Colômbia e Uruguai, há boas oportunidades de negócios, que mantemos no pipeline. O Chile poderia estar nesse grupo, mas acreditamos que está alguns pontos atrás pelos eventos de outubro do ano passado (Nota do editor: em 18 de outubro estourou a forte crise social e política do país), porque aquilo enfraqueceu a construção e deixou fortes sequelas.

Reflexão

Considero que é muito importante ver de que maneira cada um de nós, como provedores, clientes, construtores, consumidores de maquinário, nos adaptamos e readequamos para que reativemos o setor da construção, que t em um papel importante em cada uma das economias. Não podemos ficar pensando no que passou, nos seus efeitos, e sim como nos adaptamos e contribuímos positivamente para sair da situação, protegendo a saúde dos nossos empregados. Isto é algo que depende de cada um de nós.

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