Setor acumula 24 meses consecutivos de queda na produção.

Quito

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Embora grande parte da economia do Equador esteja em recuperação, o mesmo não ocorre com o setor de construção. O último momento vivido pelo país com indicadores setoriais positivos foi o segundo trimestre de 2015, quando a indústria alcançou uma variação positiva interanual de 2%. A partir de então, nos 24 meses consecutivos os números flutuaram com resultados negativos que variam entre -4,3% e -7,9%.

Félix Casares, presidente da Betamérica, disse a um jornal local que não prevê melhor cenário no curto prazo, porque ainda não iniciou-se com força o plano governamental “Casa para Todos”, e também porque não se nota uma recuperação do setor privado. “Vai continuar o decrescimento, há muitas obras paralisadas”, disse o representante do setor, que acrescentou que se não forem adotadas medidas de reversão da situação e a tendência continuar no vermelho, o problema da construção pode afetar outras áreas do PIB equatoriano, dados os encadeamentos da construção com o restante da economia.

Já para Leopoldo Ocampo, presidente da câmara Camicon, preferiu pôr relevo em outro ponto negativo. “Para os investidores, hoje em dia, a construção se transformou num risco”. A exemplo disto, mencionou que em Quito existem 5 mil projetos atualmente, alguns em pré-obra e outros em obra, mas apenas 400 deles conseguem ter algo vendido. “Há quem venda, mas não há quem compre”, resumiu, esclarecendo que o setor não se opõe a pagar impostos, mas solicita que o governo elimine certas normas fiscais que espantam os compradores e investidores, afetando além disso também a arrecadação fiscal.