Isto depois de uma contração de 1,8% que teria experimentado em 2017.

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O investimento em construção no Chile deverá ter fechado 2017 com queda de 1,8% em doze meses, mas espera-se para 2018 um retorno ao positivo em 2,4% interanuais, de acordo com a Câmara Chilena da Construção (CChC), que entregou os números na apresentação “Balanço 2017 – Projeções 2018”, evento que realiza todos os anos a partir de seus estudos macroeconômicos sobre o setor.

Para Javier Hurtado, gerente de estudos da associação, “com estes resultados, 2017 será o terceiro ano consecutivo em que o investimento na construção terminará com cifras negativas, o que, tal como nos anos anteriores, é explicado por menor investimento em infraestrutura produtiva, especialmente em infraestrutura produtiva privada”.

No que diz respeito ao investimento em infraestrutura pública, a CChC prevê que 2017 terá fechado com um aumento interanual de 1,1%, refletindo um aumento marginal no orçamento público, em termos reais, em relação a 2016, e considerando-se uma base de comparação pouco exigente.

Mas para 2018, projeta-se um crescimento do investimento em infraestrutura pública de 2,2%, mobilizado principalmente por investimentos em saneamento, o que compensaria em grande medida o menor investimento real previsto no orçamento público este ano no país.

Em matéria de concessões, o fluxo de investimentos em 2017 teria sido de US$ 763 milhões, enquanto em 2018 ficaria em US$ 613 milhões, diminuição que se explica pela conclusão de obras relevantes e por lenta incorporação de novos projetos.

Em relação a investimentos em infraestrutura produtiva privada, calcula-se que 2017 terá fechado com uma contração de 6,9%. O investimento em projetos de maior envergadura chegou a US$ 10,8 bilhões em 2017, dos quais US$ 5,6 bilhões corresponderam a gastos em construção – número bem inferior aos US$ 13,5 bilhões de 2016.

Para 2018, projeta-se que o nível de investimento no subsetor crescerá 2,8%. Embora o investimento em projetos de maior tamanho deva chegar a US$ 9,1 bilhões, dos quais US$ 4,9 bilhões seriam gastos em construção, isto se compensaria pela execução de projetos médios e pequenos.

Boas notícias

Sergio Torretti, presidente da CChC, disse que “além dos dados específicos, creio que o fator mais relevante a explicar o menor investimento global da economia – e, portanto, na construção – é a perda de consensos básicos a respeito da estratégia de desenvolvimento que nosso país seguiu nas últimas décadas”. Em razão disto, o dirigente pediu que “volte para o centro da gestão política o crescimento econômico, não apenas em benefício dos setores produtivos, mas sim como condição necessária para o cumprimento das demandas e expectativas das pessoas”.

As projeções positivas parecem ter ganhado mais respaldo após as eleições realizadas no fim do ano passado. Em 17 de dezembro, o candidato e ex-presidente Sebastián Piñera venceu, com sua proposta pró-mercados. De fato, o mercado em geral respondeu positivamente a sua vitória nas urnas, e na segunda-feira seguinte houve uma agressiva alta na Bolsa de Santiago.

Sobre uma possível mudança nas expectativas após o triunfo de Piñera no segundo turno, Torretti afirmou que “as expectativas sempre mudam quando muda o governo, e creio que se criaram expectativas positivas”.

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